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sábado, 3 de março de 2012

Cabungueiros e seus Cabungos




Hoje a população não sabe, nunca ouviu falar e nem imagina o que foram os “cabungueiros” ou o que foi um “cabungo”



No fim do Império, no Rio de Janeiro havia os chamado tigres, escravos que carregava baldes e barris cheios de dejetos humano sobre seus ombros, que eram levados e jogados ao mar.



Excrementos de uma corte simplória, fedida e como o povo também mestiça seguida de pequena elite semianalfabeta, bajuladora e também fedida, que obrigavam homens escravizados a carregarem suas porcarias, pois não havia rede de esgoto.


Lembrando que o Rio de Janeiro, quando aqui chegou fugindo da Guerra de Napoleão a família real em 1808 fedia pior que uma carniça. Era um esgoto a céu aberto. Era uma cidade imunda, fedida e pestilenta.

Eram esses homens chamados de tigre, pois as porcarias humanas que escorriam desses recipiente  deixavam em seus corpos famélicos listras de fezes, o que o levou a serem comparados a tigres.

Porém ainda no fim dos anos  cinquenta, início dos sessenta do Século XX, nas cidades de Pelotas e Rio Grande o serviço continuava a todo vapor, agora feito por homens livres.

Havia nas regiões mais abastadas banheiros com louças ligadas a um esgoto cloacal arcaico que simplesmente levava as fezes humanas sem nenhum tratamento para os rios. Rios de onde sairiam a água de beber.


Nas regiões menos agraciadas, onde morava a esmagadora maioria da população, tanto nas cidades quanto no campo o que se usava era as latrinas.

Entretanto nas latrinas mais modernas, essas junto às cidades em bairros populosos, não havia o célebre e profundo buraco cheio de estrume humano e sim o histórico e valoroso “cabungo”, que na cidade portuária de Rio Grande era chamado de “cubo”.

O cabungo ou cubo era um pequeno barril cônico de madeira de aproximadamente cinquenta centímetros de altura, com a boca de mais ou menos vinte e cinco centímetros, chegando a sua base com trinta e cinco centímetros, que semanalmente era substituído pelo Asseio Público, que os levava em carroças puxadas por cavalos percherons, melhor alimentados que os pobres e desgraçados homens que tal serviço faziam.

Levavam o cheio e deixavam um limpinho, embebido em alcatrão ou óleo bem escuro misturado com um pouco de creolina.

Anos depois em Pelotas essa carroças foram substituídas por caminhões pequenos. Lembro-me de um Ford verde que atendia o fragata.

Tais barris eram feitos em tanoarias especializadas aos milhares para poder suprir a demanda de uma grande população, pois vilas e bairros inteiros eram assim atendidos.

Em Pelotas os chamados cabungueiros, homens que transportavam os cabungos, retirando os cheios de fezes e levando-os para as carroças, que depois de recolherem iam para as margens do canal de São Gonçalo, onde despejavam e lavavam esses barris bem próximo de onde atracava a balsa, no final da Rua Tiradentes que fazia a transposição de raros caminhões e automóveis de um lado para outro do canal, erradamente chamado de rio. Essa balsa era o meio que ligava Pelotas a isolada Rio Grande.

E todo esse trabalho imundo, fedido e altamente contaminante, onde vicejava as doenças era feito sem nenhum equipamento de proteção.

Descalços, mal alimentados, pessimamente remunerados, carregavam as sujeiras de toda uma população, com suas calças e camisas velhas cheias de remendos e de fezes. Cheios de doenças e de vermes que dilaceravam suas vidas, que por esse comprometimento eram velhos e alquebrados aos trinta e poucos anos.

Eram considerados por muitos como sendo a escória da humanidade, pois além das doenças que carregavam em seus corpos famélicos e valetudinários, cheiravam tão mal que as pessoas evitavam até de olhá-los, com medo de pegarem suas doenças e principalmente nojo.

Por onde passavam deixavam um rastro de mau cheiro e muitos cabungos, cheios até a boca, muitas vezes deixavam outro rastro nos pátios, por onde eram carregados. Um rastro das porcarias humana que como nenhum outro animal tem as mais fedidas fezes.

E assim mesmo, cheirando pior que qualquer outro animal, tem a extrema veleidade de se dizerem divinos, filho de um deus, com o poder por esse dado de reinar sobre os animais.

- Que hipocrisia.

- Que pretensão.

Pretensão que beira a demência.

Pobres cabungueiros.

Seres explorados vilmente em um trabalho sujo, duro e desumano, mas mesmo assim alguns eram gentis e gracejavam de seu próprio infortúnio.

Infortúnio cruel que os aniquilava. Outros sequer falavam, eram homens amargos, tristes, mas todos tinham o mesmo futuro, o de morrerem jovens ainda, mas de aparência extremamente velha, pálidos ou de um amarelão que dava medo. Vidas carcomidas, cheios de vermes que os corroíam em suas desgraçadas sagas.

E dizem os simplórios que deus é fiel.

Dizem os insanos que deus é bom.

Que deus?

Muitas vezes se estava usando a latrina, bem sentado no banquinho de madeira sobre o cabungo, quando de repente um funcionário do Asseiro Publico abria a portinha dos fundos da latrina e trocava o valoroso barrilzinho, que era puxado por um gancho de ferro já munido de uma tosca tampa que nada tapava, sem ver quem estava sentado obrando.

Levava-se um enorme susto, mas a obra continuava agora em um cabungo limpinho e cheirando a óleo e creolina.

Texto extraído do livro ainda sem título de minha autoria sobre minhas memórias que pretendo em breve editá-lo.
      



         

      










             


22 comentários:

  1. lembro que quando o caminhao passava pela rua andrade neves, antiga jose brusque, todo mundo fechava as portas e janelas, e sempre alguem gritava,, o caminhao da merda, o caminhao da merda e todo mundo ia pra dentro de casa. um horror.

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  2. Pelotas vivenciou essa realidade até inícios dos anos 60. Realmente, se contarmos que isso acontecia em pleno século XX ninguém vai acreditar. Fiz o teste: contei para um professor de História e ele concordou que nunca tinha tomado conhecimento desse procedimento digno da Idade Média. Parabéns pelo excelente trabalho.

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    1. Escrevi um texto na pag do face "olhares sobre Pelotas", q extraí da memória. Vivi esse período em torno de quase dez anos.

      Noutra oportunidade vou relatar o que um colega me relatou sobre esse serviço.

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    2. Olá Lulu, fico honrado com tua visita.
      Gostaria de ter acesso a esse texto, pois reviver esse momento é coisa única que a esmagadora maioria do povo do Brasil não sabe que quase no final do século XX ainda esse serviço era feito. É quase inacreditável, porém eu vive essa época e a recordo muito bem. Disponha sempre de meu blog, isto me traz alegria e reconhecimento por um trabalho voltado a cultura de um povo cuja memória se perde.
      Respeitoso abraço.

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  3. Olá Hugo Enio Braz, obrigado pela visita. Tento resgatar coisas de nossa história que o tempo vem apagando e infelizmente grande parcela de nossa população parece não ter interesse em saber. Infelizemente essa memória histórica está sendo esquecida. Mas como historiador sou teimoso e continuarei nesta luta meio desigual de deixar para as próximas gerações pelo menos os fatos que presenciei. Um fraterno abraço.

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  4. Olá. Cheguei a ver os cabungueiros em ação na cidade de Pinheiro Machado, RS, em meados dos anos 70. Creio que a coleta dos "cubos" era feita duas vezes por semana, por funcionários da prefeitura em carroças puxadas por cavalo. Era verão e estava de férias na casa de uma tia; a meninada da vizinhança costumava tomar banho num riacho existente na periferia da cidade. Do ponto onde a gente tomava banho era possível ver, mais abaixo, as carroças chegando ao riacho para despejar o material e ali mesmo serem lavados os cubos.

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  5. Olá xará, que bom a tua visita em meu blog, o que me deixa mui honrado, outrossim caríssimo Pedo Henrique Caldas, desconhecia que em Nossa Senhora das Luzes das Cacimbinhas, hoje Pinheiro Machado houvesse existido esse tipo de serviço. Lembrando que tanto as carroças, como depois os caminhõezinhos que faziam o recolhimento dos cabungos ou cubos eram de dois andares, assim cabiam mais cabungos. Fico duplamente feliz, pois Pinheiro Machado e a terra de meu avô Antonio Garcia, nascido em 4 de janeiro de 1894. Vovô emprestado, mas o referencial, guapo e macanudo que eu tive como verdadeiro avô. Continue visitando e comentando. Um grande abraço.

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  6. Adorei teu blog, estes dias meus pais e meus sogros ainda estavam falando sobre este assunto e agora me deparo com este belo artigo sobre os cabungueiros, parabéns e sucesso no teu livro.

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  7. Alá caro amigo.
    Apesar de não saber quem és, fico mui honrado com tua visita e me apraz saber que pessoas como teus pais e sogros ainda lembrem dessa prática tão arcaica e já quase esquecida. Por este motivo tenho neste blog alguns assuntos que não gostaria de ver no esquecimento. Agradeço do fundo do coração tua visita. Muito mais coisas publicarei, sobre outros assuntos. Um forte abraço.

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  8. Uma pesquisa feita em mestrado da UFPel em 2010 levantou a história das latrinas públicas em Pelotas ao redor do ano 1900.
    "SANEAMENTO DE PELOTAS (1871-1915): o patrimônio sob o signo de modernidade e progresso", de Janaina Silva Xavier (Orientadora: Dra. Ursula Rosa da Silva).

    http://www.ufpel.edu.br/ich/ppgmp/v03-01/wp-content/uploads/2012/05/XAVIER._Janaina._dissertacao_2010.pdf

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  9. Olá Dr. Vidal. Sempre um prazer. Estive ausentado por uma semana em virtude de uma viagem de mais de 2 mil quilômetros dentro do próprio Estado, com minha mulher e meu neto - Pampa, Missões, parte do Planalto e Serra, estarei publicando neste blog esta viagem onde não poderia deixar de visitar as Ruínas de São Miguel. Darei uma atenção especial ao trabalho da Dra. Janaína, o que farei a partir de hoje, porém do que li já foi o suficiente para dimensionar o grande valor desse. Antecipando-me indico esse trabalho a meus leitores interessados. Procuro também informações que cubram o período de 1946 a l960 ano que me parece ter sido o último desse recolhimento. Ano em que se encerram em Pelotas os serviço dos valorosos homens chamados de "Cabungueiros"
    Fico agradecido ao prezado, desejando um belo fim de semana.

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  10. Ilustre Historiador. Em 1959, contava eu 6 anos e meio, estudava no 1ºano do curso primário, no então Grupo Escolar D. Pedro I, e na saída ao final das aulas, passava o "fedorento" gritando nos portões das casas da Rua Intendente Alfredo Azevedo, esquina com a Rua Pedro Boticário(Herói Farroupilha) no bairro Glória em Porto Alegre, "Olha o Cubo! Olha o Cubo!" impressionado perguntava à minha mãe: - o quê eles vendem? e ela respondia indignada: - não vendem nada, guri, eles carregam merda! e se tu não estudar tu vai ser cubeiro que nem eles! Espantado, sem saber o que era, vi quando saiu de um pátio um homem com um "barrilzinho" na cabeça e ao pular a vala que havia em frente a tal casa, caiu o fundo do tal barrilzinho enfiando-se em sua cabeça derramando o conteúdo por seus ombros. De resto, lembro que passei dois dias vomitando. Hoje aos 62 anos ainda digo aos netos: Estuda! ou tu vai ser cabungueiro, carregador de cubo. E EU!? Sou Advogado...
    Dr. José Luís Moraes OAB/RS 42.532 F. 51 9952-5994

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  11. Caríssimo Dr. José Luís, obrigado pela visita. Foi uma época triste, onde não haviam perspectivas, as pessoas achavam que tudo aquilo era normal. Porém muitos viam que a saída estava diretamente ligada ao estudo, e os que estudaram mudaram sua vidas. Aquilo era um vil trabalho de uma época de atraso. Assim como o senhor, eu passei por essa mesma época e vejo hoje como os direitos básicos eram tão desrespeitados. Infelizes cubeiros ou cabungueiros, homens sofridos, doentes e sem quaisquer perspectivas. Na verdade não haviam direitos. E assim é a sociedade, vai aos poucos evoluindo, graças a ciência, a tecnologia, aos avanços maravilhosos da engenharia e de todas as demais ciências. Ainda bem. Mas devemos acima de tudo conscientizar os jovens, pois a história não pode morrer.
    Um fraterno abraço.
    Fico lisonjeado com sua visita e meu blog está a seu dispor para leitura e comentários, que são sempre bem-vindos.

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  12. Eu era pequeno, mas lembro-me do caminhão ford entrando na nossa rua era uma correria e o cheiro era horrível. Já perguntei para vários amigos aqui da grande Porto alegre, onde moro hoje, e a maioria nunca ouviu falar nos "cabungueiros".

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  13. Olá Francisco.
    Vejas bem, esse serviço em Porto Alegre terminou muito antes que no interior do estado, provavelmente meados dos anos 50 e não posso precisar quais os bairros eram atendidos por esse arcaico sistema, mas tenho certeza que um dos últimos foi o conhecido 4º Distrito. É uma pena que esta parte da história se está perdendo, o que é lamentável.
    Feliz ano novo, espero que continues lendo e comentando em meu blog, para mim é gratificante. Sinto-me honrado.
    Fraterno abraço.

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  14. Eu, Engenheiro Civil, hoje aposentado, concursado em 1970 na RFFSA, aprovado com distinção e chamado em primeiro lugar dos ENGENHEIROS externos. Nas diversas funções, fui Superintendente Adjunto de Patrimônio, onde além de todos os bens da SR6, também me coube uma parte na reconstrução dos bens culturais e museus, sendo o mais importante o de São Leopoldo.
    Vou falar hoje do TREM DA MERDA, ou FERROVIA DA MERDA. - Um trem especial que saia da volta do Gasômetro, bairro do centro de Porto Alegre, RS na beira do Rio Guaiba, e num trajeto quase selvagem, sua MARIA FUMAÇA, esbaforava numa linha de bitola estreita, até o BAIRRO TRISTEZA, ou PEDRA REDONDA, onde um Pier avançava para dentro do Rio Guaíba e ali os CABUNGOS eram despejados pelos CABUNGUEIROS. Em Porto Alegre eram chamados de CUBOS e os trabalhadores CUBEIROS.

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    1. Bom dia Dr. Scalco.
      Honrado com sua visita e seu tão elucidativo comentário, que nesta madrugada me fez fazer uma viagem ao passado e lembrar desses pobres homens que tal serviço faziam, me foi gratificante saber e conhecer um pouco mais deste serviço. Os cubos e os cubeiros eram também assim chamados em Rio Grande, e tenho informações que em São Leopoldo esses homens eram chamados, como no Rio de Janeiro, de tigres. Informação prestada pelo Dr. Júlio Cézar de Oliveira, colega professor e amigo. Outrossim sempre procurei algum museu que tenha esses cubos ou cabungos, pois gostaria de fotografá-los, mas não os encontrei, já que a ilustração de meu texto foi por mim mesma feitas, porém gostaria de ter uma ilustração mais condizente. Sei que no museu da Santa Casa de Pelotas há um ou dois cubos, vou seguidamente a Pelotas, mas esqueço de visitar tal Museu. Pergunto a V. S. se há nesse museu citado em São Leopoldo esses cubos para que eu possa fotografá-los e não deixar se perder da história esse trabalho tão importante e que os executores jamais tiveram suas histórias contadas. Sabia eu, que no 4º Distrito, de Porto Alegre esse sistema existia, porém para mim foi uma surpresa saber deste valoroso TREM, do qual tinha total desconhecimento.
      Agradeço a visita e comentário, que são sempre bem-vindos e desejo um belíssimo fim de semana.

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  15. Boa noite, por favor estou a procura de alguma imagem ou história da região onde tem mansões entre ferreira viana e domingos de almeida morei lá quando criança era tudo mato chama-se bom pastor. Alguma ajuda? Quanto a cabungueiros... meu sogro foi um...

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  16. Professor Pedro A. C. Teixeira23 de outubro de 2016 10:45

    Olá Teka.
    Fico agradecido com a tua visita e posso conseguir imagens daquela região, porém gostaria que fosses mais específica, pois entre a Domingos de Almeida e a Ferreira Viana, e em ambas as avenidas houve uma expansão muito grande, onde hoje encontramos um bairro enorme. Dezenas ruas ficam entre essas duas avenidas, se me mandares o nome da rua em que moravas, ou outra rua adjacentes poderei te mandar imagens de toda a rua, porém como são muitas ruas fica quase impossível remetê-las. Há entre essa duas Avenidas um pequeno bairro chamado Bom Jesus e não Bom Pastor. Aí fiquei confuso quanto a localização. Em bom Jesus ainda há uma grande porção de terra de mataria. entre as ruas Pereira Passos e Alberto Pimentel, fazendo frente para a Visconde de São Gabriel. Dê-me um ponto de referência, uma rua específica que te retornarei.
    Grande herói foi teu sogro, pois sempre admirei esses homens que executavam trabalho tão rude. Invisíveis para a maioria, porém tenho sempre esses incríveis e abnegados trabalhadores em minhas lembranças. No aguardo de tua resposta, despeço-me agradecendo o carinho de tua visita e comentário. Sempre a tua disposição.
    Bom domingo e ótima semana, com muita saúde e paz.


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  17. RECEBI DO CARÍSSIMO LEITOR DUARTE DE CURITIBA ESTE COMENTÁRIO O QUAL SUPRIMI SEU E-MAIL PARA MANTER SUA PRIVACIDADE.

    Caro professor Pedro, meus cumprimentos pelo Blog....sou de Pelotas mas desde criança moro em Curitiba....tenho coletado dados de meus ancestrais escravos mas esbarro em dificuldades de conseguir documentos sobre meu tataravô que era escravo assim como meu bisavô que nasceu na lei do ventre livre...era chapeleiro pode entrar em contato comigo? WMWMWMWMWMWMWM seu conhecimento me ajudaria à ir mais longe nessa busca genealógica.... Obrigado em Cabungueiros e seus Cabungos

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    1. Caríssimo Duarte.
      Honra-me tua visita e teu comentário o que me deixou duplamente feliz já que além desta visita trata-se de um conterrâneo. Há realmente uma dificuldade bastante grande em campear nomes de ancestrais nascidos antes da proclamação da República, se tens a data de nascimento de teu tataravô, e como dizes teus ancestrais foram escravos, então são nascidos antes de 1888, porém somente após a referida Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889 os registros começaram a serem feitos em cartórios, pois antes disto eram feitos nas igrejas, sendo que muitos escravos, por culpa da ignorância e da maldade humana que os escravizavam, apoiados nas ditas escrituras sagradas faziam esses registros em livros das próprias fazendas como semoventes. Grande maldade e hipocrisia. Porém com o advento da República oficializou tais registros. Os registros anteriores foram recolhidos com o passar dos anos para as Cúrias Metropolitanas, no caso do Rio Grande do Sul, poderás encontrar na Catedral de Porto Alegre, junto a Praça da Matriz, Rua Duque de Caxias, 1047 - Centro, Porto Alegre - RS, CEP 90010-370 Telefone (51) 3228-6001. Há um acesso por uma rua lateral que atende tais pedidos, o que demora algum tempo, pois a pesquisa é feita pela própria Cúria. Estive em Rosário do Sul para, no Cartório acessar o registro de meu avô que nascera em 1889. Deram-me o Livro nº 1 para procurar, porém não o encontrei. Lógico, pois o mesmo nasceu em janeiro e tais registros passaram a ser feitos apenas em novembro daquele ano. Julgo eu alguma dificuldade para encontrar tais registros, porém tendo as datas desses nascimentos, ou pelo menos o ano, é até possível encontrar. Lembrando que na Região da Campanha há muitos Duartes, Pelotas, Canguçu e arredores, família muito grande que deixou enorme descendência, dos quais alguns são meus primos irmãos.
      Caríssimo Duarte, um privilégio imenso em trocar contigo estas palavras e que tenhas sucesso nessa empreitada, desejando a ti e a todos que te são caros um belo final de ano, muita saúde e paz. Espero que continues explorando meu blogue e comentando também. Grande e fraterno abraço.

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