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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Celimo Montez Zuloaga e a Gripe Asiática



Pedalando


Em 1957 chegou a cidade de Pelotas um colombiano chamado Celimo Montez Zuloaga que se propunha a passar mais de 100 horas pedalando sua bicicleta pela Praça Coronel Pedro Osório, sem parar dia e noite.



Os comentários correram pela cidade como fogo em pólvora, e o povo acorreu à praça para ver o feito inédito e para a época uma incrível façanha.

Eu era um menino e fui ver tal ciclista pedalando e pedalando dia e noite.

Naquele mesmo ano, em fevereiro surgiu no norte da China uma terrível gripe que em meses transformou-se em uma pandemia, que logo alcançou as Américas.
.

De 20 a 80% da população, conforme a área foi afetada, e muitas vítimas deixava a  gripe em sua esteira.

Entretanto, devido a estar no meio do público, acabei pegando um resfriado, que no segundo dia transformou-se em forte gripe e altíssima febre.

Na verdade havia pego a tal gripe, o que me levou para a cama de onde só saia para ir ao banheiro.

Dias difíceis, com febre e dores pelo corpo.

Na noite em que o ciclista faria o encerramento de sua extraordinária façanha, meus pais e minhas duas irmãs foram até a referida e histórica praça, onde se acotovelava o povo da cidade em aplausos, aonde muitos, bestificados, corriam simplórios ao lado da bicicleta de Zuloaga.


                          56 anos após, eu e minha mulher na mesma praça.

Segundo relato de minha irmã Ieda de Lourdes, Zuloaga era acompanhado de sua esposa de nome Maria de Lourdes, que à noite cantava e brincava para que ele não dormisse.

Enquanto isso, em casa tive a mais séria crise, com altíssima febre, onde meu irmão Joaquim Luís, também um menino tentava fazer alguma coisa para acudir-me.

A febre foi tão alta que eu variava. Como se diz, viajava em delírios.

Meus pais jamais imaginariam que tal coisa pudesse acontecer.

Não sei como resisti.
.
Sou um sobrevivente.

E carrego estas duas coisas na lembrança e hei de carregá-las para sempre, ou seja a difícil façanha de Zuloaga em pedalar por uma semana sem parar dia e noite e para mim a mais difícil etapa de minha infância, a minha façanha de aos onze anos ter sobrevivido àquela gripe que ceifou tantas vidas.



4 comentários:

  1. Caro Professor! Lembro bem do Zuloaga ou Zuluaga, como queiram. Tive um colega, que muitos conheceram, cujo nome era Clóvis Bohns (Covinha), já falecido, que jogou futebol de salão no G.E.Brasil, e foi meu companheiro no futebol de campo no juvenil do E.C. Pelotas, em 1960. Como gostava de dar "bicicletas", apelidaram-no de Zuluaga, que era como os mais chegados o chamavam. É hilário mas é verdadeiro. Um abraço. Carlos Silveira.

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  2. Olá, caro senhor Carlos.
    Eu tenho na lembrança fatos incríveis que guardo irretocáveis e claros, como por exemplo essa façanha de Celimo Zuloaga, conhecido por Zuluaga. E é assim que vão surgindo os apelidos, correlacionados com outras pessoas e fatos. No Exército, onde servi vários anos no então 9º RI, a soldadesca tinha um habilidade incrível de associar apelidos, como o Reizinho, o Procopinho, Cachorrão e tantos outros devido a parecença com os personagens. Reizinho, das histórias em quadrinhos, Procopinho, assim apelidaram um aspirante por achar o mesmo parecido com o Boneco das Casas Procópio, chamado Procopinho. Cabos, Sargentos e Oficiais não eram poupados. Isto tudo mostra esta capacidade inventiva do povo brasileiro, pena que as coisas más etão superando o que de bom tem o povo a oferecer.
    Caríssimo senhor Carlos Silveira, vou lhe confessar, o G. E, Brasil foi o meu único time de futebol. Porém quando saí de Pelotas, deixei até de ser fã deste esporte e no ano 60, em janeiro meu pai foi transferido para o Arsenal de Guerra em General Câmara onde ficamos três anos, por esse motivo não cheguei a conhecer o Zuluaga jogador.Lembro-me, coisa que jamais esquecerei eram as escalações do Brasil, do Pelotas e do Farroupilha dos anos 58/59. E das histórias hilárias e marcantes que pretendo escrever a respeito.
    Agradeço a participação.
    Um grande e fraterno abraço.
    Prof. Pedro.

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  3. Lembro bem dos apelidos daquele tempo. Existia, na minha época de 9º RI, um pretinho magro, natural de São Lourenço do Sul, cujo apelido era "vampiro", em virtude de ter os dentes superiores saltados para fora. Vivia sempre em "cana", pelas
    incontáveis vezes que teria "matado" sua mãe. Lembro, também,
    do sargento Schmitão que, certa vez, com o pelotão do curso de cabos em forma, todos perfilados, lascou: "Quem ainda não recebeu as suas "andarolas", é só procurar na sargenteação, após o fora de forma". E não é que alguns foram procurá-las! Quem conviveu num universo heterogêneo de mais de 1.000 recrutas e superiores,na época, posso afirmar com convicção: "O quartel é a melhor escola da vida". Aproveitando o gancho, tenho algumas histórias hilárias, marcantes e até pitorescas, recheadas de realismo que marcaram o cotidiano desta cidade e da zona sul.Um grande abraço! Carlos Silveira.

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  4. Olá Carlos Silveira.
    Fico contente com tua visita e comentário. Fique sempre a vontade para usar deste blogue, comentar ou criticar.
    O maior prêmio de quem tem um blogue são os comentários, pois alguma coisa de útil ele tem, o relembrar do passado, coisas boas e até ruins, mas o interessante são os fatos narrados.
    Conheci o Sargento Schmit, o Schmitão, serviu muitos anos com meu pai e algum tempo comigo. Também soube deste soldado que alegava ter pedido a mãe para tirar a dispensa chamada "nojo". Certa feita publiquei no Boletim a dispensa nojo de um soldado finalizando dizendo que "por ter falecido naquela data sua genetriz" - sinônimo de genitora (mãe), um tenente de nome Câmara ostensivamente foi ao S/1 para me criticar sobre o, para ele erro, quando o Capitão Ajudante de Ordens, interrompeu o tenente e mandou que ele fosse ler um dicionário, pois se eu havia escrito daquela maneira é por que estava correto. O Tenente saiu meio sem jeito do S/1.
    Realmente o Exército é uma grande escola para a maioria, para outros é um castigo pois não se enquadram à disciplina, a horários e ao respeito.
    Belíssimo final de ano.
    Um Grande abraço.
    Prof. Pedro.

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