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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Os Peros


Para entendermos a História do Brasil não basta ler diversos livros, até mesmo fazer uma Faculdade de História e depois se quiser pós graduar-se em um assunto específico, fazer um mestrado, um doutorado ou mesmo um pós-doutorado.

Porém nada disto adiantará se coisinhas pequenas escaparem de nosso entendimento, coisa comum de acontecer, mas aí podemos cair na vala comum do “eu acho”, o chamado "achismo", lembrando que isto acontece em todos os ramos do conhecimento.

E para não cair na incerteza vamos começar pelo termo “pero”.

Afinal de contas o que isto quer dizer ou o que isto significa.

Para tal vamos recorrer ao dicionário espanhol ou português de Portugal, já que nos nossos dicionários pode aparecer a palavra “pêro”, cuja definição é o fruto da pereira ou pera:

Porém o termo Pero, cuja pronúncia é pêro, é uma palavra de origem ibérica que significa “mas”, porém, entretanto, todavia.

Lembrando que a língua portuguesa surgiu dentro da hoje Espanha, já que  Portugal é mais antigo que essa e foi o primeiro Estado Nacional, surgiu nossa língua na Região da Galícia ou na época o Reino da Galiza, ao norte de Portugal, e que foi com o tempo rumando para o sul até chegar ao Algarve, perfazendo todo o Portugal e daí para o mundo.

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                   Os portugueses falavam muito pior do que este exemplo

Ao chegarem ao Brasil, os primeiros exploradores e depois colonizadores portugueses a cada uma ou duas palavras introduziam o termo pero no meio.

Ex. Cortem essas árvores, pero não as queimem.
   Levem os galhos para suas casas, pero deixem os troncos.
   Este cão é muito grande, pero é manso.
   Eu sonho com aquela índia, pero ela é casada.
   Ela sonha comigo, pero o marido dela é muito forte e mau.


E de tanto falarem “pero isto", “pero aquilo", os indígenas brasileiros apelidaram os portugueses de “peros”.

Ex: Tu foste lá na casa daquele pero malvado?
    Fui, o pero estava bêbado e eu roubei esta gamela.
   Tu és louco, pois aquele pero vai ficar furioso.
   E hoje chegou mais um navio abarrotado de peros.

Com o tempo, assim como acontece com o alho porro (pôrro), que por total desconhecimento ou vergonha de falar porro, passaram a dizer e escrever erradamente alho poró. Livros de culinária, apresentadoras de televisão, revistas, supermercados e restaurantes escrevem alho poró achando que é o correto, surgiu com o tempo a palavra Peró, inclusive surgiu nome de uma praia e estabelecimento comerciais com esse nome.

Portanto a palavra pero, usada pelos índios do litoral carioca e paulista é uma alusão aos portugueses apelidados de peros. (mas).

Outrossim, aproveitando o gancho vamos ver a palavra “mas”.

Nos dicionários brasileiros vamos encontrar a seguinte explicação sobre esta palavra:

Mas, conj: Designa oposição ou restrição; s. m. obstáculo; embaraço; defeito: tudo tem seu mas; nem mas nem meio; nada de desculpas ou controvérsias. (do lat. magis)


Porém devemos lembrar que a palavra “mas” deve ser pronunciada como “más” e não como a maioria pronuncia principalmente no minha República do Rio Grande do Sul, mãs. Mãs não existe, ou isto “NON EKZISTE”, como diz o nosso conhecido, querido e folclórico Padre Quevedo, que pensa, mas pensa com inteligência e crítica fundamentada e não é desses cordeirinhos que acreditam em tudo como está no dito livro sagrado como sendo verdade.

Neste blogue já expliquei sobre o alho porro (pôrro), que foi motivo de adorno em bengalas. Ao esculpirem o alho porro nos punhos das bengalas, essas foram chamadas de porras, pois tinham um alho porro como ornamentação. Tanto que dar uma porrada é bater forte, bater com a porra (bengala).


Alho porro está dicionarizado em Aurélio e outros, e inclusive meu computador dá como errada a palavra poró. 

Poró é fruto da ignorância de milhões de iletrados e também de letrados sestrosos.

Com o tempo começaram a fazer uma analogia entre a bengala e o pênis e daí surgiu o termo porra para designar “sêmen”, esperma. (do latim “semen” o que já deveria estar aportuguesado para “sêmem”.

Notinha: até o século XVII, os colonizadores portugueses em sua maioria não falavam, urravam e nada seria hoje compreendido, eram extremamente grosseiros e iletrados.

No século XII os textos eram escritos por uma reduzida parcela em latim bárbaro e apenas em documentos.

Somente no Século XVI haverá a separação do português e do galego e vai começar a uniformização da língua portuguesa em Portugal, quando vai surgir o dito português moderno, e mesmo após Camões e a Gramática e linguagem portuguesa do Padre Fernão de Oliveira, custou muito tempo para começarem a falar e escrever mais “corretamente” o português, A obra do Padre Fernão. chamava-se “Grammatica de Lingoagem Portuguesa” (1536).


Obviamente os idiomas não são estáticos e com o tempo sofrem profundas modificações. Ou achas que em cem anos o nosso idioma será o mesmo de Portugal. Pura ilusão, pois hoje livros de autores brasileiros são traduzidos para o português de Portugal e de portugueses são traduzidos para o Brasil, assim como filmes portugueses são dublados ou legendados, assim como entrevistas.

Finalizando. Nada foi mais desastroso e sem sentido, uma verdadeira perda de tempo o tal Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Pura bobagem de quem tem tempo para desperdiçar com bobagens que mais complicaram do que facilitaram. Se o português já era difícil com o trema, imaginem sem ele. O que levará em breve lapso as pessoas falarem trankilo, entre outras palavas que levavam o trema. 

E todas as demais modificações efetuadas só prejudicaram a nós, que somos hoje mais de 200 milhões que falam o “BRASILÊS” ou brasileiro, e tivemos que, como sempre, curvar-se diante dos estrangeiros. Ora bolas, os outros, que são minoria incontestável se quisessem, se adaptassem ao nosso modo de falar.

Os próprios portugueses dizem que nós falamos o "brasilairo".

Vá a Lisboa e tente entender um português falando, é mais fácil entender um espanhol de Madrid do que um português de Lisboa, de Trás os Montes ou do Alentejo.




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