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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Barra do Quaraí.




Assim como Uruguaiana, a Barra do Quarai que a essa pertencia e tornou-se emancipada em 1997, está situada entre o Uruguai e a Argentina e é o município mais a oeste do Rio Grande do Sul.

Nessa terra em 20 de junho de 1929 nasceria meu sogro Mário Ariel de los Santos (Cacho, cuja pronúncia é Catcho), que por pouco tempo não seria argentino como seus irmãos Osiel Grandenel (Negro) e Hector Vicente, pois meses antes de seu nascimento seu pai, Pio Aurélio de los Santos, uruguaio de Paysandú, casado com Maria Dolores de los Santos Haoys (Maruja), que moravam em Concórdia na Argentina de onde ela era natural, haviam chegado a Barra, onde ele assumiria a gerência do antigo Saladeiro (frigorífico), pertencente a Companhia Saladera Barra do Quaraí, empresa inglesa ali  estabelecida desde 1887.
                               Patrimônio da Barra.

O velho e próspero Saladero, que pagava seus funcionários em Libras Esterlinas era o que movimentava aquela, então pequena vila no interior de Uruguaiana, que para dar maior mobilidade ali fora construída a sua histórica ponte de ferro feita na Inglaterra e ali montada, unindo Barra do Quaraí no Brasil a Bella Unión no Uruguai, por sobre o rio Quaraí.

                                O que sobrou do Saladero.

A carne do gado ali abatido seguia pelos trilhos da North Western of Uruguay Railways, já utilizando a ponte de ferro sobre o rio Quaraí em 1908 que seria levada para Salto e Montevidéu, no Uruguai e dali para o Reino Unido.

                                  A velha ponte de 1908.

Havia à disposição dos trabalhadores tarros de leite que eram ordenhados pelos próprios funcionários para ser servido aos trabalhadores nos momentos de folga do estafante serviço, onde para sangrar o animal o mesmo entrava em um brete onde um dos homens munido de uma pesada marreta ficava acima de onde iria passar o pobre animal e o derrubava com forte marretada na testa. Após o animal era içado e sangrado, assim não ficava se debatendo enquanto o sangue era vertido.

Contavam os mais antigos trabalhadores deste Saladero, como o próprio Don Pio Aurélio, que trabalhava neste frigorífico um magarefe negro, magro e alto de meia idade, que se antecipava aos outros trabalhadores para pegar o leite dos referidos tarros, que ficavam abertos e onde muitas moscas caiam, ficando o leite coberto com muitos desses nojentos insetos.

                                     Sandra Mara de los Santos Teixeira
                                     Minha irmã Lúcia
Ele então munido de uma caneca recolhia as moscas que conseguia junto com o leite que após beberia, e para causar nojo nos demais trabalhadores começava a beber o leite, coando as moscas entre os dentes e depois começava a cuspi-las uma a uma, dando risadas enquanto mostrava em seus dentes alvos algumas moscas que ainda permaneciam em sua boca.

Contava meu sogro, apartir de informações de seu pai, que muitas vezes os trabalhadores reuniam-se para jogar osso e um poncho era estendido ao chão onde acumulavam-se as apostas feitas em belas moedas de Libras.

A lo largo da antiga ponte de ferro existe hoje uma moderna ponte rodoviária que também liga a Barra a vizinha Bella Unión, onde do lado uruguaio há um posto alfandegário que faz o controle de entrada de pessoas e produtos. E sempre que neste posto passei fui sempre bem recebido e atendido pelos funcionários uruguaios, muitos de esmerada educação, o que causou em meu neto, ainda um menino de nove anos uma excelente impressão na primeira vez que para o Uruguai viajava.

                                     As duas pontes, o antigo e o moderno.

Tal saladeiro encerrou suas atividades em decorrência da Quinta-Feira Negra, quando o mundo todo se viu a beira da maior crise econômica de todos os tempos com a quebra da Bolsa de Valores de New York, em 1929.

Em 1930, fechavam-se as portas do grande Saladeiro e nesse mesmo ano Pio Aurélio, último gerente desta empresa mudou-se com a família para Uruguaiana onde se estabeleceria como atacadista, no célebre Armazém Uruguaio, nas esquinas das ruas Treze de Maio e Santana.

Lembrando que já morava em Uruguaiana seu Irmão Don Juan Carlos de los Santos, na época Vice-Cônsul do Uruguai, que veio a falecer em 1939, aos 53 anos de idade, e que “provavelmente” (careço de informações precisas) tenha também sido gerente desta empresa, antes obviamente de ser Vice-Cônsul uruguaio.

Há uma extensa nota em um jornal de Uruguaiana do ano de 1939, que participa o falecimento de Juan Carlos, onde inicia a nota dizendo. “Com a avançada idade de 53 anos, faleceu ontem o nosso amigo Juan Carlos de los Santos”. Para a época um guri de 53 anos era considerado um velho alquebrado, o que não condiz com a realidade de hoje. Mas eram outros tempos onde era uma raridade chegar aos sessenta anos. Hoje somos um Estado onde a terceira idade está aí cheia de gás.

Mas não foi pelo fechamento do Saladeiro que o povo da Barra iria desistir de sua terra. Continuou batalhando e muitos dali saíram, mas os que ficaram, apesar do trabalho árduo que iriam enfrentar acreditaram e hoje a Barra do Quaraí é um Município autônomo, com uma área de 1.055,5 km² e sendo sua renda quase que exclusivamente das atividades agropecuárias.


                             Rumando para o Uruguai

                            Ya en la República Oriental del Uruguay.



5 comentários:

  1. Excelente matéria, é um resumo histórico da Barra que muito ouvi contar e foi por lá que cheguei ao mundo, onde começa o Brasil.

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  2. Barra
    Olá Júlio Cezar Teixeira.
    Obrigado pela visita e pelo comentário, para mim é uma honra tê-lo em meu Blogue.
    Gosto muito da Barra é quase todos os anos passamos por aí, sendo que agora em dezembro estivemos uns doze ou treze dias no Uruguai e na volta entramos no Brasil pela Barra do Quaraí. Devemos, se tudo correr bem, passar por esse cantinho do Rio Grande em abril ou maio.
    Um grande e fraterno abraço.
    Prof. Pedro

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  3. Buenas, vivente !
    Sou Guaibense e gosto muito de viajar pelo nosso Estado.
    Sempre tive curiosidade de visitar Barra do Quaraí.
    Agora, lendo sua matéria, vou com certeza passear por estas bandas ainda em 2017.

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  4. Buenas, vivente !
    Gosto muito de viajar pelo nosso Estado e sempre tive curiosidade de ir a Barra do Quaraí. Agora que li um pouco da história de um dos municípios onde começa o Brasil, com toda certeza estarei visitando o município ainda em 2017.

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    1. Caríssimo Antônio Augusto, prazer imenso em tê-lo em meu blog.
      La Barra é uma pequena cidade, porém sua história é linda e se gostas de viajar dou-lhe uma dica. Logo passando a ponte Brasil-Uruguai, a 7,5 km temos a cidade de Bella Unión, tiquita pero mui buena de caminar por sus calles y hacer unas compritas. E a 141km de Bella Unión fica a segunda maior cidade do Uruguai, Salto. Adoro ir a Salto e por lá ficar alguns dias. Entre Bella Unión e Salto tem as termas de Arapey. FABULOSA, é um passeio encantador. Há um bom hotel en las termas, bom restaurante. Gostamos de ir para lá fora de temporada, aí se descansa em uma tranquilidade magnífica.
      Tenhas um belo Natal e um excelente ano novo, com muita saúde, paz y plata.

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