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quarta-feira, 30 de julho de 2025

Cabo Domingues X Sargento Domingues. 9° RI – 9°BIMtz -

Cabo Domingues era um militar sem muito elã, mas cumpria bem as ordens recebidas. Certa época foi indicado para assumir a vice-liderança dos Lixeiros, grupo de soldados que diariamente eram escalados para recolherem o lixo depositados em latões nos pátios das Companhias, sendo usado para tal uma velha carroça que era puxada pela soldadesca, sob a liderança  de um Cabo e de um Terceiro sargento.

O chefe deste serviço era o Terceiro sargento de mesmo nome, Domingues, que também era o fotógrafo oficial do Regimento. Os dois trabalhavam juntos, mas sabia-se que não eram simpáticos um com o outro.

Certo dia, não sei porque o Sargento Domingues foi duro e arrogante com o Cabo Domingues, inclusive o ofendendo e este num ímpeto brutal desferiu um potente soco no rosto do Sargento, fazendo-o cair ao solo desacordado.

Correria, enfermaria e sindicância. 

O cabo foi punido, porém não por ser um bom Cabo, mas por ser o outro uma porcaria de Sargento sua punição foi leve.

Tempos depois esse mesmo Sargento, quando promovido a Segundo sargento fora transferido para região de Santa Maria e lá desentendeu-se com um paisano em um bar e como era época de ditadura militar, achou que tinha o direito ou poder de  dar um tiro no cidadão civil e que nada lhe aconteceria.

O cidadão levado a um hospital não morreu, mas a punição veio rápida e para ele não ser expulso do Exército, houve por bem puni-lo com a pena máxima que não ultrapassasse os quatro anos, caso contrário seria expulso.

O pobre coitado, enquanto cumpria a pena foi remoendo o ódio e planejando então a morte daquele civil, já que ele havia cumprido anos na cadeira achou que se matasse o mesmo cidadão nada iria com ele acontecer, pois já havia pago antecipadamente  com quatro anos de cadeia.

SÓ NA CABECINHA DELE.

Logo, com muita ignorância e ódio, ao sair da prisão, armou-se e foi a procura do desafeto, matando-o.

Por sua ignorância e maldade, tomou na cola mais de 15 anos sendo então expulso do Exército.

A IGNORÂNCIA TE PUNE SEM COMPAIXÃO.

 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

SEU MERDA - 9° RI - 9°BIMtz

Estava eu de Sargento de Dia, passara o dia e a noite anterior no Quartel dando Serviço na CC/1, Companhia de Comando do 1° Batalhão, serviço como sempre a contento e sem alteração.

Na manhã seguinte, antes da Formatura Diária, passaria o Serviço ao Terceiro Sargento N.F., este era um Sargento sem muitos brios, a meu ver, um zero à esquerda.

Nesta manhã, com a Companhia em forma, ao lado do Alojamento, passava o serviço a esse Sargento e esse fez uma critica inócua sobre a limpeza dentro do Alojamento lembrando que uma das coisas que mais exigia dos soldados era a limpeza da área da Companhia, mas ele, turrão em frente a Companhia quis chamar minha atenção e eu, Cabo velho não gostei da forma rasteira como ele se referiu, perguntei em voz alta em frente aos Soldados em forma:

- Quem és tu para falar assim comigo, SEU MERDA”.

Os Soldados em forma, juntamente com o meu Cabo de Dia e outros quatro Cabos levaram aquela pancada nos miolos, pois nunca haviam ouvido eu me referir a um superior hierárquico daquela maneira.

Ele sem jeito me fulminou com os olhos e de antemão sabia que o mesmo iria dar parte  minha no livro de alterações da Companhia. No mínimo eu seria punido, com prisão ou detenção.

Entretanto logo em seguida apareceu o Sargenteante, um Primeiro Sargento de nome Abrantes, apelidado de Rabanete  e o Tercereba, que já havia assumido o Serviço de Sargento de dia, lhe apresentou a Companhia, pois logo seria feita a Parada Diária.

Naquele ano a CC/1 estava colocada em primeiro lugar para receber o troféu de melhor Companhia em Ordem Unida, e o Comandante desta Subunidade, o Capitão Clerion Dias Faro queria logo o desfecho daquele certame, pois faltavam apenas dois pontos para a Companhia ser agraciada antecipadamente naquele torneio. Esse Capitão era de uma educação extremada que a todos tratava com atenção e respeito.

Em forma, todos agora ao Comando do Sargento Abrantes se dirigiram à frente do Prédio da CC/1 e ali a Companhia foi apresentada ao Capitão Faro.

De imediato, após uma rápida preleção do referido Capitão, à Companhia foi deslocada em passo cadenciado até o Pátio em frente ao Palanque Oficial, onde já estava além do Comandante, o Coronel Aloísio Alves Borges, todo o Estado Maior do Regimento que faria o penúltimo julgamento de Ordem Unida. Bastava para a Companhia ganhar dois pontos para sagrar-se Campeã.

A todo o momento o referido Sargento me olhava e gesticulava a cabeça, numa frontal ameaça. De fato iria dar parte de mim por tê-lo chamado de SEU MERDA.

Como sempre em formaturas eu entrava como Cerra fila, pois ficava atrás do último Soldado, verificando a disciplina e o alinhamento.

Regimento em forma, Banda de Música, Parada de Serviço pronta para assumirem seus postos logo após tal formatura. Enfim tudo pronto, arrumado e bonitinho.

O Coronel Aluisio, após a costumeira preleção deu ordens para que as Companhias se deslocassem para seus locais pré-determinados  para darem início à Parada Diária.

Em ordem começou o desfile das Companhias garbosas marcharam, em frente ao Palanque Oficial, porém quando a CC/1, minha Companhia passava briosa em frente ao Palanque e já com a possibilidade de ganhar o troféu, com o Capitão Faro à frente, logo atrás deles o Cabo José, também chamado de “pé-grande”, que era o militar mais alto da companhia e por seu tamanho era o Cabo Porta Estandarte, vinham os  Sargentos, Cabos e Soldados e eu bem atrás da Companhia, pois como já disse era o cerra-fila, ouviu-se um “berro” do Palanque:

- Por que esse Sargento está fora da formação? – Gritou o Coronel Aluísio.

De imediato o Capitão olhou rapidamente para trás e viu que o Coronel referia-se ao Sargento N.F., que marchava totalmente fora do alinhamento.

O Capitão continuou à frente da Companhia e logo ao passar do Palanque, pôs-se ao lado da Companhia e a conduziu ao pátio desta.

Ao chegar ao pátio da CC/1 o Capital mandou alto e esquerda volver, ficando a Cia de frente para  o seu PC e Sargenteação, quando o Capitão furioso disse alto e claro.

- Seu Merda! – referindo-se a tal Sargento, por tua causa não vamos ganhar antecipadamente o troféu.

Cabos e Soldados que durante a passagem de Serviço de Sargento de Dia, ouviram o que eu havia dito ao referido Sargento, alguns segurando o riso, discretamente olharam-me dando total razão.

Sem moral o infeliz nada fez assumindo sua “merdice” e eu saí incólume. 

 

segunda-feira, 30 de junho de 2025

BOLA FORA DO SARGENTO AJUDANTE. - 9° RI - 9° BIMtz


                                      

Há quase cinco anos trabalhava na Casa da Ordem, como datilógrafo do Boletim Interno, documento oficial de tiragem diária, dando ao Regimento todas as informações atinente ao serviço, como Escalas de Oficial-de-Dia, Adjunto, Comandantes das Guardas 1 e 2 e outros serviços, Apresentações de Militares, Transferências, Ordens Superiores, Serviços Médicos, Administração e Justiça e Disciplina. Fazia tudo sozinho, páginas e páginas, muitas vezes o Sargento Ariano de Paiva Rodeghiero sentava-se ao meu lado, quando havia muita coisa para ser publicada e ditava sem parar e eu datilografava as matrizes sem parar numa velocidade extrema, sendo muitas vezes assistido por Oficiais que ficavam hipnotizados com a minha rapidez.

Muitos Primeiros-Sargentos desempenhavam a funções de Sub-Tenentes, na falta desses e após na lista de antiguidade um Primeiro-Sargento era nomeado Sargento Ajudante de Ordens, como era chamado na época de Sargento Brigada ou seja, a ele era competido principalmente às escalas de serviço, e desempenhava suas funções nessa Casa da Ordem. Era então o Sargento mais antigo que não estivesse desempenhando as funções de Sub-Tenente, pois aí passava a receber a diferença em seu soldo.

Belo dia foi indicado para essa função o Primeiro-Sargento Pedro Arides Fernandes, homem antipático que poucos mesmo, Sargentos gostavam dele.

Havia uma grande camaradagem nessa Seção, onde Cabos, Sargentos e até mesmo o Capitão Ajudante de Ordens entravam na divisão do café, pois houve uma época que tal regalia havia sido proibida como contenção de despesas. E todos os dias era aquela ladainha de quem pagaria o café, que era comprado em frente ao Quartel no antigo Bar do Udo.

Tão logo esse Sargento assumiu como Ajudante, vendo aquele, até hilário jogo de empurra, resolveu botar ordem no galinheiro e em tom seco disse a todos, com exceção do Capitão S/1 que não estava presente.

- A partir de hoje vou botar ordem nessa discussão diária sobre o café. Vou organizar da seguinte forma:

- Todos entrarão na lista de compra, e não será apenas um café. Traremos por semana uma lata de café solúvel, um quilo de açúcar e uma lata de leite em pó. Melhorando assim o nosso café:

Fez uma breve pausa e concluiu:

- A partir da próxima semana vou fazer uma lista com todos os nomes, sendo que o Capitão vai ficar fora do rateio (puxa saco, pensei eu).

- Hoje é sexta-feira, então começará na próxima semana e eu como o mais graduado serei o primeiro, depois o Segundo-Sargento Raul e assim até o Cabo mais moderno, que no caso era o Cabo Jader Fernandes Umpierre, que dois anos após, passou a desertor e foi expulso do Exército.

Na Segunda-Feira seguinte chegou à Casa da Ordem o Primeiro Sargento Arides com uma sacola contendo todo o material para o café.

Foi uma semana que todos tomaram café suculento com muito leite em pó.

Na Sexta-feira seguinte, antes do toque de debandar o Primeiro Sargento Arides disse em tom alto e como de praxe antipático, ao Sargento Raul Rocha, na Segunda-feira é teu dia de trazer os ingredientes para o café, mas o Sargento Raul lhe respondeu.

- Sargento Arides, me tire da lista, pois eu não quero participar mais deste café.

O Sargento Arides, sem nada entender, pois nada havia sido combinado ouviu a mesma coisa do Sargento Rodeghiero, do Sargento Adroaldo, de mim e dos demais Cabos.

Ou seja, o Sargento Arides ficou atônito, com a cara no chão e nada disse, só ele pagou pela arrogância e mandonismo.

Passada aquela semana o Capitão S/1 falou com o Coronel Comandante e esse liberou o café para todas as Seções.

ORRE TASCA, só ele pagou.