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segunda-feira, 25 de maio de 2015

China 2

No dialeto gauchês o termo China, herança dos Charruas e outros Pampeanos quer dizer mulher. Mulher da campanha, esposa ou prenda querida do Gaúcho que com muito prazer diz ao visitante:

- “Haciendole conocer a mi chinita y a mi rancho”.

Mujer del índio. Hembra.

Mulher do índio. Fêmea

Segundo Barbosa Lessa vem das palavras Che e Ina, que quer dizer, che ou tche meu ou minha e ina quer dizer companheira, amiga, prenda, que por ser prenda é uma joia uma coisa mui preciosa.

Donde surgiu o termo China (Mulher).

Alguns calaveiras sem conhecimento associam o terno china ao que não é, como casa das chinas e outras baboseira. Pode até com parcimônia ser utilizado, porém china é um termo que nos remete a mulher, esta figura tão maravilhosa sem a qual eu nem você estaríamos aqui neste mundo, porque são únicas e maravilhosas. São cheias de graça, que fazem nossa vida ter graça,, pois sem elas seria uma desgraça.

É comum ouvir em reuniões familiares alguém dizer:


- Enquanto os machos ficam aqui assando a carne as chinas vão lá pra dentro preparar as saladas.

Ou:

- Como está a sua avó, a Dona Eufrosina?

- Mas tche! A china véia anda mais algariada que guria nova, toda folheirita e rebetchada e se vai para os surungos todos os fins de semanas, carreteira a fora, no tranquito faceiro.



                                  La sangre de sus venas, sangre de misma cepa.
                                               Mi mujer Sandra e otras chinitas.

E por respeitar e amar as mulheres, afinal sou neto, filho, irmão, marido, pai e sogro de mulheres fantásticas, ter respeito e carinho com todas elas é uma obrigação que mantenho sempre.

Sejamos honestos. As que merecem, 

Porém a ideia de escrever sobre Che, Tche, Ina, China e de nosso poeta maior Jayme Caetano Braum e fazer alusão ao nosso grande historiador Barbosa Lessa, devo ao belíssimo blogue “Minha Vida de Campo”, da respeitável senhora Anajá Schmitz, que postou um comentário na publicação anterior deste meu blogue, o que suscitou que eu escrevesse sobre estes termos que fazem parte do jeito único de falar dos Gaúchos, tanto na Republica do Rio Grande do Sul, da Argentina e do Uruguai.

Jeito peculiar que os forâneos não entendem, mas que faz a grande diferença de ser do Sul.

       Basta olhar para ver que eu sou do Sul.

Minha vida de campo!

livingonfarm.blogspot.com/
            

E quando pessoas de cultura opinam e se fazem presentes tenho que abrir um grande espaço, que com prazer o faço, pois a intenção de meu blogue e servir para expor não só as minhas ideias e pensamento como compartilhar outras ideias e pensamentos. Por isto está sempre aberto e a disposição de todos.


Costumo escrever muito sobre a cultura Gaúcha e procurar dar o verdadeiro sentido das palavras usuais, principalmente na Campanha, Fronteira Oeste e Missões, terra dos Gaúchos Rio-grandenses e do Norte, Nordeste e Litoral do Estado, a terra dos Birivas, que são partes históricas de minha República do Rio Grande do Sul, como, em constantes viagens pelo Uruguai e Argentina conhecer novos termos e aprender também com los Gauchos (Gáutchos), hermanos de misma sangre.


                              Sou do Sul!



Voltando aos termos pampeanos, che, tche, china e não esquecendo de tantos outros como piá, que quer dizer coração, mas que pelo uso tornou-se menino, quera (cuéra, maldito acordo ortográfico que tirou o trema), alcaide, bacudo, bateclô, muitos de origem dos povos pré-colombianos e outros surgidos do gênio criativo da querência, lembramos que alguns caborteiros metidos a entendidos, malevas e sem cultura crioula dizem que Tche vem da palavra celeste (Tcheleste), não sei de onde o alcaide tirou essa bobagem, só pode ser coisa de igrejeiro e ficam dizendo e escrevendo asneiras que não entendem, num puro e asqueroso achismo. Isto é não conhecer as línguas pampeanas que são a origem do Gauchês, este amalgama que entreverou as línguas charrua, minuano e outras com o idioma espanhol e por último a língua portuguesa vinda principalmente dos Açores.

Lembrando que o português conforme conhecemos hoje, língua oficial de Portugal, do Brasil e de outros países, surgiu dentro da Espanha, e da Espanha, da Província de Galicia, na época Reino de Galiza, espraiou-se para Portugal atingindo até o Algarve, e de Portugal para o mundo.


O Gauchês, é este dialeto que uma minoria na própria República do Rio Grande do Sul conhece e domina, Gaúchos e Birivas, já que grande parte de nossa República tem italianos, alemães, negros, mestiços e outros. Também vamos encontrar principalmente na Grande Porto Alegre muitos queras (cuéras) sem pedigree que falam e se comportam conforme a televisão vai mostrando aquele jeito nojento de falar todo chiado. Papagaios que imitam as afetações de gente que fala diferente de nós Gaúchos, e o pior, andam até imitando o que faz aquela gente de “comunidade”, caminhando todo se balançando feito joão-bobo, sem camisa e de chinelos de dedo. Coisa asquerosa, nojenta, e bagaceira.

Vá te danar, alcaide “fazido”.

Outrossim se fosse TCHE de Tcheleste, estaria espraiada por toda a América Ibérica, principalmente a espanhola, entretanto somente vamos encontrar essa expressão nas áreas antes ocupadas pelos índios pampeanos e ao rededor. O termo TCHE é muito usado nas Repúblicas do Uruguai, da Argentina e na do Rio Grande do Sul. Vamos encontrar em menor número esta expressão em Santa Catarina, devido a proximidade, mas e principalmente nas áreas desbravadas por rio-grandenses como aconteceu também no Paraná, no Mato Grasso do Sul, mas hoje quase inexistente.

Portanto para os alcaides metidos a besta, o termo Che que os "castelhanos" pronunciam Tche vai surgir o Tche aportuguesado, procede de línguas pampeanas e quer dizer "meu" e ponto.

Ina, de mesma procedência quer dizer amiga e companheira donde vem CHINA, de CHÊ+INA.

Devemos botar tento no que esses restaqueras charlam para evitar sair por aí repetindo como caturrita o que os alcaides inventam.

Contestar isto é contestar nosso maior historiador, Barbosa Lessa.


Selecionei de Jayme Caetano Braun, estes dois retalhos de sua têmpera crioula que fala sobre a CHINA, essa presença tão marcante nas charlas dos colas-finas e dos bacudos, e que os guris, mais sestrosos do que peru pisando no trevo também, meio sem jeito, querem na prosa entrar, mais ficam meio desquarteados quando os mais velhos e matreiros os isolam só no olhar.

...
Dei de mão numa tiangaça
Que me cruzou no costado
E já sai entreverado
Entre a poeira e a fumaça,
Oigalé china lindaça,
Morena de toda a crina,
Dessas da venta brasina,
Com cheiro de lechiguana
Que quando ergue uma pestana
Até a noite se ilumina.
...
E a china - eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande - por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou - talvez - nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas - que se banha nua
No espelho das aguadas!
...
PS.
Por finalmente, não posso deixar passar batido tirando cancha, pois para esses tramposos não se pode dar luz, tenho mais uma informação que de vereda hoje demanhezita me cutucou na moringa já de gadelhas brancas.

A palavra Che, pronunciada “Tche” só é falada pelos castelhanos, porque o C+H forma este meio “T” de cuchara, (colher) cuchillo (faca), chicharo (ervilha) chimenea (chaminé ou lareira), lechuga (alface), lechuza (coruja) ou seja, pronuncia-se: cutchara – cutchijo – tchitcharo – tchimenea - letchuga - Letchuça.

Jamais o “C” solito, sem o “h” é assim pronunciado como no caso “celeste”, lembrando que o italiano pronunciam o “C” solito desta maneira, pero os italianos só chegaram à América do Sul no estertor do Século XIX, quando o Gauchês já rolava folheirito pela querência, que nem potro solto no campo.

Portanto, de vereda já dou um cimbronaço nesses malevas que acham que sabem e vão como estrupícios inventando um monte de charlas que nada tem com o meu povo formado de tauras e taitas que é o Gaúcho.

Fico abichornado(*) e tapado de nojo desses maulas.

E lá me vou campo a fora tapado de quero-quero.

E sirvam nossas façanhas 
de modelo a toda Terra.

(*) Abichornado: Triste, aniquilado, acabrunhado, sem forças, vem do estado      
      doentio do alimal (animal) que está com bicheira. Aborrecido.

2 comentários:

  1. Que bela aula, e que orgulho de ser gaúcha. Já enviei pra toda família e amigos. Meus irmãos vão enlouquecer com seu post. Esse é um orgulhos que ninguém toma de nós, esse linguajar que nos une e nos torna tão especial. Ontem começou a rodeio de Osório, nós trabalhamos a muitos anos nesse rodeio e vemos que a cada ano aumenta o amor dos jovens pelos nosso costumes e tradições.
    Um abração e um beijo para sua linda esposa.

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  2. Olá caríssima Anajá.
    Inicio agradecendo o abração e o beijo enviado à Sandra que retribui o carinho.
    Quanto ao que escrevi, fiquei muito feliz que tenhas gostado, sou um amante das coisas de minha terra, mas infelizmente muitos dos nossos enveredam para o lado da anticultura, levados pelo que mostram nossas redes de TV, que não dão o devido espaço às coisas do Rio Grande, pois odeiam o nosso sotaque e mostram apenas a afetação dos que falam chiando. Dá nojo de assistir certos programas e novelas onde os atores são verdadeira chaleiras chiando afetados e forçadamente. Pura e ostensiva frescura de gente sem pedigree.
    Gostei que tenhas gostado.
    Um respeitoso abraço, carregado de emoção e carinho.
    A todos os teus muita saúde e paz.
    Prof. Pedro

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