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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Viagem Rápida.




Aproveitando o Feriado Nacional de 21 de abril, sexta-feira passada, Dia de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, Mártir da Inconfidência Mineira, enforcado em 1792, sentença de morte assinada por Dona Maria I de Portugal, uma história muito mal contada, fomos à Pelotas e desta fomos para Rio Branco, no Uruguai, passar o sábado e fazer algumas compras. Como dizemos aqui no sul, fomos lá para fazer uns “chibos en la frontera”. Cabe aqui salientar que não fomos para comprar, pois sairia muito mais em conta se comprássemos em Canoas, mas o passeio é o que importa, já que os gastos com hospedagem, gasolina, pedágios e alimentação foram muito superiores. Mas valeu, pois revimos velhos amigos e saímos um pouco da rotina.



Passeando pela minha terra natal, mostrando à minha nora essa cidade a qual ela não conhecia passamos pela frente da Catedral Anglicana do Redentor, popularmente conhecida como Igreja Cabeluda, que nesta época, já prenunciando um inverno rigoroso, suas folhas estão perdendo o belíssimo verdor o que não tira a beleza de tal prédio.



Meu filho Fábio e minha nora Grasiela em frente a tal e bela Igreja.



À noite jantamos no Balneário Santo Antônio, no Laranjal em Pelotas e não poderia faltar uma bela parrillada. Muita carne gorda e mal passada.




Sandrinha e eu aproveitamos também desta maravilhosa churrascaria e sempre que vamos à Pelotas, como fizemos em Janeiro, lá foi o nosso jantar em companhia do amigo Luiz Augusto Passos, que tinha vindo de Cuiabá, MT, para assumir uma cadeira na Academia Sul-Brasileira de Letras, cuja matéria publiquei em 12 de janeiro passado, com o título Luiz Augusto Passos.



Sábado, como já disse, rumamos para Rio Branco, no Uruguai, minha segunda Pátria amada, salve, salve. Nesta foto vemos Fábio e Grasiela, tendo ao fundo a Ponte Internacional Barão de Mauá, que liga Jaguarão (BR) a Rio Branco (UI), sobre o Rio Jaguarão, construída entre os anos de 1927-1930, tendo 2.113 metros, mas apenas 340 metros sobre as águas.



Aqui, apenas os figurantes foram trocados, mas o cenário é o mesmo, vendo-se lá ao fundo a cidade de Jaguarão, Rio Grande do Sul.



De volta à Pelotas, passamos por Arroio Grande, também uma cidade da Campanha Gaúcha, que em sua entrada principal, junto a Rodovia Pelotas-Jaguarão paramos para fotografar esta Maria-Fumaça, monumento em homenagem ao Barão e depois Visconde de Mauá, natural de Arroio Grande e que foi o percursor das ferrovias no Brasil.



De volta à Mui Leal e Valerosa cidade de Porto Alegre, vista de cima da extensa ponte Getúlio Vargas, mais conhecida com ponte do Guaíba.




Fim, e viveram felizes para sempre, comendo os famosos doces de Pelotas, de raiz portuguesa e bebendo vinhos chilenos e portugueses comprados lá no Uruguai, pra que digam quando eu passe, saiu igualzito ao pai.


(parte da letra da belíssima música gauchesca GURI)

- Jaguarão vem da palavra tupi-guarani, jaguarã, que quer dizer onça pequena; jaguánharô quer dizer onça feroz. Já a palavra JAGUARA, própria do Gauchês, quer dizer cachorro. 
- Pelotas, também palavra indígena, quer dizer canoa de couro, ou bola de couro. 

Clique sobre as fotos para ampliá-las.

domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa e a Verborragia Hipnótica.





Hoje, páscoa. Levantei-me cedo para um domingo chuvoso e após ter tomado meu mate e feito meu desjejum, vim para o meu escritório para ver algumas novidades na Internet. Para tal abri a janela e contemplava a chuva fina e constante que caia emoldurada pelas árvores altas que rodeiam o prédio. Chuva esta feita por fatores naturais e não como muitos pensam ser uma benção de algum ser mitológico que em tudo tem a sua mão.


A brisa leve, fresca e saborosa me dava um ar de paz e tranquilidade. Porém a cada mudança no sentido do vento, ao longe, alto e claro ouvia a pregação de algum ensandecido e ávido pastor, que como uma matraca falava para seus atormentados fiéis, que hipnotizados pela verborragia insana ouviam coisas desconexas, matracolejadas pelo ladino auto determinado homem de deus. Que deus?


Em sua pregação adurente e pertinaz, como se fosse um “speaker” narrando uma partida de futebol, não dava tempo a seu rebanho de desorientadas ovelhas entendesse as milhares de palavras ditas com tanta rapidez que, mesmo para os que deveriam estar em seu templo pudessem assimilar o que o espertalhão falava em um microfone, espargido por caixas de som de altíssima potência, com intensidade e até fúria, numa verdadeira lavagem cerebral.

Desta forma, ele consegue iludir os incautos crentes que se deixam levar por aquele vendaval de coisas incompreensíveis, e finalizava sempre com alguma frase sub-reptícia inundando as mentes com ilusões e insanas lendas criadas com o tempo e que tanto prendem a atenção dos que, muito devendo ou iludidos com uma vida eterna em um céu coberto de ouro e outras insanas maravilhas, se deixam cooptar. Atormentados e hipnotizados pela loquacidade do alcaide, vislumbram para suas vidas benesses materiais, aliadas ao medo do desconhecido.


Tinha, quando em vez uma trégua aos meus ouvidos, quando novamente o vento, por sorte minha mudava a direção, momento cheio de beleza, que então podia ouvir o barulho das rodas pneumáticas dos automóveis que passavam sobre o asfalto molhado pela garoa contínua, o que para mim era como um som benéfico, que aliviava minha mente daquela forma destrambelhada e furiosa dita pelo ladino espertalhão e vigarista.

O que me chama a atenção é que mesmo pessoas bem escolarizadas, pessoas de boa cultura, muitas das quais, pessoas boas e honestas deixam-se iludir por esses “tararacas” que possuem o dom de realmente hipnotizar a plateia, levando-a a acreditar em tantas falsidades e promessas, quase todas de cunho material.

AH! Que bom é ouvir o barulho dos automóveis que me livrava de tão doentia e insana pregação. Mas infelizmente a massa é cega, incauta e dominada por esses que não estão ali em nome de um deus, deus inexistente, estão ali ávidos pelas recompensas em doações e dízimos, que os tornam ricos em pouco tempo. Pois todos esses pregadores não deram certo em uma vida profissional e assim, valendo-se da fragilidade e desilusão de muitos optaram por serem pregadores. É fácil, não precisa de força braçal, basta ter cara-de-pau e ser convincente o bastante para alienar mais e mais os seus cordeirinhos.


Quando chegará o momento em que o povo, esse povo atrasado e atormentado se livrará destes achaques, pois tudo que se passa em suas cabeças são malformados conceitos de salvação, pois não adianta viver socado dentro de templos, atrelado a um livro falso, cópia vergonhosa de outras lendas, gritando como ensandecidos “aleluias” e “aleluias” e passar o resto da vida pensando e fazendo o mal. Orando pelo mal dos outros. Esse mal já começa por se acharem os escolhidos, lembrando aqui das palavras do Papa Francisco “mais vale ser um ateu do que um cristão hipócrita”.

Se existisse um paraíso eterno, certamente lá não estarão esses ladinos verborrágicos, nem a maioria de suas ovelhinhas demenciadas. Estarão sim em um inferno, também inexistente, pois são soberbos, jamais sorriem e se isolam dos demais que não pertençam à sua igreja. Doentes e retardados que têm a veleidade de se dizerem geração escolhida. Que têm a veleidade de se acharam os mais honestos e retos. Tem a soberba de se achatem o suprassumo de uma sociedade alienada e carente de valores morais, visto que um conceituado pastor está envolvido no lamaçal de corrupção, aliado a políticos também de sua igreja, em propinas e lavagem de dinheiro. Mas nem a Justiça tem a coragem de botar esse safado na cadeia.


Prefiro o meu ateísmo honesto, amar meus filhos corretos e trabalhadores, ajudar a quem posso, amar e respeitar a mulher com quem decidi, em um distante ano que seria a minha companheira, parceira e cúmplice, que não é, como para eles, um ser inferior, ela é igual ou superior, à hipocrisia tão visível de uma maioria de viscerais atormentados, misóginos e perversos.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Acordo Ortográfico – O Futuro Que Nos Espere.




É sim “O futuro que nos espere” - 3ª pessoa do presente do Subjuntivo (no Brasil), ou seja, “que ele, o futuro nos espere”.

     Apenas para pensar. 

Não sou especialista em língua portuguesa, porém vislumbro adiante, num futuro não muito distante, com certeza, muitas coisas irão mudar e mudarão a tal ponto que um dia chegará e o português do Brasil não mais será uma extensão do português de Portugal, será um novo idioma. Uma língua autônoma. E disto não tenho dúvidas.


E tentando descomplicar, este último Acordo Ortográfico para muitos complicou e ainda está dando muitos nós na cabeça não só do povo simples, como de pessoas bem escolarizadas. O que é normal, pois até acertarmos os ponteiros levará tempo para os menos atilados e para aqueles que mantêm vícios adquiridos ao longo de suas vidas. Lembrando que somos infelizmente um país, cuja esmagadora maioria peca muito no escrever, inclusive eu. Afinal há menos de cinquenta anos éramos um país de analfabetos, cujo percentual era gigantesco.


O mais conceituado professor de português do Brasil, Pasquale Cipro Neto disse:

- O acordo ortográfico entre os países lusófonos é "inútil e desnecessário" e não terá qualquer influência no papel da língua portuguesa a nível internacional.

Concordo plenamente e vejo que esse acordo além de complicar para muitos, não terá qualquer influência no modo de escrever e falar neste futuro que vislumbro.


E ainda, por conta do não entendimento deste Acordo muitos fazem confusões, tanto que ao ter dado entrada em uma Escola no Município de Esteio, bem à vista dos que ali entravam estava um cartaz dedicado aos alunos, que, com letras garrafais dizia: 

      “Seja benvindo...”.

Imediatamente procurei a equipe diretiva (pedagogas) e mostrei o erro, o que foi uma dificuldade para provar que a palavra “bem-vindo” não perdera o hífen (m?). Mas argumentaram com veemência que o hífen havia caído. Tiveram que vasculhar o acordo e procurar na Internet, até que lá pelas tantas viram que realmente a palavras continuava sendo - BEM-VINDO.


Mas esse acordo ortográfico, assunto que já escrevi neste espaço, foi um acordo tímido e até certo ponto desnecessário, é mais uma dessas coisas que partiu de cabeças brilhantes, mas que não terá futuro a médio e principalmente em longo prazo ou a longo prazo, ambas formas são aceitas, pois os idiomas não são estáticos e sofrem com o tempo uma série de alterações, muitas impossíveis de conter. Idiomas não são feitos por leis, decretos, acordos ou tratados e sim são feitos pela massa que os fala. Lembro aqui da tentativa infrutífera de se implantar no mundo o Esperanto como uma língua internacional neutra, que o inglês o fez sem nenhum trauma. 


O Esperanto é uma língua artificial criada em 1887 pelo médico judeu polonês Ludwig Lazar Zamenhof que não alcançou ainda seus objetivos. Aliás, 90% da população mundial nem sabe o que é Esperanto.

Por outro lado o Brasil é campeão em gírias que em Portugal, se não me falham as “catracas” (gíria = cérebro, cabeça, ideias. Ideias que pelo novo Acordo perdeu o acento, assim como o próprio acordo) são chamadas de maleitas. (corrijam-me se eu estiver errado). Já maleita no Brasil é uma doença. A malária.



Alguém dirá que precisamos de regras. Concordo plenamente, porém repito, se mexeram, por que não o fizeram em profundidade. O quê esse acordo trouxe em benefício do nosso povo?



Quiseram com isso igualar a forma escrita, e esqueceram da falada, mas o fizeram sem aprofundar, ou seja, trocaram a casca, mas não atingiram o cerne da questão, o qual deveria descomplicar, mas para muitos complicou ainda mais, como a supressão do trema e não atingiu coisas que na verdade descomplicariam.


Temos aqui no Rio Grande do Sul milhares de palavras que são desconhecidas mesmo no Brasil, quiçá em Portugal, assim como as dezenas de milhares de palavras do Brasil que não fazem o menor sentido ou são desconhecidas nos demais países de língua portuguesa.


As diferenças encontradas entre os diferentes modos de falar tendem a aumentar. Acredito que dos milhares de idiomas e dialetos que hoje são falados no mundo, muitos irão desaparecer e outros, já existentes ou não, tomarão o seu lugar.


Ou alguém acha que a maneira de falar da Inglaterra é a mesma da América? Ou o Francês europeu é o mesmo do Caribe ou da África?


Não! 


No caso do inglês britânico tem suas diferenças com o inglês “caipira” dos Estados Unidos da América e dos demais países de língua inglesa no que tange não somente as pronúncias, pois algumas palavras são igualmente diferentes como entre Brasil e Portugal, como exemplo cito algumas palavras do inglês britânico e sua correspondente americana:

           Inglaterra:      USA (EUA)
               - courgette           - zucchini
               - dummy             - pacifier
               - trousers             - pant
               - rubber               - eraser
               - chemist             - drug store
               - sweets              - candy
               - chips              - french fries

O mesmo continuará acontecendo com o nosso português, quer seja em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique e nos demais países de fala portuguesa.


O português europeu continuará a ser diferente dos demais portugueses, mesmo dentro de Portugal, que é um país de dimensões pequenas se comparado ao gigantismo do Brasil há diferenças no falar, quanto mais em nosso país, a tal ponto de livros e entrevistas serem traduzidas, filmes serem dublados ou legendados, pois é muito mais difícil entender um português falando do que um espanhol de Madri. Lembrando que no próprio espanhol há diferenças gritantes no modo de falar. Ou acreditas que a pronúncia da Espanha é a mesma da Argentina ou do Uruguai. 

Mesmo dentro da América Espanhola existem diferentes pronúncias para a mesma palavra, como é o caso de cavalo cuja pronuncia pode ser “cavaio”, “cavalhio” ou “cavajo” ou entaõ CAbAIO, a CAbALHIO ou CAbAJO. Sendo que a escrita é a mesma - CABALLO.


Já escrevemos no passado com Ph, cuja pronúncia é “f” como em phósphoros pharmácia, Amphilóquio, Raphaela e tantas outras. Já acentuamos certas palavras, como cafèzinho, sòzinho e alcoól (de alcohol). Já tiramos acentos, já introduzimos letras e outras foram suprimidas e hoje conforme a região serão mantidas ou não e terão dupla grafia em dicionários escritas com o B, C, G, M, P e T, sendo que muitas já não existiam no “brasilês”, porém continuarão em Portugal.


Exemplos de consoantes pronunciadas: Compactado, pacto, aptidão, nupcial, adaptar e toda a sua conjugação, entre outras. Não pronunciadas e inexistentes no Brasil, Acção, Secção, efectivo e para complicar temos o óptimo sem falar no afectivo. 


Porém! - E sempre há um porém., muitas serão dicionarizadas com dupla grafia. Vejas bem. Terás o cuidado de entender a localização geográfica para saber se sim ou se não. Por um lado é bom, pois mostrará para muitos onde fica o Brasil e onde fica Portugal, pois se dermos um mapa veremos que grande parcela fica mais perdida do que cego em tiroteio.



De dupla grafia teremos várias palavras, entre elas, a amígdala, amnistia, subtil e súbdito, para Portugal e os Tupiniquins ficarão com a amídala, anistia (ampla, geral e irrestrita, coisa do Geisel para livras os militares assassinos e torturadores), sutil e súdito. 


Por causa do grego, já escrevemos theatro, bibiotheca, hydrographia, polytechnica, polygono, telephone, christão e phonógrafo.


Muitos argumentos para tal acordo são capengas, (Capengar=Mancar. Aquele que é manco ou claudicante, que deriva de Cláudio, que significa manco), pois nós estamos cada vez mais falando o “brasilês” e por isto os grandes mestres deveriam mudar o nosso jeito de escrever e não ficar se preocupando simplesmente com uma uniformidade da língua portuguesa, mesmo que isto fosse necessário para uma uniformização importante a nível internacional, mas que no futuro complicará ainda mais e o rolo compressor passará por cima.


Precisaríamos de mudanças que viessem a facilitar o escrever, o falar, o sentir a palavra.


Por que continuamos a escrever exército com “X”?


Para manter a raiz latina de Exercitus?.

Sim, dirá o especialista em língua portuguesa. Mas deveríamos caminhar para a facilitação e não descomplicar complicando, assim como no passado suprimimos letras usadas em palavras de origem grega, poderíamos nos livrar de muitas letras de origem latina. Afinal o que é o latim senão uma base muito distante de nosso idioma, antecipando assim esse novo idioma que já começou e tende pelo número suplantar os demais portugueses, que é o “brasilês”, afinal são mais de duzentos milhões tagarelando regionalismos e gírias, e dele se afastando tanto que passará a ser um novo idioma. A língua falada está sempre em evolução e caminha para uma mutação impossível de deter.

Ex.


Estadia é o tempo que um navio permanece em um determinado porto.

Estada é o tempo que alguém fica em algum lugar. Hotel.


Porém hoje quase ninguém fala estada e sim estadia no hotel, o que passou a ser um sinônimo de estada.


No espanhol que também é de origem latina como o português escrevem exército com “J”, ejército.


Não! 


A pronúncia não é egército e sim ErrÉRCITO.


Facilitaria muito se escrevêssemos com “z”. Pois o som é de “z”. Ezército, que para os que têm conhecimento pode até ficar estranho, mas para a massa não bem escolarizada seria mais fácil. Há os que ficarão contrariados. Perdoem-se, mas esta é uma opinião pessoal de um historiador e não de um catedrático em língua portuguesa.

“Talves o ecelentíssimo Jeneral, diante de seu ezército, após tantos êzitos tivesse visto passar em sua frente toda a sua ezemplar ezistência”.

        Alguém não entendeu?


Houve em passadas épocas um grande avanço tornando a língua portuguesa um verdadeiro idioma (galego-português, por volta do século XII), que não deve ser confundido como um dialeto espanhol, pois não era um apêndice da Espanha, a qual ainda não havia surgido como reino unificado, apesar de ter sido em terras hoje pertencentes à Espanha o berço da língua portuguesa, porém o mundo mudou e hoje o português, apesar de sua similaridade com o espanhol é notadamente uma língua autônoma. Obviamente não para os americanos que acham que tudo é a mesma coisa.

Lembrando que Portugal foi o Primeiro, portanto o mais antigo Estado Nacional ou Estado Nação da Europa, que antecede em muito tempo o Reino da Espanha, assim sendo não podemos entender como sendo um dialeto e sim uma língua autônoma mesmo que tenha, como disse, surgido em território hoje pertencente a atual Espanha, na época no Reino de Galícia, ao norte de Portugal e foi com o tempo chegando até o Algarve. E de Portugal para o mundo, hoje o conhecido mundo lusófono, ao qual estamos incluídos. Porém caminha o Brasil para um afastamento tão grande que chegará um dia de termos um idioma próprio, que eu chamo de brasilês.


Como professor de adultos observava a dificuldade de muitos quanto ao emprego do “x”. Complica para os leigos, pois tem vários usos e são totalmente diferentes. Pode ser empregado como “s”, “ss”, “z”, “ch” e  “cs”. 



Novamente o especialista em língua portuguesa perguntará qual é a dificuldade? 


Não há dificuldade para as pessoas bem escolarizadas, mas as dificuldades são semelhantes à de um médico proctologista diante de um tórax aberto para fazer um transplante de coração. É assim que o povo se sente. Perdido. Totalmente perdido. 


Dirá o enfático especialista: Nós estamos aqui para ensinar. Corretíssimo! Mas aí lembro de uma frase mui usual na caserna: “Se podemos complicar para que facilitar?”.



A base foi perdida, a alfabetização não foi correta.


Além do mais o “x” tem regras complicadas para quem não é muito letrado, como ser usado após um ditongo, como feixe ou caixa, após palavra iniciadas com o prefixo “en” como enxame, enxoval; após palavras iniciadas pela sílaba “me”, como mexer, mexerico; nas palavras oriundas das diferentes línguas indígenas, as quais muitas não são usadas nem conhecidas em Portugal, como xará, xerente, xexéu; nas de origem africana, como caxumba, caxixí, caxangá, caxambu, fuxico, xodó, xendengue e xepa; ou nas palavras de origem inglesa que já foram aportuguesadas, como xerife ou xampu, assim como poderia ser “xópim” e não shopping, entre milhares. (Eu mesmo vivo aportuguesando o “blogue”, pois a maioria fala blogue, blogueiro, etc.) Também diz à regra que após o prefixo “em” seguido de palavras com “ch”, o dígrafo “ch” será mantido, como em encher. Mas quem dentro da grande população sabe o que é um dígrafo?


E quem sabe profundamente das complicadas regras a não ser um especialista e dos bons?

A começar pelo “zz” italiano que deve ser substituído pelo “ç”, como no caso de muzzarela. O correto deveria ser escrito com “Ç”, mas quase ninguém usa e sim usam o “ss”. Grandes redes de Supermercados e Restaurantes usam erradamente o “ss” e juram que estão certos, inclusive uma colega professora de língua portuguesa na hora de escrever se “embasbacou”. Porém como já escrevi, duvidaria que alguém seguisse a regra no caso de Pizza. Pois com “Ç” é, pejorativamente, o pênis.


O que me surpreende é que palavras de origem indígenas deve ser usado o “Ç”, como em Canguçu, Paraguçu, Iguaçu, paçoca, onça, caçoeira, caçuá, entretanto fiquei boquiaberto, mesmo existindo essa regra tenha sido lançado há mais de dez anos um dicionário de determinada língua da Amazônia em que o MESTRE DICIONARISTA usou “SS” no lugar do “Ç” conforme manda o Código de Hamurabi, digo, conforme manda a regra da língua portuguesa.


E em muitos casos nomes foram registrados errados usando o SS no lugar de Ç, ou CH no lugar de X e G no lugar de J. Inclusive cidades de nomes indígenas trocaram o J por G e ficou Bagé, Mogi das Cruzes além do “ss” em Bataguassu e Bossoroca, que deveriam ser Bajé, Moji das Cruzes, Bataguaçu e Boçoroca. Nem vamos entrar no caso de Juçara.

Fora milhares de palavras dos povos nativos, muitas das quais de uso corriqueiro no Brasil que não fazem o menor sentido em Portugal, como aguapé, anhanguera (aqui já complicou, nesta palavra havia o trema), açaí. anauê, açu, araraúna, canoa, capim, piroga, gravatá, curumim, caiçara, biboca, camotim, caatinga e nhenhenhém.
 

Por que ter “X” em excelência se nós pronunciamos ecelência. Sei que é da raiz latina ‘EXCELLENTIA, porém quem no meio do povo sabe o que é latim? Muitos especialistas em língua portuguesa cairão de pau, porém perguntar não ofende e vamos parar de nhenhenhém. 

Ficaria estranho, concordo, mas precisamos ter uma escrita fácil e clara para ser dominada pela grande massa. E se fossem mexer que mexessem nas profundidades e não nas amenidades.


Já li de renomados mestres, o que têm o meu apoio, entre outras coisas a questão de G – Por que o G+A é ga, o G+O é go e o G+U é gu e quando é G+E é je e G+I e ji?


     Lencinho popular português com erros ortográficos tem origem  no Minho, norte de Portugal. Não existe mais, hoje é propositadamente bordado apenas para turista ver e comprar. (Carlos Romão – Porto – Portugal).
                         


Não podemos ficar atrelados ao modo de escrever de Portugal, se eles mesmos dizem que nos falamos o “brasileiro”. Amo a língua portuguesa, bonita, sonora, rica em regras, e aqui no Brasil, cheia de “malemolência” devido à influência dos negros escravos que deram esse “gingado” à língua e enriqueceram com milhares de palavras, e adotou certas sonoridades por influência dos índios, que iniciou com a chamada Língua Geral ou Língua Brasílica, que se apoiou no Tupi, falado pelos tupinambás que habitavam o litoral. 


A língua, portanto, deve ser sentida, usada com vitalidade e prazer, pois sua raiz verdadeira está no coração, mas restringe muito no escrever.


O que eu gostaria é que no Brasil se falasse como se escreve e não como muitíssimos fazem e ficam inventando modas e afetações no falar, como o número 12, se escreve doze, mas alguns afetados dizem douze. Isto é que está errado e precisamos um acordo para ensinar esses menos esclarecidos a falarem corretamente. Menos esclarecidos não, assim falam grande apresentadores de televisão do centro do país, o que é uma vergonhosa afetação.


Dirá algum brasileiro que nós Gaúchos é que falamos cheios de floreios, que falamos diferente.

Não! Nós falamos conforme escrevemos, mas é óbvio que temos nossas próprias palavras que não são entendidas pelos brasileiros e que um dia seja matéria curricular no Rio Grande do Sul.


A começar pelo próprio brasileiro. Brasileiro é uma profissão. Aquele que trabalha com o pau-brasil (Paubrasilia enchinata Lam) também chamado de arabutã, ibirapiranga, ibirapitanga, ibirapitá, orubutã, pau-de-pernambuco, pau-de-tinta e pau-pernambucano, pois o correto seria “brasilês”, assim como português, francês, inglês, japonês, chinês, maltês, finlandês, norueguês, genovês e outros. Já o brasileiro seria comparado a oleiro, marceneiro, carpinteiro, serralheiro, madeireiro, ferreiro, copeiro, cervejeiro e por aí se vai um vasto rol de profissões. Mas fazer o quê, se já está cimentado à cultura?

Repito, no Rio Grande do Sul se fala como se escreve:


Xerenga (faca de má qualidade) – Nós escrevemos xerenga e pronunciamos xerenga.


Tumbeiro (indivíduo parasita, vagabundo, gaudério, que vive de estância em estância)– Nós escrevemos e falamos tumbeiro, ou truviscar (bater, açoitar, bater com pau ou relho, etc.), inhapa de ñapa ou nhapa (?) (regalo, presente), emponchar (cobrir com o poncho), abichornado (triste, sem ânimo, doentio) e outras.


Já alguns brasileiros chiadores se usassem a palavra truviscar, diriam “truviischcarrr”, pois os alcaides escrevem “mesmo” e falam meiixxmo ou o que é pior, com ridícula afetação dizem “mêrrrmo”. Ao passo desta afetação ser tão grande que um afetado tenha escrito no Facebook “ANTEIS e Depois”. Aí já não é sotaque nem afetação, é outra coisa.



A esmagadora maioria das línguas que hoje são faladas no mundo, não existia sequer há dois mil anos, tanto é que os idiomas francês, italiano, romeno, espanhol, português, catalão, galego, occitano (provençal e outros), dalmático (extinto), entre outras, derivaram do latim, e por isto são chamadas neolatinas, quiçá há mais de dois mil anos.


Ou quiçá apenas cem anos no futuro, que é um lapso na história?


Dos quase sete mil idiomas e dialetos hoje existentes no mundo, num curto espaço de tempo a maioria poderá deixar de existir, por conta desta internacionalização das comunicações e do comércio, ou seja, da globalização, que usa o inglês e não o sonhado esperanto.


O próprio aramaico, língua semítica usada pelos povos antigos do Oriente Médio, sendo a língua original em que foram escritos os livros bíblicos de Daniel e Esdras, e também a reedição do Talmud, que data do ano de 499 a.C. versando sobre leis e tradições judaicas, que são 63 tratados de assuntos legais, éticos e históricos do povo judeu, que nada tem a ver com outros povos, mas que os cristãos sem nenhum pudor ou vergonha, copiaram, falsificaram, suprimiram e acrescentaram coisas, assim como o Corão, e que “possivelmente”, repito, “possivelmente” tenha sido a língua de um judeu chamado Yeshua, para nós Jesus, que grandes antropólogos e historiadores negam até sua existência, que se auto proclamou filho de Deus, hoje só é falada em algumas pequenas comunidades do Oriente Médio em especial na Síria e corre o risco de, como o latim, tornar-se uma língua exclusiva dos religiosos. Coisa que o vice deus, Bento XVI, queria reintroduzir nas missas da igreja católica. Ou seja, um passo atrás, pois ninguém a não ser a “padrecada” entende essa língua morta, voltando assim aos “mistérios” que só podem ser ditos e entendidos por aqueles que detêm o poder religioso, alijando o povo de orar com Deus, como se esse Deus ouvisse tanta reza. Afinal povo é povo, não precisa falar com Deus, pois existem os intermediários nem sempre honestos. Deus que além, de surdo, para certos religiosos que gritam como desvairados só entende o latim ou o aramaico. E ainda existem aqueles ingênuos, para não dizer outra coisa, que acreditam que só entrará no reino dos céus aquele que falar uma língua estranha. Tive inclusive uma aluna evangélica, com mais de sessenta anos, na EJA em Esteio que queria a todo custo aprender o inglês, não para obter conhecimento e sim porque leu na bíblia essa sandice.


Não discuto se aprendi muitas manhas deste acordo, entretanto mesmo procurando errar menos possível, quando em vez cometo alguns erros. Não sou catedrático em língua portuguesa, apesar de ter estudado dois anos latim que é base das línguas neolatinas, muitas vezes cometo minhas “gafes”, principalmente no uso da crase. É perdoável até certo ponto, mas gostaria que o povo tivesse uma regra para facilitar e não complicar o que já era complicado.


E para encerrar. Tal acordo não livra um português de ficar mais perdido que “jaguara” em procissão, pois, tirando o Gauchês fora, dou como exemplo algumas palavras próprias dos amados irmãos nordestinos:


Qual português, angolês (angolano ou angolense), moçambicano e outros saberia o significado de:

Sapirico, tá na bagaça, baqueado, aritimbó, botimbora, quirrite, cafucu, babau, dente queiro, maluvudo, coió, na ruma, dar um xêxo, borreia, bila, auê, abuticar, pipoco, estruir, malamanhado, rebolo, zureta, goipada, cipoada, jerimum, escabriado, baitinga, biloto, biculinha, cotôco, dar uma rata, espilicute, nas bregas, foló, guabiru, leriado, lheguelhé, mané mago, xubichin, zanói, visage, ruim das oiça, berimbelo, baixa da égua, jabá ou quixó?

“Tá, cabô”.

Agradeço a Carlos Romão de Porto - Portugal, pela  sua importante  contribuição. Este espaço fica aberto a quem quiser enriquecê-lo com informações necessárias para o bom entendimento da matéria.         

(Complicado, então leia neste espaço o post EMULAÇÃO LUDOPÉDICA, de 19 de fevereiro de 2012).