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sábado, 9 de maio de 2015

O que que eu fiz?


Publicado na imprensa local e algum tempo depois em uma grande revista de circulação nacional este caso que passo a relatar se não fosse triste seria realmente hilário, o que faz com que muitas pessoas tomem cuidado em abordar um assunto, principalmente se esse assunto for delicado.


Primeiro lustro dos anos 70, provavelmente em 1974, um cidadão estava saindo com seu automóvel de um Motel em uma determinada noite com sua “namorada”, quando ao manobrar seu veículo bateu com o para-choque traseiro na porta direita de outro carro ali estacionado no pátio do referido Motel.

Rapidamente desceu e verificou o estrago, havia sido um belo estrago. Gentil e honesto, não querendo deixar o prejuízo ao proprietário do carro avariado, colocou seu cartão de visitas sob o limpador de para-brisas e escreveu em seu verso que ele arcaria com as despesas de “chapeação”, já que fora o causador do estrago e aguardaria um telefonema. E foi-se sem esperar.


Passado uma semana e nada de receber tal telefonema cobrando tal despesa.

Intrigado ficou, afinal de contas o outro motorista não deixaria por menos, ou pensou, talvez tenha perdido o cartão, por esse motivo não tenha ligado.

Mais três dias passaram, e em uma noite de sábado ele entrava em um Supermercado, na cidade de Porto Alegre, e quando estacionava o seu automóvel viu estacionando há uns dez metros o tal carro que ele havia abalroado no Motel.


Desse carro desceu um casal, que de mão dadas foram para o interior do grande Supermercado. Ele aproximou-se do carro e constatou que a porta ainda estava amassada e uma grande interrogação pairou em sua mente. Para dissipar dúvidas pegou em sua carteira o número da placa que havia anotado naquela noite e conferiu, era a mesmíssima. Então não havia dúvidas, era esse o carro.

Afinal de contas o jovem dono daquele carro deveria ter perdido o cartão. O Bom Samaritano, seguiu o casal dentro do Supermercado para ver se conseguia falar com o proprietário, pois ele, tratando-se de um homem honesto não fugiria de sua dívida, afinal fora ele o causador do dano.

Em determinado momento, sem que a esposa do cidadão visse, sinalizou para o desconhecido, dizendo em gestos que precisava com ele falar.

O cidadão em questão deixou sua esposa fazendo algumas compras e se aproximou do estranho pisando mais leve que peru no trevo, mas foi saber o que ele queria.

Cuidando-se para não ser visto pela esposa do jovem senhor, esse honesto cidadão disse que estava dele esperando o telefonema para acertarem as contas.

Mas que telefonema, mas que contas, nem te conheço, passou pela cabeça do referido homem.

Nesse momento o honesto cidadão confidenciou que ele havia abalroado o automóvel e queria ressarcir o prejuízo.

O outro cidadão então perguntou onde ele havia batido em seu carro, pois quando viu a porta já estava amassada.

O honesto cidadão disse então que havia sido numa noite há mais de uma semana no Motel “Tal”.


O outro homem surpreso, de cenho fechado perguntou como havia acorrido o caso, ao que o honesto cidadão explicou que estava com uma “amiga” em um quarto do referido Motel, e ao dar a ré não viu que atrás estava o seu carro e bateu. Desci e deixei meu cartão no para-brisa para que o senhor me ligasse. Momento em que entregou ao outro homem um cartão similar ao que havia deixado sob o limpador de para-brisa, mas os dias foram passando e nada de telefonema, por esse motivo, achando que o senhor havia perdido o cartão, ao ver que seu carro ainda encontra-se amassado resolvi falar com o senhor para ressarci-lo.

O proprietário do carro colocou o cartão no bolso da calça e sem nada dizer ao honesto cidadão, virou as costas e foi até onde estava a esposa e começou a agredi-la com palavras e socos.


Correria dentro do Supermercado e o casal foi parar em uma delegacia de polícia, ele bufando de ódio e ela com a cara toda amassada.

A honestidade, por ser coisa de poucas pessoas, pois a maioria fugiria sem prestar explicações colocou um casal na maior saia justa de todos os tempos.

E o honesto cidadão deve até hoje culpar-se por sem querer tenha terminado com um casamento.

Qual teria sido a explicação da esposa ao marido quanto a porta amassada?

Muitas coisas poderia ter dito, muitas desculpas poderiam ter sido dadas, mas o que ela jamais suspeitaria é que um homem honesto fosse encontrar o seu marido.





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