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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Desespero



Desespero.


Lembro-me quando ainda eu em tenra idade via e acompanhava mamãe que saia pelos campos a cata de certa erva rasteira que ela colhia as raízes que depois de bem lavadas eram fervidas em água, após passava em uma peneira e naquela água acrescentava açúcar e dela fazia um xarope.


Usava para evitar determinada doença na penca de quatro filhos. Era gostosíssimo, entretanto não sabíamos que aquilo era inócuo.


Mas ela, como as pessoas em geral acreditavam piamente que tal água com açúcar fizesse algum efeito, assim como pendurar nos pescoços das crianças por uma piola, saquinhos contendo ervas e até alho na esperança descabida e quase insana de tentar salvar os filhos de algum tipo de mal.


Todas essas doenças eram atribuídas a projetos de deus, que punia os pais sacrificando as pobres criancinhas que eram penalizadas com paralisia infantil, defeitos congênitos e até a morte. 


Baita sacanagem.


No horror, e não tendo o que fazer contra essas doenças e acreditando nessas forças puramente fictícias as pessoas apelavam para todo o tipo de expediente, que iam dos chás as rezas.




Ora, bastou desenvolver a medicina e as ciências para jogarem na lata de lixo tais projetos.


A paralisia infantil ou poliomielite era atribuída a um projeto desse deus, e muitos diziam com concreta convicção que aquilo era uma formulação divina para castigar as crianças ou a seus pais.




Entretanto bastou o Doutor Albert Bruce Sabin inventar as gotinhas para que tal projeto de deus fosse descartado.


Que poder! Esse doutor é o cara!!!!


Mas continua grande parcela da humanidade acreditando nessas sandices, como por exemplo, o caso da AIDS, porém em breve teremos uma vacina para tal projeto de deus.



Lembrando que por muito tempo começou a nascer crianças defeituosas, sem braços, sem mãos, sem pernas, logo–logo atribuíram isso a um castigo divino. Algum tempo depois se soube que o causador daquelas anomalias nada mais era que um remédio que davam para as mulheres prenhes, a Talidomida.




Bastou que fosse proibido tal medicamento para que esse dito projeto também fosse jogado na lata de lixo.


Mas mesmo assim continuará a humanidade iludida acreditando e se aparecer outra doença ou alguma pandemia os desavisados correrão a dizer que é um projeto divino, e continuarão as pessoas presas a essas ilusões.


Por quê? Porque as pessoas tem uma necessidade patológica levada por um ancestral desespero em acreditar nessas coisas e dirão “meu filho foi salvo de uma doença grave pela providência divina”, entretanto não sabem ou omitem dizer que milhares e milhares de outras criancinhas morrem todos os dias desse mesmo mal.


E aí vamos encontrar as coisas mais estapafúrdias, principalmente quando usam da desgraça puramente humana para explorar o infeliz.


Há 10 anos passados conheci ocasionalmente um senhor de seus 40 anos que sofria de uma rara doença que o levava rapidamente à cegueira. Mostrou-me seus exames feitos inclusive em laboratórios no Estado Unidos e todos apontavam para o cruel desfecho.


Porém o pobre homem, no desespero procurava em tudo uma saída para seu escuro futuro. Pobre coitado, em seu pavor disse-me ter vendido até um imóvel para custear a cura em uma “igreja”.


Resumindo, foi-se o dinheiro e o infeliz ficou cego, pois muitos vigaristas aproveitam do desespero de infelizes para ganhar dinheiro fácil.


E é assim, a humanidade desde o seu alvorecer, há mais ou menos duzentos mil anos, não tendo com explicar as coisas boas e ruins de suas vidas, sem conhecimento, na total ignorância atribuíam tudo a forças etéreas, espíritos maus e deuses perversos que as puniam por alguma coisa, e o pior, inventaram até demônios.


Inventaram até que esse deus bom, bondoso pai celestial que a todos acolhe e salva das forças tirânicas que os perseguem, que perdoa pedófilos, assassinos, genocidas, estupradores, não foi capaz de perdoar uma inverídica e primordial mulher chamada Eva, por essa ter comido uma simples maçã, e pior, por isso condenou todas as mulheres a sofrerem de dores insuportáveis ao terem seus filhos.


Qualquer bicho tem dor na hora do parto, mas as pessoas vivem nessa ilusão.


E não se dão por conta que tudo isto não passa de formulações dos próprios homens para explicar o que ainda não foi desvendado. Aliás, muitos nem querem saber e preferem viver na ilusão e na ignorância.


O que fazer?




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