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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Crime da Ponte

         
         “É MELHOR TER UM CACHORRO AMIGO DO QUE UM AMIGO CACHORRO”.
           
Dentre tantos casos que caíram na vala comum do esquecimento e da impunidade um deles movimentou a imprensa de Pelotas e muitas pessoas foram caladas, assim como a imprensa e a própria polícia.
          
Esse crime já está prescrito.
          
Um caso rumoroso que jogava na boca da fornalha muitas pessoas influentes e de posses da cidade.
          
Um crime que para a época foi uma bomba que deveria ser desarmada o quanto antes, pois se explodisse muitas cabeças coroada cairiam em desgraça. Histórias macabras que arruinariam a reputação de muitos.
        
- Afinal, quem matou Daltro?
          
Um crime ocorrido no início dos anos 60, na ponte que liga Pelotas a Rio Grande e todos que quiseram investigar foram afastados de seus cargos, como o caso de um Delegado negro de nome Ari Nelson que se propôs a reabrir o caso e tinha em mãos provas que levavam a autoria do crime. Também caiu em desgraça e foi escorraçado da cidade, em incidentes cinematográficos, como um atentado que sofreu, onde seu carro ficou crivado de balas.
Falou demais e atingiria muita gente importante.
           
Mas como tirar do cargo um Delegado ilibado, laborioso, entusiasmado, honesto e cheio de gás.
          
O motivo, mesmo que não tenha ligação, me pareceu o estopim de sua remoção para Santa Rosa. (Soube em junho de 2013, através do próprio filho do honrado Delegado que o mesmo foi na verdade removido para Rosário do Sul)
           
Em determinada noite, ainda nos anos 60, quando o tal Delegado ameaçava reabrir o caso do Crime da Ponte, ocorreu uma batida policial em um clube onde o jogo de bingo rolava solto e o determinado Delegado prendeu várias pessoas e entre elas estava um jovem militar, um terceiro sargento da ativa, coisa que pouquíssimos sabem.
          
“Alea jacta est”.

A sorte havia sido lançada, eram tempos duros da ditadura militar e no outro dia o reto policial civil estava de mala e cuia na estrada, rumo a um município bem distante.
          
“Vade retro”
           
- Teria sido esse o motivo de sua remoção?
           
- Por prender contraventores seria a razão?
          
 Isso foi usado como pretexto, “provavelmente”.
          
- Ou o verdadeiro motivo eram os fantasmas que rondavam o Crime da Ponte, onde muita gente importante estava envolvida?
           
Mais um dos milhares de casos sem solução, porém se o criminoso fosse um pobre, um miserável, um qualquer, estaria até hoje penando numa cadeia, pois essas foram feitas para o povão e não para os bacanas.
           
A frase que serve de subtítulo foi escrita por um desconhecido no túmulo do comerciário José Daltro Glotieb, dias após o seu sepultamento

9 comentários:

  1. Pois é algumas destas historias eu já conhecia (sim por ser tua filha) mas sempre é bom reler tais fatos.

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  2. Caro AMigo. Esse delegado é meu pai e ficou orgulhoso do te relato, mormente considerando o passar dos anos. Sua remoção foi para a cidade de Rosário do Sul, não Santa Rosa, onde, por ironia do Destino, conheceu minha mãe e, alguns anos depois, adveio meu nascimento. Hoje sou Defensor Público em Pelotas, outra ironia do destino, e procuro honrar a história profissional do meu pai com muita honestidade e coragem para enfrentar os " poderosos". Um Grande Abraço e parabéns.

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  3. Igor, fiquei emocionado. Emocionadíssimo e muito alegre ao mesmo tempo, com o teu comentário e com a tua visita. A informação que eu tive, ainda quando militar no antigo 9º RI foi que vosso pai havia sido removido para Santa Rosa, agora quarenta e tantos anos depois venho a saber que o mesmo foi para a terra de meu avô paterno, a querida Rosário do Sul. E com certeza sei que como Defensor Público na minha amada Pelotas és como ele foi, pois são da mesma têmpera, têmpera da dignidade e correção, e como ele, ilibado e muito corajoso. Um forte abraço e muito obrigado.

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  4. Mariza Magalhães marmagbr@yahoo.com.br27 de setembro de 2015 20:22

    Bagé, como outras tantas cidades de ruralistas e de famílias tradicionais, esconde muitos segredos, nada fora do comum, a existencia de tais mistérios insolúveis,
    Há dois casos, ainda lembrados, até onde sei também insolúveis, I rumoroso caso Os Crimes da Casa Paulista, assustadores pelo grau da violência, e a morte de uma suposta prostituta, moradora em um barraco junto aos trilhos, na estrada que leva a São Martins, pela barbárie. Se alguém puder me dar informações ou os locai onde possa obter maires informações, agradeço muitíssimo. Mariza Magalhães

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  5. Olá caríssima Mariza.
    Privilégio ter recebido teu comentário e questionamentos:
    Tão logo li, joguei-me a pesquisar para ver se algo encontrava. E desde a madrugada procuro sem êxito tais crimes. Porém precisaria saber em que anos foram praticados e quais municípios, assim poderíamos recorrer a arquivos de jornais da época. Como exemplo, Casa Paulista, há em diversos locais casas com esse nome.
    Alguns crimes como o das meninas Araceli (12) no ES e Ana Lídia (7) no DF, os guardo bem na memória pois foram casos ocorridos durante a ditadura militar além de possuir muitíssima coisa publicadas a respeito. No caso do Crime da Ponte, acompanhei desde o início e até hoje espero que os nomes dos assassinos sejam publicados, pois a Polícia sabe bem quem são os assassinos. Gente poderosa e foi um caso muito rumoroso que envolvia pessoas inclusive, bem conhecidas.
    Por outro lado teu comentário atiçou minha curiosidade em saber para informar. Continuarei a procura e peço a quem ler este comentário e resposta e tenha alguma pista, nos informe.
    Sinto-me privilegiado com tua participação e meu blogue está a teu inteiro dispor, caso queiras fazer algum comentário reservado e só informar no início entre parêntesis (RESERVADO), que o lerei e darei a resposta sem o publicar, mantendo-o em total sigilo.
    Assim que tiver alguma informação terei o máximo prazer em te informar.
    Respeitosamente e com carinho.
    Prof. Pedro.

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  6. Meu caro professor! Lembro bem deste crime e dos seus desdobramentos. Conheci o Daltro quando trabalhava na Casa Piloto, na Mal. Floriano, juntamente com um alemão grandão, cujo nome era Nussbaum, se não me falha a memória. O Daltro andava sempre becado, roupas caras para os padrões da época, sempre na moda, tinha um "motociclo" marca Monark, todo branquinho, no qual desfilava (muitas vezes em pé) pelas ruas da cidade. Sua namorada, na época, (por sinal muito bonita), trabalhava na Casa Paris, no hoje calçadão da Andrade Neves.

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  7. Olá caríssimo Senhor.
    Honrado em tê-lo em meu blogue.
    Boas lembranças. Realmente, Daltro andava sempre alinhado, era um jovem que chamava a atenção. Por esse motivo envolveu-se com pessoas das alta rodas de Pelotas, motivo que o levou a ser assassinado. Queima de arquivo.
    Diziam na época que o que ele ostentava era incompatível com seus ganhos e que este extra vinha de certos favores emprestados a algumas senhoras bacanas da cidade.
    Talvez nunca venhamos a saber os reais motivos e se esses comentários explícitos que se faziam nas rodas do Café Aquário levam realmente a este sentido. Como escrevi acima "alea jacta est", ou seja a sorte havia sido lançada.
    Grande abraço e agradeço o comentário que foi muito bem-vindo.
    Prof. Pedro.

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  8. Tive o prazer de conhecer o delegado Ari Nelson ainda menino, no município de Bagé, onde foi titular da delegacia daquele município, um homem muito respeitado pelo seu caráter e lisura...Lembro que o chamavam de ¨Mão Preta¨, talvez por ser negro, no município de Bagé desvendou muitos crimes que ja´estavam esquecidos...

    José Luiz Franco Rodrigues - Aposentado

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    1. Olá José Luiz Franco Rodrigues, são muitos os prazeres em receber tão e verdadeiro comentário, a começar por vosso nome. Nome de meu avô materno Dom José Luís, seguido do nome de meu filho Franco, o mais velho e culminando pelo sobrenome do avô de minha esposa Rodrigues, Dom Aparício Rodrigues Salgueiro, muitas coincidências em em só nome. Fico honradíssimo com vossa visita e comentário. Realmente, o Delegado Ari Nelson fez história por sua honradez e competência, homem digno e laborioso que foi a fundo em suas investigações sem importar quem seria o arrolado em processos. Por sua competência e tenacidade sofreu muitas perseguições de uma elite reacionária e tendenciosa, mas jamais esmoreceu. Homens como esse são poucos, mas ao longo de sua trajetória deixou muitos exemplos de dignidade e caráter. Recebas um grande abraço e convido-o para participar deste espaço sempre, visitando e comentando. Este espaço está aberto a todos os que de maneira tão civilizada, educada e urbana dele participam. Com muita honra sempre sentirei presenteado com vossa presença. Que tenhas um belo mês, e que a saúde e a alegria sejam vossas companheiras, hoje e sempre.

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