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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Em Minha Janela.




A chuva como lágrimas tudo molhou.
O que era anil, cinza escuro ficou.
A noite chegou de mansinho
E a vida então, saiu de seu ninho.



Improvável ninho em minha janela.
Teimosa brotou a semente singela.
Suplicando o direito de nascer e viver.
E sentir os raios do Sol do amanhecer.

Improvável ninho em minha janela.
Nasceu assim toda Amarela.
Amarela Dourada e Bela.
Bela, Amarela Dourada e Singela.



Heroica cresceu sem ter vaidade.
Agarrando-se a vida com muita vontade.
E o berço que escolheu para ela.
Foi canto improvável de minha janela.

Teu mundo agora é a minha janela.
Cuidarei de ti, linda e bela.
E se a chuva fria não te molhar.
Prometo-te, todos os dias vou te regar.



A linda e bela.
A Dourada, amarela.
Escolheu para viver.
Em minha janela.

sábado, 28 de junho de 2014

Proclamação da República



                    Mas tche! O que é República?


O Marechal Deodoro da Fonseca, taura velho, mais adoentado do cavalo com garrotilho foi levado até o Campo da Aclamação onde estavam estacionadas tropas do Exército Brasileiro, meio amotinadas que queriam ver destituído o Gabinete do Visconde de Ouro Preto.



                            Visconde de Ouro Preto

Essas tropas estavam meio lideradas pelo Tenente Coronel Benjamin Constant que vivia conspirando contra o Império e que não foi preso por ser subversivo, nem torturado e muito menos acusado de ser Comunista e levado para as salas da repressão e morto sob tortura conforme fizeram com Vladimir Herzog e outros.

                   Vladimir Herzog.


Deodoro era um Monarquista fervoroso e em nenhum momento passou por sua moringa destituir seu velho amigo da longa barba branca, o Imperador Dom Pedro II.



                                Marechal Deodoro

Quando lá chegou o velho Marechal gritou “Viva Sua Majestade, o Imperador”, mas eu acho que poucos ouviram, pois o velho já estava na capa da gaita e não tinha tanta força para ser ouvido em meio ao troar festivo de canhões.



                               Vai tu que não tem outro.

Com o agravamento da situação, mentiras, boatos e verdades levaram o velho Marechal em meio a sua fraqueza física devido a uma enfermidade que lhe consumia e a idade que não ajudava a mudar de lado e aceitar ser o primeiro presidente da então proclamada República e com poderes ditatoriais.


Me parece que o negócio foi meio no oba-oba. Vai lá que não tem outro, ou coisa parecida.



                           O velho Maragato Gaspar Martins.

Aliava-se a isso a possibilidade de seu inimigo, o velho Gaúcho Gaspar da Silveira Martins, com quem tinha sérias desavenças por terem se encambichado pela mesma prenda, ainda na juventude, ser o novo chefe de gabinete, que substituiria o de Visconde de Ouro Preto.


E aí vamos juntando os pontos e vamos ver que não foi de graça que Gaspar da Silveira Martins, a frente das Tropas Maragatas peitou a velha República com a Revolução Federalista de 1893, e as coisas vão se encaixando, apesar de já estar no poder o Marechal Floriano Peixoto. A velha cantilena "Amigo de meu amigo é meu amigo; amigo de meu inimigo é meu inimigo"


Porém o Decreto N º 1, de 15 de Novembro de 1889 diz o seguinte:


Artº 1º - Fica proclamada provisoriamente e decretada como forma de governo da nação brasileira – a República Federativa.


Até aí tudo tric tric rolimã.


Entretanto só seria oficializada a República após um plebiscito onde o povo aceitaria ou não esta forma de governo.


Mas como povo é só um detalhe, as coisas foram se perpetuando.


Vieram os outros governos republicanos sem haver o tal plebiscito, ou seja, eram também governos provisórios.


E de provisório em provisório foi avançando no tempo, o que levou 104 anos para acontecer, pois somente em 1993 tivemos o tal plebiscito, com a vitória esmagadora da forma de governo Republicano Presidencialista, rejeitando assim a Monarquia e a República Parlamentarista. 

Segunda e esmagadora derrota do Parlamentarismo.


Portanto se analisarmos bem, todos os governos até 1993 foram na verdade governos provisórios. Até o dos milicos que ficaram ilegalmente 21 anos no poder foi de forma provisória. (ainda bem).


104 anos de governos provisórios.


Durma-se com uma bagunça igual a essa.


E o povo?

Ora povo! Povo é só um detalhe!


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Maragatos





Revolução Federalista

                                         Maragatos de lenço colorado


Muitos são os quéras (cuéras) atilados que acham que na Revolução Federalista de 1893 se lonquearam a pau Maragatos e Chimangos, numa sangria de fazer inveja a qualquer saladeiro. Mesmo que fosse o Saladeiro da Barra do Quaraí.


Mas não foi isso que aconteceu.


Os Maragatos pelearam contra os Pica-Paus, nessa Revolução chamada de Federalista, porém contra os Chimangos ou Ximangos (borgistas) só foram se entreverar 30 anos depois, já no Século XX, na conhecida Revolução de 23, ou também chamada Revolução Libertadora, onde o mango comeu solto neste meu Rio Grande.


Mas por que Maragatos?

                                                   Gaspar Martins


O termo Maragato foi usado para identificar os aliados de Gaspar da Silveira Martins e Gumercindo Saraiva que eram frontalmente contra a política do Governo Federal da recém-formada República que tinha no Estado, a testa do Governo, o Sr. Júlio de Castilhos, como Presidente e chefe dos Pica-Paus. 


Para colocar a opinião pública contra os aliados de Gaspar Martins e Gumercindo Saraiva, os adversários, aliados de Júlio de Castilhos, (Pica-Pau) lançaram uma campanha difamatória dizendo que os Revolucionários de Gaspar Martins e Gumercindo Saraiva vinham do exterior, ou seja, eram estrangeiros. 

                                                   Gumercindo Saraiva


Para tal usaram o termo Maragato, ou seja, aqueles que vinham de uma determinada região do Uruguai, já que Gumercindo Saraiva encontrava-se exilado nesse País e entrara no Rio Grande a frente de um exército de revolucionários que usavam lenços vermelhos ou pañuelo colorado e foram passando o mango nas tropas governistas.


Esse exílio havia sido cumprido no Departamento Uruguaio de San José de Mayo, colonizado por espanhóis vindos da Maragateria na Espanha, uma região histórico-cultural do norte desse Reino Ibérico, na Província de León, reino que anda meio descadeirado devido a escândalos financeiros envolvendo membros da família real.


Por este motivo foram então chamados de Maragatos, porém não podemos negar que houve sim o apoio de muitos tauras “Orientales”, que se uniram as forças revolucionárias e vieram para o Rio Grande pelear ao lado de Gaspar Martins e Gumercindo Saraiva e muitos foram sangrados em degolas históricas ocorridas nesta Pampa.
                             

Esse Uruguaios, valentes e destemidos brigavam com arma de fogo e arma branca, e não na base da mordida como fez agora o senhor Suárez, atacante da Celeste. Que não teve medo do Europeu e tacou-lhe uma dentada, e muitos hipócritas que censuram Suárez por este seu ato, defendem abertamente torturadores e ditaduras.


                     Don Suárez. El mordedor

Por outro lado tanto o Uruguai como a Província de Corrientes na Argentina auxiliavam os Maragatos, liberando suas fronteiras para o ir e vir contínuo das tropas assim como assegurar a passagem de baguais e armas que eram livremente importados por essa região naqueles momentos de guerra que duraram de 1893 a 1895.


Bueno tche! É mui difícil tu encontrares um Gaúcho que não tenha um ancestral Maragato. Mesmo que não tenha dirá que teve.


Assim como o folclore que corre solto na Campanha e Missões onde sempre vai aparecer algum bacudo que no meio de uma charla, contará que teve uma bisavó ou tataravó índia, caçada no laço pelo bisavô ou tataravô.


E muito biguano de cinquenta e tantos anos acredita nesta lenda e contam como se fosse verdade. Até pode ter acontecido alguns bizarros casos lá pelo começo da colonização deste pago, porém todo o mundo ter uma índia na família assim conquistada é mais bizarro ainda.


Mas que barbaridade!

                                  Degola.


Durante essa peleia, a mais violenta da República Rio Grandense, o ódio corria mais solto que bombacha de argentino, houve verdadeiros assassinatos em ambos os lados, e a carneadeira corria solta no pescoço dos inimigos. Não faziam prisioneiros e sim degolas e mais degolas.


E quando os Pica-Paus encontravam um valente uruguaio, esse não era degolado de vereda, e sim tinha apenas um pequeno corte na jugular e o infeliz ficava sangrando e morrendo aos poucos, agarrando o talho na esperança de estancar o sangue.


Outro sim, um alemão que se meteu de pinto a galo e se entreverou de enxerido na refrega dos pelos duros, certa feita quando aprisionado entrou na fila para ser degolado.


Diante dele passou monarca em seu haragano um Oficial beligerante e o alemão gritou por seu nome e disse:


- “Herr Major, eu sou a alemón Beckerr! Má feiss salfei o tua filho que estava morendo afogato na açute”.


O Oficial Maragato olhou para o alemão, o reconheceu, era ele mesmo que havia socorrido o seu filho que estava se afogando em um açude, mas nada disse, bateu o folha-de-abóbora na testa, esporeou o cavalo e se foi folheirito passando em revista a enorme fila dos que iam receber o colar de sangue.


E nem te ligo para o alemão que foi sangrado e morreu estrebuchando, sem dó nem piedade.




Os Maragatos descontentes com os rumos da República, pois não concordavam com muitas coisas deste novo Regime, o que não significa que eram a favor do extinto Império, encanzinados se foram de ponto fixe, passando a açoiteira em quem se metesse na frente e chegaram até o Paraná, porém foram derrotados na batalha da Lapa pelas tropas de Floriano Peixoto e tiveram que recuar para a querência.


E no dia 23 de agosto de 1895, lá na minha cidade natal de Pelotas, assinaram a paz, encerrando assim o movimento Federalista.


Mas bah!


O mais importante é que o termo Maragato que foi inventado pelos Pica-Paus de vereda deixou de ser uma coisa pejorativa e passou a ser um nome que identificava os tauras revolucionários e de valor, pois até hoje muito quéra (maldito acordo ortográfico que tirou o trema) se diz maragato e quando se pilcha usa o Lenço Colorado, sem nem saber o que signiifica.


                                  Pica-Paus

Entretanto ninguém se diz Pica-Pau.

                                Pica-Paus de lenços brancos


Oigalê porqueira!







quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sangue Gaúcho






Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, la Pátria Gaucha.


Estas fotos foram feitas na Província de Buenos Aires. 



Dizem alguns mestres folcloristas brasileiros que não há sangue espanhol na composição do Gaúcho.




Buenas, entonces yo no soy Gaucho.




Mire usted:




Meu avô José Luís Pereira de Castro era Uruguaio, filho de Don Florisbelo Pereira de Castro, também Uruguaio, e neto de Don Supriano Pereira de Castro, Espanhol de Castilla la Nueva.




Toda minha família é entreverada com Uruguaios, Argentinos e acima de tudo entreverada com Charruas, Minuanos e índios do Tape. Claro está que aqui no Brasil. assim como no Uruguai. há nesgas mui grandes de sangue Português, que é Ibérico também.



Portanto esta afirmação desses doutores além de equivocada é mui infeliz, pois nosotros, Gaúchos ou Gauchos, que vivemos no Rio Grande do Sul, tanto na Campanha quanto nas Missões somos de mesma cepa que los Uruguaios y de los Argentinos de la Pampa.




Minha mulher como já publiquei neste blogue é uma Guria de Uruguaiana, neta de Don Pio Aurélio de los Santos, nascido em Paysandú, no Uruguai, y sua avó, Doña Maria Dolores de los Santos Haoys nasceu em Concórdia na República Argentina.




Toda minha família esta clavada neste tripé Rio Grande-Uruguai-Argentina.




Negar isto é negar o óbvio.




Y estas fotos, 15 no total, foram feitas na Província Bonaerense, portanto veja você que los Gauchos también son Argentinos, con la sangre de España y de los índios Pampeanos.




Buenos Aires é, sem dúvidas, o centro da expansão deste povo que hoje encontramos até no extremo sul do continente, espraiado pela Patagónia.




Escrevi entreverando o português com o espanhol porque é desta maneira que o homem da fronteira fala e se entende.


Alguém há de perguntar sobre os alemães e italianos, ora alemão é alemão e italiano é italiano e ponto.