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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mocotó.



Mocotó.  Êba! Êba!

Ontem tive um compromisso bárbaro em Gravataí.

Fiz um mocotó para 50 pessoas.

Mas bah! Foi de colar os beiços.


                        Até o vovô Manequinha estava neste mocotó.

Tal mocotó foi feito durante a semana em meu apartamento em Canoas e montado e servido na casa do Dom Toninho, sogro do meu guri mais novo, o Fábio, em Gravataí, e reuniu a família de minha nora, a linda Grasiela, e alguns amigos mais chegados.


                        Aqui estou com Milton e Dom Toninho.

Porém muitos, neste Brasilzão e no mundo, não sabem, pois não conhecem essa comida meio selvagem, inventada aqui no Brasil e consumido nas zonas mais frias, principalmente no Rio Grande do Sul.

Há uma comida similar no Uruguai, porém é feita com partes do porco, como o rabinho, focinho, pele, toucinho, patas e outras partes mais carregadas em gorduras, a qual eles, os “orientales” chamam de “buceca”.

Eu disse bu-ce-ca.


O nosso tradicional mocotó rio-grandense leva entre outras coisas o mondongo, tripa, úbere, e coisa e tal.

Porém o mocotó que eu faço, é o mocotó desenvolvido por Dom Floribal Farias Teixeira, meu pai, que tirou fora a tripa e o úbere e outras coisinhas indigestas, ao qual dei uma incrementada à minha moda.

No meu mocotó (Mocodrito – Mocotó do Pedrito) ponho como ingredientes o seguinte:
               
- patas (do boi ou da vaca, pois tu não vais saber a quem pertencia).
- Mondongo.
- linguiça de porco fina.
- linguiça calabresa fina.
- linguiça calabresa grossa.
- bacon ou beicom.
- paio.
- costelinhas de porco defumadas.
- feijão branco de boníssima qualidade.
- cebola.
- Alho.
- Azeitonas.
- extrato de tomate.
- sal.
- pimenta.
- ovos cozidos e picados com um garfo.
- tempero verde ou cheiro verde bem picado.
- e alguns segredinhos. Cada um tem os seus.

Lembrando que os ovos e o tempero verde devem ser servidos à mesa para que cada participante os utilize ou não, conforme o seu gosto.

Modus operandis:

A primeira coisa a se fazer e cozinhar as patas, já serradas, depois de bem lavadas até desmanchar todas as cartilagens.


Os ossos devem ficar limpinhos de dar gosto, e para evitar qualquer ossinho (falanges) eu passo todo aquele líquido numa peneira. Esse líquido é o colágeno (gelatina). Deixo esfriar um pouco e com uma colher grande tiro toda a gordura amarela que fica boiando sobre este cozimento. Livro assim que as pessoas que vão ser servidas ingerirem gordura prejudicial à saúde.

Esse líquido esbranquiçado volta para o fogo para apurar evaporando-se assim parte da água que fará apenas volume.

Coloco em recipientes próprios e levo ao freezer (ou frízer) para congelar. Se levado apenas a geladeira ele vai solidificar e ficará como gelatina. Porém se for utilizada somente depois de 48 horas, ou meses, deve ser bem congelado.

O próximo passo e o cozimento do mondongo.

Compro sempre o mondongo fatiado e limpo, porém em casa lavo mais duas ou três vezes, corto as fatias em pedaços menores de mais ou menos 6 centímetros  (6X1) momento em que vou tirando toda a gordura que possa e as levo para o cozimento em uma enorme panela, por uma hora de fervura. Desligo o fogo e deixo a panela tampada aonde o mondongo vai esfriando e completando o cozimento naquela própria água.


                        Bacon ou beicom já devidamente frito.

Após uma hora ligo novamente o fogo até levantar a fervura por mais uma hora, quando vou então examinar o mondongo para ver se está bem cozido, geralmente não haverá a necessidade de mais cozimento, deixando-o então na panela até esfriar.

O mondongo fatiado, coloco em caixas grande próprias para alimentos.

A água do cozimento do mondongo, uma água escura, muitos hão de pensar que é impura. Não, essa água é o colágeno extraído do mondongo. Essa água deve ser apurada, ou seja, bem fervida para evaporação da água ao máximo e depois, ainda quente, derramada sobre esse mondongo nas caixas. Ao resfriar na geladeira vai solidificar, ficando um tijolão de fatias de mondongo e gelatina.

Lembrando que gelatina é um excelente alimento.

O resto da gororoba fica para o dia da festa.

No dia da comilança:



Mui cedo ponho as panelas no fogo com água para ferver e vou colocando os tijolões de mondongo com sua gelatina, e vou acrescentando o colágeno congelado (gelatina) das patas nas panelas. Observando as mesmas quantidades por panelas.

Enquanto essa maravilha vai aquecendo e desmanchando aproveito para cortar as linguiças, o paio e o bacon, que deve sofrer uma rápida fritura antes de ir para a mistura. A gordura que soltou do bacon deve ser descartada. Evite derramar na pia para evitar problemas no encanamento e poluição dos rios. (mocotó também é ecologia).

Quando levantar a fervura comece a colocar os ingredientes na panela, o feijão branco será o penúltimo.

Tipos de corte:

                     Paio em cubos e calabresa grosa em meia-lua.

A calabresa grossa. Tiro a pele e corto ao meio no sentido longitudinal e depois em meia-lua de mais ou menos um centímetros de espessura.




A calabresa fina. Corto com mais ou menos um centímetro de espessura, para mais e não para menos.
 
A linguiça de porco fina deve ser cortada com no mínimo três centímetros.


O paio, após tirar a pele deve ser cortado em cubos, ou seja, corte longitudinalmente em cruz e após faça os cubos de mais ou menos um centímetro de espessura.

O bacon, antes de fritá-lo ligeiramente deve ser cortado em pedaços finos e pequenos.

A costelinha de porco deve ser desossada e cortada em cubos de mais ou menos três centímetros.

Tudo jogado na panela é ora de colocar as cebolas e o alho no cozimento, porém essas cebolas e o alho devem ser passados no liquidificador, pois tem muitos alcaides que não gostam de ver cebola nem alho, assim eles dão o gosto espetacular ao mocotó e não são vistos pelos frescos.


O feijão é a penúltima coisa que deve ira para a panela, e quanto estiver ao dente, coloque as azeitonas a gosto. Complete o cozimento do feijão e é só dar o sinal que a indiada correrá desesperada com os seus pratos para a volta das panelas e vai ser aquele bochincho.

E dê-lhe mocotó.



Para aqueles que são meio lerdos eu aconselho a deixar tudo de véspera cortado e separado em recipientes próprios para no momento de entreverar as coisas, o quera não se perder ou cortar um dedo.

Uma dica quanto a extrato de tomate: Tu deves colocar uma quantidade de extrato de tomate que não fique aquela coisa pálida, meio rosinha, coisa de veadinho, nem tampouco aquela coisa vermelha como molho de gringo. Horrível.


Tu deves dar uma coloração meio baguala, porém sem exageros, nem para mais nem para menos.

Ô tiazinha! Não vá servir mocotó com arroz. Não combina.


Mocotó e bom com pão e vinho. Mas tem que ser vinho tinto seco e não vinho docinho cheio de fru-fru!

Toma tenência, tche! Tomando vinhozinho doce.

Só falta agora comeres mocotó de perninha cruzada e com um lencinho no colo.

Que barbaridade! 

E só para barbarizar, olhe só como fica este mocotó depois de passar apenas alguns minutos na geladeira. Para ficar assim não precisa nem ir ao freezer, basta gelar. Agora se quiseres guardar por mais tempo, aí sim, leve ao freezer.










19 comentários:

  1. Valeu, professor!
    Bela receita de mocotó para um paulista, neófito na cozinha gaúcha.
    Forte abraço.

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  2. Olá caríssimo bandeirante Brubaker.
    Fico imensamente honrado com a visita do caríssimo Paulista, que modestamente se diz um neófito, mas que pode nos surpreender como um excelente doutor na arte culinária. Para deixar o amigo com vontade de comer um Mocotó sulista, estou novamente preparando um baita mocotó que será servido na casa de meu filho Fábio, em Gravataí, neste próximo domingo, desta vez para uns 30 viventes.
    Mas bah! Vai ser de engraxar os bigodes.
    Um grande abraço, do Rio Grande para São Paulo, Estado que tanto admiro.
    Que tenhas um belíssimo fim de semana que se aproxima, com muita saúde e paz.
    Prof. Pedro

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  3. Pedro, eu estou rindo aqui, sentadinha na minha cadeira kkkkkkk e o pior, sem poder rir, porque de tão costurada que está um lado da minha boca, pelos enxertos que tu já sabes kkkkkkkk
    Eu também tenho uma relação com a comida como tu, assim mais para um lado rústico. Essa é a cozinha que eu vibro e amo! As tuas palavras, ao descrever a cor do mocotó, são perfeitas! Tudo tem o equilíbrio certo. E mais, não combina com arroz, bravo! E como estou de acordo! Que mundinho mais chato este de tudo ter que comer com arroz, sem gosto, parecendo uns grãos escorridos sem personalidade. Salve, salve o pão, que é o cônjuge perfeito para estes cozidos. E o vinho, o sacerdote que celebra a perfeição deste matrimônio. SECO!
    Que belo aspecto, salivei do lado de cá. Uma comida de respeito, como sempre digo! Parabéns pela 'opera d'arte'.
    Outra coisa, também gosto de que os verdes frescos e os ovos picados, sejam agregados ao cozido, já no prato, individualmente. Os verdes parecem vivos, com alma e os ovos, pronunciados na boca! Mammamia!

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    1. Maria Glória, boa noite caríssima amiga.
      Mas bah! Não poder rir?
      É mesmo, estás com os enxertos ainda em processo de cicatrização. Não faz mal, rir como disse em outra resposta é o melhor remédio.
      Realmente, há alimentos que não combinam com o branquinho, porém outros se não forem acompanhados de arroz, não tem graça. Semana passada eu fiz uns belos bifes, mais de quilo e meio de fígado bovino, acebolado, ao ponto. Neste caso o arroz é essencial e foi feito pela filha Monica que veio almoçar aqui em casa. Também gosto muito de bifes de fígado acebolado, mas é à moda galponeira, num vu. (rapidamente).
      Mas o mocotó tem que ser com o pão francês.
      Pão francês, mas que barbaridade! KKKK
      Buenas, é que aqui no Rio Grande chamamos este tal pão francês de “cacete” ou “cacetinho” e um vinho tinto seco é de fazer um taura ficar mais abichornado do que jaguara desguritado. (é de fazer um homem forte e valente ficar mais triste do que cachorro sem abrigo). Depois de comer um mocotó chega a dar uma tristeza. Que coisa bem boa.
      Concordo em gênero, número e grau. Ovos e temperos verdes, devem ser servidos a mesa, pois tem muito vivente que não gosta.
      Como foi bom este bate papo com tão especial amiga de São Paulo e espero que outros venhamos a manter.
      Bons dias vindouros e que logo estejas bem, não só para rir, mas para gargalhar.
      Um grande e fraterno abraço.

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    2. Fígado acebolado também adoro, marido então! Com um bom azeite e um raminho de alecrim, para perfumar as cebolas. Simples, perfumadíssimo e reconfortante. Também concordo que neste caso, um arroz branquinho faz um belo par. Mas, um pedaço de pão, para passar na raspa da panela e juntar as sobrinhas de cebola e azeite, eu jamais esqueço. E se for um bom naco de pão italiano, é coisa para ritual. Na minha família era caso até de briga kkkkk lembro bem deste ritual na casa dos meus pais. Uma briga gostosa, que terminava em risadas e hoje, em boas lembranças.

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    3. Chego a sentir o aroma dos bifes de fígado. Frito os meus bifes, grandes e grossos em uma panela tipo chinesa, porém bem antes, uma hora antes, corto a cebola, ou cebolas em tiras grossas, desmancho as camadas e levo para o freezer. Depois de fritar rapidamente os bifes, retiro-os da "panela" e ali, naquela pouca gordura e um restinho do suco que soltou, ponho as cebolas congeladas. Elas fritam mas permanecem ao dente, muito bom. E tudo é muito rápido. Depois vou entremeando em uma travessa as camadas de bifes e cebolas. Nossa! Fica bagual de bom.
      Minha filha Monica e Sandrinha adoram os meu bifes.
      Chegou a me dar fome.

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    4. Não conhecia a técnica de congelar a cebola em fatias. Vou ter que fazer, gosto de conhecer novas técnicas.
      E que sorte da Monica e da Sandrinha! Aproveito para desejar a toda família muitas felicidades.

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    5. Olá Maria Glória.
      Sabendo-se que a cebola ao ser frita, fica meio mole, quase um mingau. Congelando e fritando rapidamente ela conserva (+ ou -) suas característica. Fica ao dente e perde a acidez. Para tal uso a panela chinesa, quase uma bacia e aí com rapidez as cebolas ficam lindas e gostosas.
      Obrigado pelo carinho à minha família, o retribuo com muita alegria.

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    6. A tal panela chinesa, tão antiga, útil e simples, que por aqui chamamos de 'wok' e são caras (a tal era das gourmetização, que eu detesto, para não dizer: odeio kkkk) eu uso e gosto, muito! Deixa os legumes crocantes, uma beleza!

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    7. Como viste na quarta foto a minha Wok está sempre presente. Não tem coisa melhor para cozinhar, fritar e fazer doces, principalmente a bananada, com açúcar mascavo e chocolate em pó. É ótima. Quando em vez faço uma massa com ervilha torta, cogumelos e cubos de galinha. Maravilha.

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    8. Conferi a foto da wok, como a minha, só que sem alças, tenho com cabo. São primas irmãs, meninas competentes! Ganhei do maridex, comprada no Mercado Central de Belo Horizonte. Fiquei tão feliz!
      São ótimas sim para doces, também gosto de massas fazer com elas, por exemplo, o pobrinho, porém perfumado e escandaloso de delicioso, espaguete ao alho e azeite (aglio e olio) com farinha de rosca caseira (nada fina, grão bem preservado e tostado, na wok), muito cheiro verde crocante e aliche (as tais anchovas italianas). Porque para nós são caras essas meninas anchovas, mas na Itália, é comida 'povera' (comida de pobre, são baratas demais). E por lá, na Itália, se come este espaguete sem queijo parmesão ralado até hoje. Na época de guerra, da pobreza, o queijo era caro, a farinha de rosca era a substituta. É usada na confecção do prato e não depois, como o queijo. É um manjar do Olimpo, com certeza tu conheces e faz muito bem. E essa tal comida 'povera' eu adoro, feita de momento, com o que se tem em casa, sem muito de receita, sabe? Tipo o tal arroz de vocês, ai chamado de china, é assim, não? Sempre faço e acho que vai ser o jantar de hoje, porque depois do feriado, vale uma 'catança' na geladeira kkkkk.
      Em São Paulo, esse arroz é chamado de arroz de puta pobre, se tem linguiça, é de puta rica e se tem camarão e/ou sobrinha de peixe, é de puta milionária. Desculpe o trocadilho, mas já faz parte da cultura paulista este arroz. Aqui se faz assim, em muitas casas: frita-se alguns ovos em boa gordura, quase firmes e meio mexidos, depois junta-se o que se tem de sobra na geladeira, temperos, segredos... aprendi com uma cara amiga, que após misturar tudo, junta-se também uma ou duas colheres da tal farinha de rosca caseira, serve para agregar tudo e dar boa liga, sem tanto grude. Esse tem sido o meu modo de fazer. Tens dicas para esta delicia de arroz, talvez uma postagem? Gostaria de saber.
      Outro abraço do Sampa!

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    9. Maria Gloria.
      Prazer imenso.
      Caríssima, minha wok foi comprada aqui em Canoas mesmo, foi um lançamento, tanto que substituíram as alças de aço, por alças que não esquentam, pois a minha há de se ter cuidado, usar uma luva ou pano para poder manusear. Queimam os dedos. Porém mesmo assim adora usá-la para quase tudo, pois é excelente. Sandrinha tem um similar com cabo, porém é pesada e não dá a mesma praticidade. Uso a Wok inclusive para tostar a farinha de mandioca ou fazer a famosa farofa que leva ovo e banana. Fica muito boa. Outrossim essa wok é boa para fazer o "kisoborô". Não, não é uma comida japonesa e sim o "que sobrou", que na Campanha era chamado de roupa-velha, ou seja, é a catança do que sobrou do almoço, se faz tudo junto nesta mesma panela. Massa, arroz, feijão, refogado e alguma salada, um pouco de farinha de mandioca e um generosíssimo fio de azeite. Fica bagual de bom. Quanto ao arroz de China: Na verdade serve aqui uma explicação. China, para nós Gaúchos que dizer mulher. Ou seja, provém das palavras Charruas Tche ou Che, que quer dizer meu ou minha. Iná quer dizer companheira, amiga ou mulher. Donde surgiu o termo China. Com o tempo, e não todos, passou pelo uso e costume errado a identificar meretriz. Ou seja, o verdadeiro nome é Arroz de China Pobre, porém o verdadeiro nome seria Arroz de Puta Pobre ou Arroz de China Pobre.Não temos aqui essas variante de rica ou milionária. Como tradicionalista das antigas uso corretamente o termo China para identificar uma mulher. Pode ser uma amiga, mãe, avó ou esposa. Citei em algum comentário para a amiga Anajá o costume familiar, como. - "Fui visitar a vovó Bibira" (apelido de minha saudosa avó), e quando em casa me perguntavam como ela estava, eu respondia: "A China velha está faceira barbaridade, vendendo saúde". Porém muitos, erradamente usam para identificar as "meninas de vida fácil". Não concordo com esta variante e sim uso-o para identificar uma mulher, mesmo que honesta. A palavra que muito usamos é o Tche, como expliquei, quer dizer "Meu". Tche "iru" (irú), donde veio a palava xiru, que quer dizer companheiro, amigo, que passou a identificar um índio. Coisa deste meu Rio Grande do Sul. Os verdadeiro Gaúchos são frutos do amálgama Charrua, Ibérico (notadamente o espanhol e Minuano, e são encontrados principalmente na Campanha, Fronteira Oeste e Missões, Uruguai e Argentina. Já os Birivas é outro tipo humano, surgido do amálgama Guarani (kaingangue) e português, encontrados no Planalto, Norte e Nordeste do Estado e no Litoral nordeste. Então o nome correto deste arroz, arroz simples cozido com nacos de linguiça é Arroz de Puta Pobre, mas aceita ser chamado de Arroz de China Pobre. O arroz de china pobre é simples e rápido de fazer. Frita-se rapidamente a linguiça,se ficou muito gordura, tire um pouco e ali mesmo podes fritar um ou dois dentes de alho e uma cebola cortada em cubinhos (se tiveres, pois não é necessário), despeje o arroz e vá fritando coloque a água, pode ser fria ou fervente e por derradeiro coloque o tempero verde picado, dê uma mexida rápida e deixe a panela tampada fora do fogo por alguns minutos. E depois é um abraço. Fica macanudo barbaridade. (macanudo vem da palavra bacana, bacanudo, macanudo) muito usado, principalmente na Argentina e quer dizer bacana, bom, excelente.
      Cara amiga, um grande abraço.

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    10. Olá Pedro, boa tarde! Tudo bem, você e a Sandrinha? Ontem foi dia de arrumação aqui em casa, de por tudo em ordem, nem passei pelo meu computador. Mas agora, já aberto, começo por responder ao teu comentário.
      Mais uma que conheci, o "kisoborô", das comidas rústicas que me agradam.
      Eu nada sabia sobre o modo certo da palavra china. O que sabemos aqui é com outra definição, como pode perceber pelo meu comentário. Foi uma conversa excelente! Eu agradeço, pela tão gentil e completa explicação. Nada como sair da ignorância, ter conhecimento, acima de tudo consciência do assunto. Entendi, está errado a identificação com meretriz. Li mais de uma vez a tua resposta. Como sempre rica de informação.
      Sobre as classificações de pobre, rica e milionária por aqui, isso, no meu entendimento, aconteceu por conta do mundo dos blogs de gastronomia. Muitos acabam inventado mais definições, mas sem antes conferir. Isso não é certo, tens razão. Admiro o teu carinho e respeito pelas tradições. Eu também gosto, dou muito valor.
      Sabe, que esta mesma situação, vejo ocorrendo com a cultura do imigrante italiano no Brasil (eu me refiro aos de São Paulo) com a cultura italiana, aquela da Itália. Mas muito forte na gastronomia. É tudo muito diferente! A comida do imigrante italiano quase nada pode ser identificada com a comida que se come na Itália. E muitos imigrantes, chegam na Itália, achando que vão comer da mesma maneira, que aprendeu com seus antepassados, imigrantes italianos, que chegaram em um pais que nada tinha (e ainda não tem) para construir o verdadeiro banquete italiano, que é simples, especialmente, se for perfumado com ares mediterrâneos. Tanta simplicidade, que termina por ser requintado, sei que me entende. Aqui comemos espaguete ao fruto do mar com muito queijo, lá é sacrilégio. Comida (fazer e comer) é como se fosse uma religião. Se você junta queijo ralado ao que vem do mar, é como se você estivesse alterando a reza do rosário, sem respeito às tradições, porque queijo e mar não faz bom matrimônio de sabores, na Itália. Nos restaurantes, se o pedido for proveniente do mar, nem o queijo vem à mesa, simples assim. E já vi gente dizer que quando esteve na Itália, achou que o país estava em crise, porque nem queijo ralado veio à mesa, sem saber dos detalhes que fazem toda a diferença de uma história gastronômica, patrimônio da humanidade, com são todas. Muito obrigado pela sua detalhada explicação.
      Conheço a Anajá, visito o seu blog e gosto.
      Um abração!

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    11. Olá Maria Glória, Boa Tarde!Neste momento aí em São Paulo a noite já deve ter chegado, mas ainda aqui está claro, porém menos do que devia, pois nuvens carregadas encobrem o céu azul do meu Rio Grande do Sul. Quando se trata da cultura Gaúcha em me estendo, pois o faço no entendimento que há no Rio Grande do Sul culturas diferentes, como costumo dizer "Nem todo o Gaúcho é Rio-grandense assim como nem todo o Rio-grandense é Gaúcho. E nisto eu em bato o pé. Pois há Gaúchos na Argentina, inclusive na Patagônia, no Uruguai e também no RS. Porém há no RS, outros povos não Gaúchos, como italianos, alemães, árabes, judeus, afrodescendentes, russos, sendo que os alemães daqui, em sua maioria são Pomeranos, assim como os italianos que temos aqui são do norte da Itália, para mim diferentes dos de São Paulo. Ou será que estou errado? Para te dar um exemplo, na Grande Porto Alegre há um paisano de cada pelo. Ou seja a um homem ou mulher de cada etnia, que se entreveram nesta cidade, cuja maioria sequer entende o Gauchês. Como minhas vertentes são pampeanas, pois sou gaúcho por quatro costados, gosto e admiro nossa cultura. Nossa músicas, nossas danças e sobretudo nossa mesa, campeira por origem, não tão rica, mas farta. A carne é a comida do Gaúcho, uma coisa até meio selvagem, carne gorda e quase crua. Porém digo e disto tenho convicção, a comida italiana é a mais gostosa a tal ponto que os restaurantes do Sul, em sua maioria são de"oriundi", mesmo as churrascarias. Realmente frutos do mar não combinam com o queijo. Por sinal amanhã pretendo fazer um espaguete, sem espaguete, com ervilhas tortas e cogumelos. Vejas bem farei um espaguete que não é misturado, amassado e cortado e sim "colhido". Inventei, fiz, gostei e amanhã repetirei o prato.
      Hoje, passei a tarde solito, pois sexta-feira é o dia das meninas e sempre neste dia Sandrinha e Monica saem juntas para almoçar e ir fazer pés, mãos e cabelos, depois vão passear no Shopping e voltam à noitinha.
      Um abraço e um bom final de semana. Mas conversaremos no decorrer;

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  4. Respondendo à sua pergunta, está certo sobre os italianos de São Paulo. Temos também imigrantes do norte, eu mesma sou de origem italiana pelos quatro nonnos. Dois são do norte e os outros dois, do sul. A maioria é do sul aqui, são da região da campanha, calábria, muito siciliano. As comidas são fortes, tipo rústicas. Massas feitas à mão, com ragù de carnes gordas, de porco. Hoje menos, cuida-se um pouco mais da saúde neste aspecto, mas um bom ragù tem que ser gordo e de consistência, com um bom tinto seco, para dar gosto no molho. Outras carnes entram no preparado, também.
    Eu aprecio churrasco com carne gorda e ao ponto, para menos. Difícil encontrar boa carne por aqui, as boas são as provenientes da Argentina, Uruguai que eu adoro. São muito caras. Já tenho visto ótimas carnes provenientes da Austrália e do Japão, mas é um mundo muito 'gourmetizado', que em nada me agrada. Um prato tão bem enfeitadinho, que perco o apetite. Cheio de risquinhos de molhos para justificar o precinho exorbitante. Não gosto e não pago.
    Eu e o marido adoramos Buenos Aires. E lá, gostamos de comer em bodegones, rústicos, simples, sem frescuras, muita gente falando, boa e farta comida, bebida, acompanhamentos. E sobretudo, a carne sempre no ponto que gostamos e sem precisar explicar. Sinto que assim é também, no Rio Grande do Sul.
    Boa noite Pedro.

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    1. Olá Maria Glória.
      Essa diferença que notava entre a maioria dos italianos de SP. para os italianos do Rio Grande é marcante, por sinal o dialeto que se fala aqui pelos italianos, principalmente na Serra nada tem a ver com o verdadeiro italiano, pois muitas palavras foram inventadas aqui e são totalmente desconhecidas na Itália. Por sinal, também os alemães aqui do sul, falam dialetos que há muito tempo desapareceram na Europa e são fonte de estudos por linguistas alemães que recorrem às colônias alemãs do sul do Brasil para estudarem esses dialetos. Coisas deste nosso mundo cheio de meandros.
      Quanto as carnes. Não conheço as carnes australianas, porém sei que o Japão produz quase nada de carne bovina e são caríssimas, falta-lhes espaço, já as carnes argentinas e uruguaias, semelhantes às nossa carnes produzidas tanto na Campanha como na Fronteira Oeste, são deliciosas, frequentemente vamos à Argentina ou ao Uruguai a carne é sempre o prato esperado. Também adoramos Buenos Aires, la Reina del Plata, e gostamos de ir a cafés, principalmente ao La Biela, em la Recoleta, é um lugar aprazível e serve bem. Fomos a um Restaurante em Puerto Madero,chamado Siga la Vaca, por recomendação de um amigo, foi uma decepção. Já as carnes do RS são bem diferentes das encontradas no Brasil Central, Norte e Nordeste. Principalmente as produzidas como disse na Campanha e na Fronteira Oeste. Muitas áreas do Planalto Rio-grandense, tradicionalmente produtoras de carnes, hoje abandonaram a pecuária e se dedicam quase que exclusivamente a produção de grão.
      Caríssima. Tenhas uma noite maravilhosa e um bom fim de semana.

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    2. PS. Aqui entre a gauchada nos chamamos um prato com massa e carne de "engasga gato" KKK. Pode ser carne de boi, de porco ou de galinha o nome é o mesmo.
      Boa noite.

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    3. O café La Biela eu conheço e gosto, muito agradável. Também adoro as pizzas e as fugazzetas de BA. Gostamos de ficar hospedados na Recoleta, quando lá estamos. Fácil para caminhar, sentimos segurança. Andamos cerca de 10 km por dia em Buenos Aires. Até emagreço kkkk.
      O Siga la Vaca me foi igualmente recomendado, na primeira vez que estive em BA, mas pesquisei no google e eram muitos os comentários negativos. Nunca fui. Gostamos de ir a bodegones especialmente em San Telmo, o Desnivel, fica muito perto do mercado.

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    4. Olá caríssima Maria Glória.
      Buenos Aires é um sonho, apesar dos tropeços da pobre Argentina que amarga momentos difíceis, como vimos em Buenos Aires, milhares de pessoas pelas ruas, principalmente em La Boca. A avó paterna de Sandrinha, Doña Maria Dolores de los Santos Haoys, era da Argentina, Concórdia, aonde Sandrinha ainda tem muitos primos. Adoramos viajar pela Argentina, conforme publicações de 1 e 3 de agosto de 2012 com o título Buenos Aires la Reina del Plata, parte 1 e 2. Andamos pela Feira de San Telmo, é um espetáculo, já o Siga la Vaga é uma decepção. Saíamos à noite e entravamos às madrugadas por bares, cafés ou em las calles passeando. Em uma madrugada encontramos perto do Obelisco, um senhor Senegalês, vendendo bonés e pañuelos (lenços) e fiquei por alguns bons minutos conversando com ele, exercitando o meu francês meio esquecido, porém nos entendemos. Pretendemos qualquer momento voltar à Reina del Plata. Abraços.

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