É sim “O futuro que nos
espere” - 3ª pessoa do presente do Subjuntivo (no Brasil), ou seja, “que ele, o
futuro nos espere”.
Apenas para pensar.
Não sou especialista em
língua portuguesa, porém vislumbro adiante, num futuro não muito distante, com
certeza, muitas coisas irão mudar e mudarão a tal ponto que um dia chegará e o
português do Brasil não mais será uma extensão do português de Portugal, será
um novo idioma. Uma língua autônoma. E disto não tenho dúvidas.
E tentando descomplicar, este
último Acordo Ortográfico para muitos complicou e ainda está dando muitos nós
na cabeça não só do povo simples, como de pessoas bem escolarizadas. O que é
normal, pois até acertarmos os ponteiros levará tempo para os menos atilados e para
aqueles que mantêm vícios adquiridos ao longo de suas vidas. Lembrando que
somos infelizmente um país, cuja esmagadora maioria peca muito no escrever,
inclusive eu. Afinal há menos de cinquenta anos éramos um país de analfabetos,
cujo percentual era gigantesco.
O mais conceituado professor
de português do Brasil, Pasquale Cipro Neto disse:
- O acordo ortográfico entre
os países lusófonos é "inútil e desnecessário" e não terá qualquer
influência no papel da língua portuguesa a nível internacional.
Concordo
plenamente e vejo que esse acordo além de complicar para muitos, não terá
qualquer influência no modo de escrever e falar neste futuro que vislumbro.
E ainda, por conta do não
entendimento deste Acordo muitos fazem confusões, tanto que ao ter dado entrada
em uma Escola no Município de Esteio, bem à vista dos que ali entravam estava
um cartaz dedicado aos alunos, que, com letras garrafais dizia:
“Seja benvindo...”.
Imediatamente procurei a
equipe diretiva (pedagogas) e mostrei o erro, o que foi uma dificuldade para
provar que a palavra “bem-vindo” não perdera o hífen (m?). Mas argumentaram com
veemência que o hífen havia caído. Tiveram que vasculhar o acordo e procurar na
Internet, até que lá pelas tantas viram que realmente a palavras continuava
sendo - BEM-VINDO.
Mas esse acordo ortográfico,
assunto que já escrevi neste espaço, foi um acordo tímido e até certo ponto desnecessário,
é mais uma dessas coisas que partiu de cabeças brilhantes, mas que não terá
futuro a médio e principalmente em longo prazo ou a longo prazo, ambas formas
são aceitas, pois os idiomas não são estáticos e sofrem com o tempo uma série
de alterações, muitas impossíveis de conter. Idiomas não são feitos por leis,
decretos, acordos ou tratados e sim são feitos pela massa que os fala. Lembro
aqui da tentativa infrutífera de se implantar no mundo o Esperanto como uma
língua internacional neutra, que o inglês o fez sem nenhum trauma.
O Esperanto é uma língua
artificial criada em 1887 pelo médico judeu polonês Ludwig Lazar Zamenhof que
não alcançou ainda seus objetivos. Aliás, 90% da população mundial nem sabe o
que é Esperanto.
Por outro lado o Brasil é
campeão em gírias que em Portugal, se não me falham as “catracas” (gíria = cérebro,
cabeça, ideias. Ideias que pelo novo Acordo perdeu o acento, assim como o
próprio acordo) são chamadas de maleitas. (corrijam-me se eu estiver errado).
Já maleita no Brasil é uma doença. A malária.
Alguém dirá que precisamos
de regras. Concordo plenamente, porém repito, se mexeram, por que não o fizeram
em profundidade. O quê esse acordo trouxe em benefício do nosso povo?
Quiseram com isso igualar a
forma escrita, e esqueceram da falada, mas o fizeram sem aprofundar, ou seja,
trocaram a casca, mas não atingiram o cerne da questão, o qual deveria
descomplicar, mas para muitos complicou ainda mais, como a supressão do trema e
não atingiu coisas que na verdade descomplicariam.
Temos aqui no Rio Grande do
Sul milhares de palavras que são desconhecidas mesmo no Brasil, quiçá em
Portugal, assim como as dezenas de milhares de palavras do Brasil que não fazem
o menor sentido ou são desconhecidas nos demais países de língua portuguesa.
As diferenças encontradas
entre os diferentes modos de falar tendem a aumentar. Acredito que dos milhares
de idiomas e dialetos que hoje são falados no mundo, muitos irão desaparecer e
outros, já existentes ou não, tomarão o seu lugar.
Ou alguém acha que a maneira
de falar da Inglaterra é a mesma da América? Ou o Francês europeu é o mesmo do
Caribe ou da África?
Não!
No caso do inglês britânico
tem suas diferenças com o inglês “caipira” dos Estados Unidos da América e dos
demais países de língua inglesa no que tange não somente as pronúncias, pois algumas
palavras são igualmente diferentes como entre Brasil e Portugal, como exemplo
cito algumas palavras do inglês britânico e sua correspondente americana:
Inglaterra: USA (EUA)
- courgette - zucchini
- dummy - pacifier
- trousers - pant
- rubber - eraser
- chemist - drug
store
- sweets - candy
- chips - french fries
O mesmo continuará
acontecendo com o nosso português, quer seja em Portugal, no Brasil, em Angola,
em Moçambique e nos demais países de fala portuguesa.
O português europeu continuará
a ser diferente dos demais portugueses, mesmo dentro de Portugal, que é um país
de dimensões pequenas se comparado ao gigantismo do Brasil há diferenças no
falar, quanto mais em nosso país, a tal ponto de livros e entrevistas serem
traduzidas, filmes serem dublados ou legendados, pois é muito mais difícil
entender um português falando do que um espanhol de Madri. Lembrando que no
próprio espanhol há diferenças gritantes no modo de falar. Ou acreditas que a
pronúncia da Espanha é a mesma da Argentina ou do Uruguai.
Mesmo dentro da América Espanhola
existem diferentes pronúncias para a mesma palavra, como é o caso de cavalo
cuja pronuncia pode ser “cavaio”, “cavalhio” ou “cavajo” ou entaõ CAbAIO, a
CAbALHIO ou CAbAJO. Sendo que a escrita é a mesma - CABALLO.
Já escrevemos no passado com
Ph, cuja pronúncia é “f” como em phósphoros pharmácia, Amphilóquio, Raphaela e
tantas outras. Já acentuamos certas palavras, como cafèzinho, sòzinho e alcoól
(de alcohol). Já tiramos acentos, já introduzimos letras e outras foram
suprimidas e hoje conforme a região serão mantidas ou não e terão dupla grafia
em dicionários escritas com o B, C, G, M, P e T, sendo que muitas já não existiam
no “brasilês”, porém continuarão em Portugal.
Exemplos de consoantes
pronunciadas: Compactado, pacto, aptidão, nupcial, adaptar e toda a sua
conjugação, entre outras. Não pronunciadas e inexistentes no Brasil, Acção,
Secção, efectivo e para complicar temos o óptimo sem falar no afectivo.
Porém! - E sempre há um
porém., muitas serão dicionarizadas com dupla grafia. Vejas bem. Terás o
cuidado de entender a localização geográfica para saber se sim ou se não. Por
um lado é bom, pois mostrará para muitos onde fica o Brasil e onde fica
Portugal, pois se dermos um mapa veremos que grande parcela fica mais perdida
do que cego em tiroteio.
De dupla grafia teremos
várias palavras, entre elas, a amígdala, amnistia, subtil e súbdito, para
Portugal e os Tupiniquins ficarão com a amídala, anistia (ampla, geral e
irrestrita, coisa do Geisel para livras os militares assassinos e
torturadores), sutil e súdito.
Por causa do grego, já
escrevemos theatro, bibiotheca, hydrographia, polytechnica, polygono,
telephone, christão e phonógrafo.
Muitos argumentos para tal
acordo são capengas, (Capengar=Mancar. Aquele que é manco ou claudicante, que
deriva de Cláudio, que significa manco), pois nós estamos cada vez mais falando
o “brasilês” e por isto os grandes mestres deveriam mudar o nosso jeito de
escrever e não ficar se preocupando simplesmente com uma uniformidade da língua
portuguesa, mesmo que isto fosse necessário para uma uniformização importante a
nível internacional, mas que no futuro complicará ainda mais e o rolo
compressor passará por cima.
Precisaríamos de mudanças
que viessem a facilitar o escrever, o falar, o sentir a palavra.
Por que continuamos a
escrever exército com “X”?
Para manter a raiz latina de
Exercitus?.
Sim, dirá o especialista em
língua portuguesa. Mas deveríamos caminhar para a facilitação e não
descomplicar complicando, assim como no passado suprimimos letras usadas em
palavras de origem grega, poderíamos nos livrar de muitas letras de origem
latina. Afinal o que é o latim senão uma base muito distante de nosso idioma,
antecipando assim esse novo idioma que já começou e tende pelo número suplantar
os demais portugueses, que é o “brasilês”, afinal são mais de duzentos milhões
tagarelando regionalismos e gírias, e dele se afastando tanto que passará a ser
um novo idioma. A língua falada está sempre em evolução e caminha para uma
mutação impossível de deter.
Ex.
Estadia é o tempo que um
navio permanece em um determinado porto.
Estada é o tempo que alguém
fica em algum lugar. Hotel.
Porém hoje quase ninguém fala
estada e sim estadia no hotel, o que passou a ser um sinônimo de estada.
No espanhol que também é de
origem latina como o português escrevem exército com “J”, ejército.
Não!
A pronúncia não é egército e
sim ErrÉRCITO.
Facilitaria muito se
escrevêssemos com “z”. Pois o som é de “z”. Ezército, que para os que têm
conhecimento pode até ficar estranho, mas para a massa não bem escolarizada
seria mais fácil. Há os que ficarão contrariados. Perdoem-se, mas esta é uma
opinião pessoal de um historiador e não de um catedrático em língua portuguesa.
“Talves o ecelentíssimo
Jeneral, diante de seu ezército, após tantos êzitos tivesse visto passar em sua
frente toda a sua ezemplar ezistência”.
Alguém não entendeu?
Houve em passadas épocas um
grande avanço tornando a língua portuguesa um verdadeiro idioma
(galego-português, por volta do século XII), que não deve ser confundido como um dialeto espanhol, pois não era um apêndice da
Espanha, a qual ainda não havia surgido como reino unificado, apesar de ter sido em terras hoje pertencentes à Espanha o berço da língua portuguesa, porém o
mundo mudou e hoje o português, apesar de sua similaridade com o espanhol é
notadamente uma língua autônoma. Obviamente não para os americanos que
acham que tudo é a mesma coisa.
Lembrando que Portugal foi o Primeiro, portanto o mais antigo Estado Nacional ou Estado Nação da Europa, que antecede em muito tempo o Reino da Espanha, assim sendo não podemos entender como sendo um dialeto e sim uma língua autônoma mesmo que tenha, como disse, surgido em território hoje pertencente a atual Espanha, na época no Reino de Galícia, ao norte de Portugal e foi com o tempo chegando até o Algarve. E de Portugal para o mundo, hoje o conhecido mundo lusófono, ao qual estamos incluídos. Porém caminha o Brasil para um afastamento tão grande que chegará um dia de termos um idioma próprio, que eu chamo de brasilês.
Como professor de adultos
observava a dificuldade de muitos quanto ao emprego do “x”. Complica para os
leigos, pois tem vários usos e são totalmente diferentes. Pode ser empregado
como “s”, “ss”, “z”, “ch” e “cs”.
Novamente o especialista em
língua portuguesa perguntará qual é a dificuldade?
Não há dificuldade para as
pessoas bem escolarizadas, mas as dificuldades são semelhantes à de um médico
proctologista diante de um tórax aberto para fazer um transplante de coração. É
assim que o povo se sente. Perdido. Totalmente perdido.
Dirá o enfático
especialista: Nós estamos aqui para ensinar. Corretíssimo! Mas aí lembro de uma
frase mui usual na caserna: “Se podemos complicar para que facilitar?”.
A base foi perdida, a
alfabetização não foi correta.
Além do mais o “x” tem
regras complicadas para quem não é muito letrado, como ser usado após um
ditongo, como feixe ou caixa, após palavra iniciadas com o prefixo “en” como
enxame, enxoval; após palavras iniciadas pela sílaba “me”, como mexer,
mexerico; nas palavras oriundas das diferentes línguas indígenas, as quais
muitas não são usadas nem conhecidas em Portugal, como xará, xerente, xexéu; nas
de origem africana, como caxumba, caxixí, caxangá, caxambu, fuxico, xodó,
xendengue e xepa; ou nas palavras de origem inglesa que já foram aportuguesadas,
como xerife ou xampu, assim como poderia ser “xópim” e não shopping, entre
milhares. (Eu mesmo vivo aportuguesando o “blogue”, pois a maioria fala blogue,
blogueiro, etc.) Também diz à regra que após o prefixo “em” seguido de palavras
com “ch”, o dígrafo “ch” será mantido, como em encher. Mas quem dentro da
grande população sabe o que é um dígrafo?
E quem sabe profundamente
das complicadas regras a não ser um especialista e dos bons?
A começar pelo “zz” italiano
que deve ser substituído pelo “ç”, como no caso de muzzarela. O correto deveria
ser escrito com “Ç”, mas quase ninguém usa e sim usam o “ss”. Grandes redes de
Supermercados e Restaurantes usam erradamente o “ss” e juram que estão certos,
inclusive uma colega professora de língua portuguesa na hora de escrever se “embasbacou”.
Porém como já escrevi, duvidaria que alguém seguisse a regra no caso de Pizza.
Pois com “Ç” é, pejorativamente, o pênis.
O que me surpreende é que
palavras de origem indígenas deve ser usado o “Ç”, como em Canguçu, Paraguçu,
Iguaçu, paçoca, onça, caçoeira, caçuá, entretanto fiquei boquiaberto, mesmo
existindo essa regra tenha sido lançado há mais de dez anos um dicionário de
determinada língua da Amazônia em que o MESTRE DICIONARISTA usou “SS”
no lugar do “Ç” conforme manda o Código de Hamurabi, digo, conforme manda a
regra da língua portuguesa.
E em muitos casos nomes
foram registrados errados usando o SS no lugar de Ç, ou CH no lugar de X e G no
lugar de J. Inclusive cidades de nomes indígenas trocaram o J por G e ficou
Bagé, Mogi das Cruzes além do “ss” em Bataguassu e Bossoroca, que deveriam ser Bajé,
Moji das Cruzes, Bataguaçu e Boçoroca. Nem vamos entrar no caso de Juçara.
Fora milhares de palavras
dos povos nativos, muitas das quais de uso corriqueiro no Brasil que não fazem
o menor sentido em Portugal, como aguapé, anhanguera (aqui já complicou, nesta
palavra havia o trema), açaí. anauê, açu, araraúna, canoa, capim, piroga,
gravatá, curumim, caiçara, biboca, camotim, caatinga e nhenhenhém.
Por que ter “X” em
excelência se nós pronunciamos ecelência. Sei que é da raiz latina
‘EXCELLENTIA, porém quem no meio do povo sabe o que é latim? Muitos
especialistas em língua portuguesa cairão de pau, porém perguntar não ofende e
vamos parar de nhenhenhém.
Ficaria estranho, concordo,
mas precisamos ter uma escrita fácil e clara para ser dominada pela grande
massa. E se fossem mexer que mexessem nas profundidades e não nas amenidades.
Já li de renomados mestres,
o que têm o meu apoio, entre outras coisas a questão de G – Por que o G+A é ga,
o G+O é go e o G+U é gu e quando é G+E é je e G+I e ji?
Lencinho popular português com erros ortográficos tem origem
no Minho, norte de Portugal. Não existe mais, hoje é propositadamente
bordado apenas para turista ver e comprar. (Carlos Romão – Porto – Portugal).
Não podemos ficar atrelados ao modo de escrever de Portugal, se eles mesmos dizem que nos falamos o “brasileiro”. Amo a língua portuguesa, bonita, sonora, rica em regras, e aqui no Brasil, cheia de “malemolência” devido à influência dos negros escravos que deram esse “gingado” à língua e enriqueceram com milhares de palavras, e adotou certas sonoridades por influência dos índios, que iniciou com a chamada Língua Geral ou Língua Brasílica, que se apoiou no Tupi, falado pelos tupinambás que habitavam o litoral.
A
língua, portanto, deve ser sentida, usada com vitalidade e prazer, pois sua
raiz verdadeira está no coração, mas restringe muito no escrever.
O que eu gostaria é que no Brasil
se falasse como se escreve e não como muitíssimos fazem e ficam inventando
modas e afetações no falar, como o número 12, se escreve doze, mas alguns
afetados dizem douze. Isto é que está errado e precisamos um acordo para
ensinar esses menos esclarecidos a falarem corretamente. Menos esclarecidos
não, assim falam grande apresentadores de televisão do centro do país, o que é
uma vergonhosa afetação.
Dirá algum brasileiro que
nós Gaúchos é que falamos cheios de floreios, que falamos diferente.
Não! Nós falamos conforme
escrevemos, mas é óbvio que temos nossas próprias palavras que não são
entendidas pelos brasileiros e que um dia seja matéria curricular no Rio Grande
do Sul.
A começar pelo próprio brasileiro.
Brasileiro é uma profissão. Aquele que trabalha com o pau-brasil (Paubrasilia
enchinata Lam) também chamado de arabutã, ibirapiranga, ibirapitanga, ibirapitá,
orubutã, pau-de-pernambuco, pau-de-tinta e pau-pernambucano, pois o correto
seria “brasilês”, assim como português, francês, inglês, japonês, chinês,
maltês, finlandês, norueguês, genovês e outros. Já o brasileiro seria comparado
a oleiro, marceneiro, carpinteiro, serralheiro, madeireiro, ferreiro, copeiro,
cervejeiro e por aí se vai um vasto rol de profissões. Mas fazer o quê, se já
está cimentado à cultura?
Repito, no Rio Grande do Sul
se fala como se escreve:
Xerenga (faca de má
qualidade) – Nós escrevemos xerenga e pronunciamos xerenga.
Tumbeiro (indivíduo
parasita, vagabundo, gaudério, que vive de estância em estância)– Nós
escrevemos e falamos tumbeiro, ou truviscar (bater, açoitar, bater com pau ou
relho, etc.), inhapa de ñapa ou nhapa (?) (regalo, presente), emponchar (cobrir
com o poncho), abichornado (triste, sem ânimo, doentio) e outras.
Já alguns brasileiros chiadores
se usassem a palavra truviscar, diriam “truviischcarrr”, pois os alcaides
escrevem “mesmo” e falam meiixxmo ou o que é pior, com ridícula afetação dizem
“mêrrrmo”. Ao passo desta afetação ser tão grande que um afetado tenha escrito
no Facebook “ANTEIS e Depois”. Aí já não
é sotaque nem afetação, é outra coisa.
A esmagadora maioria das línguas que hoje são faladas no mundo, não
existia sequer há dois mil anos, tanto é que os idiomas francês, italiano,
romeno, espanhol, português, catalão, galego, occitano (provençal e outros),
dalmático (extinto), entre outras, derivaram do latim, e por isto são chamadas
neolatinas, quiçá há mais de dois mil anos.
Ou quiçá apenas cem anos no futuro, que é um lapso na história?
Dos quase sete mil idiomas e dialetos hoje existentes no mundo, num
curto espaço de tempo a maioria poderá deixar de existir, por conta desta
internacionalização das comunicações e do comércio, ou seja, da globalização,
que usa o inglês e não o sonhado esperanto.
O próprio aramaico, língua semítica usada pelos povos antigos do Oriente
Médio, sendo a língua original em que foram escritos os livros bíblicos de
Daniel e Esdras, e também a reedição do Talmud, que data do ano de 499 a.C. versando sobre leis
e tradições judaicas, que são 63 tratados de assuntos legais, éticos e
históricos do povo judeu, que nada tem a ver com outros povos, mas que os
cristãos sem nenhum pudor ou vergonha, copiaram, falsificaram, suprimiram e acrescentaram coisas, assim como o Corão, e que “possivelmente”, repito,
“possivelmente” tenha sido a língua de um judeu chamado Yeshua, para nós Jesus,
que grandes antropólogos e historiadores negam até sua existência, que se auto
proclamou filho de Deus, hoje só é falada em algumas pequenas comunidades do
Oriente Médio em especial na Síria e corre o risco de, como o latim, tornar-se
uma língua exclusiva dos religiosos. Coisa que o vice deus, Bento XVI, queria
reintroduzir nas missas da igreja católica. Ou seja, um passo atrás, pois
ninguém a não ser a “padrecada” entende essa língua morta, voltando assim aos
“mistérios” que só podem ser ditos e entendidos por aqueles que detêm o poder
religioso, alijando o povo de orar com Deus, como se esse Deus ouvisse tanta
reza. Afinal povo é povo, não precisa falar com Deus, pois existem os
intermediários nem sempre honestos. Deus que além, de surdo, para certos religiosos
que gritam como desvairados só entende o latim ou o aramaico. E ainda existem
aqueles ingênuos, para não dizer outra coisa, que acreditam que só entrará no
reino dos céus aquele que falar uma língua estranha. Tive inclusive uma aluna
evangélica, com mais de sessenta anos, na EJA em Esteio que queria a todo custo
aprender o inglês, não para obter conhecimento e sim porque leu na bíblia essa
sandice.
Não discuto se aprendi muitas manhas deste acordo, entretanto mesmo
procurando errar menos possível, quando em vez cometo alguns erros. Não sou
catedrático em língua portuguesa, apesar de ter estudado dois anos latim que é
base das línguas neolatinas, muitas vezes cometo minhas “gafes”, principalmente
no uso da crase. É perdoável até certo ponto, mas gostaria que o povo tivesse
uma regra para facilitar e não complicar o que já era complicado.
E para encerrar. Tal acordo não livra um português de ficar mais perdido
que “jaguara” em procissão, pois, tirando o Gauchês fora, dou como exemplo
algumas palavras próprias dos amados irmãos nordestinos:
Qual português, angolês (angolano ou angolense), moçambicano e outros
saberia o significado de:
Sapirico, tá na bagaça, baqueado, aritimbó, botimbora, quirrite, cafucu,
babau, dente queiro, maluvudo, coió, na ruma, dar um xêxo, borreia, bila, auê,
abuticar, pipoco, estruir, malamanhado, rebolo, zureta, goipada, cipoada, jerimum,
escabriado, baitinga, biloto, biculinha, cotôco, dar uma rata, espilicute, nas
bregas, foló, guabiru, leriado, lheguelhé, mané mago, xubichin, zanói, visage,
ruim das oiça, berimbelo, baixa da égua, jabá ou quixó?
“Tá, cabô”.
Agradeço a Carlos Romão de Porto - Portugal, pela sua importante contribuição. Este espaço fica aberto a quem quiser enriquecê-lo com informações necessárias para o bom entendimento da matéria.
Agradeço a Carlos Romão de Porto - Portugal, pela sua importante contribuição. Este espaço fica aberto a quem quiser enriquecê-lo com informações necessárias para o bom entendimento da matéria.
(Complicado, então leia neste espaço o post EMULAÇÃO LUDOPÉDICA, de 19
de fevereiro de 2012).















