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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Acordo Ortográfico – O Futuro Que Nos Espere.




É sim “O futuro que nos espere” - 3ª pessoa do presente do Subjuntivo (no Brasil), ou seja, “que ele, o futuro nos espere”.

     Apenas para pensar. 

Não sou especialista em língua portuguesa, porém vislumbro adiante, num futuro não muito distante, com certeza, muitas coisas irão mudar e mudarão a tal ponto que um dia chegará e o português do Brasil não mais será uma extensão do português de Portugal, será um novo idioma. Uma língua autônoma. E disto não tenho dúvidas.


E tentando descomplicar, este último Acordo Ortográfico para muitos complicou e ainda está dando muitos nós na cabeça não só do povo simples, como de pessoas bem escolarizadas. O que é normal, pois até acertarmos os ponteiros levará tempo para os menos atilados e para aqueles que mantêm vícios adquiridos ao longo de suas vidas. Lembrando que somos infelizmente um país, cuja esmagadora maioria peca muito no escrever, inclusive eu. Afinal há menos de cinquenta anos éramos um país de analfabetos, cujo percentual era gigantesco.


O mais conceituado professor de português do Brasil, Pasquale Cipro Neto disse:

- O acordo ortográfico entre os países lusófonos é "inútil e desnecessário" e não terá qualquer influência no papel da língua portuguesa a nível internacional.

Concordo plenamente e vejo que esse acordo além de complicar para muitos, não terá qualquer influência no modo de escrever e falar neste futuro que vislumbro.


E ainda, por conta do não entendimento deste Acordo muitos fazem confusões, tanto que ao ter dado entrada em uma Escola no Município de Esteio, bem à vista dos que ali entravam estava um cartaz dedicado aos alunos, que, com letras garrafais dizia: 

      “Seja benvindo...”.

Imediatamente procurei a equipe diretiva (pedagogas) e mostrei o erro, o que foi uma dificuldade para provar que a palavra “bem-vindo” não perdera o hífen (m?). Mas argumentaram com veemência que o hífen havia caído. Tiveram que vasculhar o acordo e procurar na Internet, até que lá pelas tantas viram que realmente a palavras continuava sendo - BEM-VINDO.


Mas esse acordo ortográfico, assunto que já escrevi neste espaço, foi um acordo tímido e até certo ponto desnecessário, é mais uma dessas coisas que partiu de cabeças brilhantes, mas que não terá futuro a médio e principalmente em longo prazo ou a longo prazo, ambas formas são aceitas, pois os idiomas não são estáticos e sofrem com o tempo uma série de alterações, muitas impossíveis de conter. Idiomas não são feitos por leis, decretos, acordos ou tratados e sim são feitos pela massa que os fala. Lembro aqui da tentativa infrutífera de se implantar no mundo o Esperanto como uma língua internacional neutra, que o inglês o fez sem nenhum trauma. 


O Esperanto é uma língua artificial criada em 1887 pelo médico judeu polonês Ludwig Lazar Zamenhof que não alcançou ainda seus objetivos. Aliás, 90% da população mundial nem sabe o que é Esperanto.

Por outro lado o Brasil é campeão em gírias que em Portugal, se não me falham as “catracas” (gíria = cérebro, cabeça, ideias. Ideias que pelo novo Acordo perdeu o acento, assim como o próprio acordo) são chamadas de maleitas. (corrijam-me se eu estiver errado). Já maleita no Brasil é uma doença. A malária.



Alguém dirá que precisamos de regras. Concordo plenamente, porém repito, se mexeram, por que não o fizeram em profundidade. O quê esse acordo trouxe em benefício do nosso povo?



Quiseram com isso igualar a forma escrita, e esqueceram da falada, mas o fizeram sem aprofundar, ou seja, trocaram a casca, mas não atingiram o cerne da questão, o qual deveria descomplicar, mas para muitos complicou ainda mais, como a supressão do trema e não atingiu coisas que na verdade descomplicariam.


Temos aqui no Rio Grande do Sul milhares de palavras que são desconhecidas mesmo no Brasil, quiçá em Portugal, assim como as dezenas de milhares de palavras do Brasil que não fazem o menor sentido ou são desconhecidas nos demais países de língua portuguesa.


As diferenças encontradas entre os diferentes modos de falar tendem a aumentar. Acredito que dos milhares de idiomas e dialetos que hoje são falados no mundo, muitos irão desaparecer e outros, já existentes ou não, tomarão o seu lugar.


Ou alguém acha que a maneira de falar da Inglaterra é a mesma da América? Ou o Francês europeu é o mesmo do Caribe ou da África?


Não! 


No caso do inglês britânico tem suas diferenças com o inglês “caipira” dos Estados Unidos da América e dos demais países de língua inglesa no que tange não somente as pronúncias, pois algumas palavras são igualmente diferentes como entre Brasil e Portugal, como exemplo cito algumas palavras do inglês britânico e sua correspondente americana:

           Inglaterra:      USA (EUA)
               - courgette           - zucchini
               - dummy             - pacifier
               - trousers             - pant
               - rubber               - eraser
               - chemist             - drug store
               - sweets              - candy
               - chips              - french fries

O mesmo continuará acontecendo com o nosso português, quer seja em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique e nos demais países de fala portuguesa.


O português europeu continuará a ser diferente dos demais portugueses, mesmo dentro de Portugal, que é um país de dimensões pequenas se comparado ao gigantismo do Brasil há diferenças no falar, quanto mais em nosso país, a tal ponto de livros e entrevistas serem traduzidas, filmes serem dublados ou legendados, pois é muito mais difícil entender um português falando do que um espanhol de Madri. Lembrando que no próprio espanhol há diferenças gritantes no modo de falar. Ou acreditas que a pronúncia da Espanha é a mesma da Argentina ou do Uruguai. 

Mesmo dentro da América Espanhola existem diferentes pronúncias para a mesma palavra, como é o caso de cavalo cuja pronuncia pode ser “cavaio”, “cavalhio” ou “cavajo” ou entaõ CAbAIO, a CAbALHIO ou CAbAJO. Sendo que a escrita é a mesma - CABALLO.


Já escrevemos no passado com Ph, cuja pronúncia é “f” como em phósphoros pharmácia, Amphilóquio, Raphaela e tantas outras. Já acentuamos certas palavras, como cafèzinho, sòzinho e alcoól (de alcohol). Já tiramos acentos, já introduzimos letras e outras foram suprimidas e hoje conforme a região serão mantidas ou não e terão dupla grafia em dicionários escritas com o B, C, G, M, P e T, sendo que muitas já não existiam no “brasilês”, porém continuarão em Portugal.


Exemplos de consoantes pronunciadas: Compactado, pacto, aptidão, nupcial, adaptar e toda a sua conjugação, entre outras. Não pronunciadas e inexistentes no Brasil, Acção, Secção, efectivo e para complicar temos o óptimo sem falar no afectivo. 


Porém! - E sempre há um porém., muitas serão dicionarizadas com dupla grafia. Vejas bem. Terás o cuidado de entender a localização geográfica para saber se sim ou se não. Por um lado é bom, pois mostrará para muitos onde fica o Brasil e onde fica Portugal, pois se dermos um mapa veremos que grande parcela fica mais perdida do que cego em tiroteio.



De dupla grafia teremos várias palavras, entre elas, a amígdala, amnistia, subtil e súbdito, para Portugal e os Tupiniquins ficarão com a amídala, anistia (ampla, geral e irrestrita, coisa do Geisel para livras os militares assassinos e torturadores), sutil e súdito. 


Por causa do grego, já escrevemos theatro, bibiotheca, hydrographia, polytechnica, polygono, telephone, christão e phonógrafo.


Muitos argumentos para tal acordo são capengas, (Capengar=Mancar. Aquele que é manco ou claudicante, que deriva de Cláudio, que significa manco), pois nós estamos cada vez mais falando o “brasilês” e por isto os grandes mestres deveriam mudar o nosso jeito de escrever e não ficar se preocupando simplesmente com uma uniformidade da língua portuguesa, mesmo que isto fosse necessário para uma uniformização importante a nível internacional, mas que no futuro complicará ainda mais e o rolo compressor passará por cima.


Precisaríamos de mudanças que viessem a facilitar o escrever, o falar, o sentir a palavra.


Por que continuamos a escrever exército com “X”?


Para manter a raiz latina de Exercitus?.

Sim, dirá o especialista em língua portuguesa. Mas deveríamos caminhar para a facilitação e não descomplicar complicando, assim como no passado suprimimos letras usadas em palavras de origem grega, poderíamos nos livrar de muitas letras de origem latina. Afinal o que é o latim senão uma base muito distante de nosso idioma, antecipando assim esse novo idioma que já começou e tende pelo número suplantar os demais portugueses, que é o “brasilês”, afinal são mais de duzentos milhões tagarelando regionalismos e gírias, e dele se afastando tanto que passará a ser um novo idioma. A língua falada está sempre em evolução e caminha para uma mutação impossível de deter.

Ex.


Estadia é o tempo que um navio permanece em um determinado porto.

Estada é o tempo que alguém fica em algum lugar. Hotel.


Porém hoje quase ninguém fala estada e sim estadia no hotel, o que passou a ser um sinônimo de estada.


No espanhol que também é de origem latina como o português escrevem exército com “J”, ejército.


Não! 


A pronúncia não é egército e sim ErrÉRCITO.


Facilitaria muito se escrevêssemos com “z”. Pois o som é de “z”. Ezército, que para os que têm conhecimento pode até ficar estranho, mas para a massa não bem escolarizada seria mais fácil. Há os que ficarão contrariados. Perdoem-se, mas esta é uma opinião pessoal de um historiador e não de um catedrático em língua portuguesa.

“Talves o ecelentíssimo Jeneral, diante de seu ezército, após tantos êzitos tivesse visto passar em sua frente toda a sua ezemplar ezistência”.

        Alguém não entendeu?


Houve em passadas épocas um grande avanço tornando a língua portuguesa um verdadeiro idioma (galego-português, por volta do século XII), que não deve ser confundido como um dialeto espanhol, pois não era um apêndice da Espanha, a qual ainda não havia surgido como reino unificado, apesar de ter sido em terras hoje pertencentes à Espanha o berço da língua portuguesa, porém o mundo mudou e hoje o português, apesar de sua similaridade com o espanhol é notadamente uma língua autônoma. Obviamente não para os americanos que acham que tudo é a mesma coisa.

Lembrando que Portugal foi o Primeiro, portanto o mais antigo Estado Nacional ou Estado Nação da Europa, que antecede em muito tempo o Reino da Espanha, assim sendo não podemos entender como sendo um dialeto e sim uma língua autônoma mesmo que tenha, como disse, surgido em território hoje pertencente a atual Espanha, na época no Reino de Galícia, ao norte de Portugal e foi com o tempo chegando até o Algarve. E de Portugal para o mundo, hoje o conhecido mundo lusófono, ao qual estamos incluídos. Porém caminha o Brasil para um afastamento tão grande que chegará um dia de termos um idioma próprio, que eu chamo de brasilês.


Como professor de adultos observava a dificuldade de muitos quanto ao emprego do “x”. Complica para os leigos, pois tem vários usos e são totalmente diferentes. Pode ser empregado como “s”, “ss”, “z”, “ch” e  “cs”. 



Novamente o especialista em língua portuguesa perguntará qual é a dificuldade? 


Não há dificuldade para as pessoas bem escolarizadas, mas as dificuldades são semelhantes à de um médico proctologista diante de um tórax aberto para fazer um transplante de coração. É assim que o povo se sente. Perdido. Totalmente perdido. 


Dirá o enfático especialista: Nós estamos aqui para ensinar. Corretíssimo! Mas aí lembro de uma frase mui usual na caserna: “Se podemos complicar para que facilitar?”.



A base foi perdida, a alfabetização não foi correta.


Além do mais o “x” tem regras complicadas para quem não é muito letrado, como ser usado após um ditongo, como feixe ou caixa, após palavra iniciadas com o prefixo “en” como enxame, enxoval; após palavras iniciadas pela sílaba “me”, como mexer, mexerico; nas palavras oriundas das diferentes línguas indígenas, as quais muitas não são usadas nem conhecidas em Portugal, como xará, xerente, xexéu; nas de origem africana, como caxumba, caxixí, caxangá, caxambu, fuxico, xodó, xendengue e xepa; ou nas palavras de origem inglesa que já foram aportuguesadas, como xerife ou xampu, assim como poderia ser “xópim” e não shopping, entre milhares. (Eu mesmo vivo aportuguesando o “blogue”, pois a maioria fala blogue, blogueiro, etc.) Também diz à regra que após o prefixo “em” seguido de palavras com “ch”, o dígrafo “ch” será mantido, como em encher. Mas quem dentro da grande população sabe o que é um dígrafo?


E quem sabe profundamente das complicadas regras a não ser um especialista e dos bons?

A começar pelo “zz” italiano que deve ser substituído pelo “ç”, como no caso de muzzarela. O correto deveria ser escrito com “Ç”, mas quase ninguém usa e sim usam o “ss”. Grandes redes de Supermercados e Restaurantes usam erradamente o “ss” e juram que estão certos, inclusive uma colega professora de língua portuguesa na hora de escrever se “embasbacou”. Porém como já escrevi, duvidaria que alguém seguisse a regra no caso de Pizza. Pois com “Ç” é, pejorativamente, o pênis.


O que me surpreende é que palavras de origem indígenas deve ser usado o “Ç”, como em Canguçu, Paraguçu, Iguaçu, paçoca, onça, caçoeira, caçuá, entretanto fiquei boquiaberto, mesmo existindo essa regra tenha sido lançado há mais de dez anos um dicionário de determinada língua da Amazônia em que o MESTRE DICIONARISTA usou “SS” no lugar do “Ç” conforme manda o Código de Hamurabi, digo, conforme manda a regra da língua portuguesa.


E em muitos casos nomes foram registrados errados usando o SS no lugar de Ç, ou CH no lugar de X e G no lugar de J. Inclusive cidades de nomes indígenas trocaram o J por G e ficou Bagé, Mogi das Cruzes além do “ss” em Bataguassu e Bossoroca, que deveriam ser Bajé, Moji das Cruzes, Bataguaçu e Boçoroca. Nem vamos entrar no caso de Juçara.

Fora milhares de palavras dos povos nativos, muitas das quais de uso corriqueiro no Brasil que não fazem o menor sentido em Portugal, como aguapé, anhanguera (aqui já complicou, nesta palavra havia o trema), açaí. anauê, açu, araraúna, canoa, capim, piroga, gravatá, curumim, caiçara, biboca, camotim, caatinga e nhenhenhém.
 

Por que ter “X” em excelência se nós pronunciamos ecelência. Sei que é da raiz latina ‘EXCELLENTIA, porém quem no meio do povo sabe o que é latim? Muitos especialistas em língua portuguesa cairão de pau, porém perguntar não ofende e vamos parar de nhenhenhém. 

Ficaria estranho, concordo, mas precisamos ter uma escrita fácil e clara para ser dominada pela grande massa. E se fossem mexer que mexessem nas profundidades e não nas amenidades.


Já li de renomados mestres, o que têm o meu apoio, entre outras coisas a questão de G – Por que o G+A é ga, o G+O é go e o G+U é gu e quando é G+E é je e G+I e ji?


     Lencinho popular português com erros ortográficos tem origem  no Minho, norte de Portugal. Não existe mais, hoje é propositadamente bordado apenas para turista ver e comprar. (Carlos Romão – Porto – Portugal).
                         


Não podemos ficar atrelados ao modo de escrever de Portugal, se eles mesmos dizem que nos falamos o “brasileiro”. Amo a língua portuguesa, bonita, sonora, rica em regras, e aqui no Brasil, cheia de “malemolência” devido à influência dos negros escravos que deram esse “gingado” à língua e enriqueceram com milhares de palavras, e adotou certas sonoridades por influência dos índios, que iniciou com a chamada Língua Geral ou Língua Brasílica, que se apoiou no Tupi, falado pelos tupinambás que habitavam o litoral. 


A língua, portanto, deve ser sentida, usada com vitalidade e prazer, pois sua raiz verdadeira está no coração, mas restringe muito no escrever.


O que eu gostaria é que no Brasil se falasse como se escreve e não como muitíssimos fazem e ficam inventando modas e afetações no falar, como o número 12, se escreve doze, mas alguns afetados dizem douze. Isto é que está errado e precisamos um acordo para ensinar esses menos esclarecidos a falarem corretamente. Menos esclarecidos não, assim falam grande apresentadores de televisão do centro do país, o que é uma vergonhosa afetação.


Dirá algum brasileiro que nós Gaúchos é que falamos cheios de floreios, que falamos diferente.

Não! Nós falamos conforme escrevemos, mas é óbvio que temos nossas próprias palavras que não são entendidas pelos brasileiros e que um dia seja matéria curricular no Rio Grande do Sul.


A começar pelo próprio brasileiro. Brasileiro é uma profissão. Aquele que trabalha com o pau-brasil (Paubrasilia enchinata Lam) também chamado de arabutã, ibirapiranga, ibirapitanga, ibirapitá, orubutã, pau-de-pernambuco, pau-de-tinta e pau-pernambucano, pois o correto seria “brasilês”, assim como português, francês, inglês, japonês, chinês, maltês, finlandês, norueguês, genovês e outros. Já o brasileiro seria comparado a oleiro, marceneiro, carpinteiro, serralheiro, madeireiro, ferreiro, copeiro, cervejeiro e por aí se vai um vasto rol de profissões. Mas fazer o quê, se já está cimentado à cultura?

Repito, no Rio Grande do Sul se fala como se escreve:


Xerenga (faca de má qualidade) – Nós escrevemos xerenga e pronunciamos xerenga.


Tumbeiro (indivíduo parasita, vagabundo, gaudério, que vive de estância em estância)– Nós escrevemos e falamos tumbeiro, ou truviscar (bater, açoitar, bater com pau ou relho, etc.), inhapa de ñapa ou nhapa (?) (regalo, presente), emponchar (cobrir com o poncho), abichornado (triste, sem ânimo, doentio) e outras.


Já alguns brasileiros chiadores se usassem a palavra truviscar, diriam “truviischcarrr”, pois os alcaides escrevem “mesmo” e falam meiixxmo ou o que é pior, com ridícula afetação dizem “mêrrrmo”. Ao passo desta afetação ser tão grande que um afetado tenha escrito no Facebook “ANTEIS e Depois”. Aí já não é sotaque nem afetação, é outra coisa.



A esmagadora maioria das línguas que hoje são faladas no mundo, não existia sequer há dois mil anos, tanto é que os idiomas francês, italiano, romeno, espanhol, português, catalão, galego, occitano (provençal e outros), dalmático (extinto), entre outras, derivaram do latim, e por isto são chamadas neolatinas, quiçá há mais de dois mil anos.


Ou quiçá apenas cem anos no futuro, que é um lapso na história?


Dos quase sete mil idiomas e dialetos hoje existentes no mundo, num curto espaço de tempo a maioria poderá deixar de existir, por conta desta internacionalização das comunicações e do comércio, ou seja, da globalização, que usa o inglês e não o sonhado esperanto.


O próprio aramaico, língua semítica usada pelos povos antigos do Oriente Médio, sendo a língua original em que foram escritos os livros bíblicos de Daniel e Esdras, e também a reedição do Talmud, que data do ano de 499 a.C. versando sobre leis e tradições judaicas, que são 63 tratados de assuntos legais, éticos e históricos do povo judeu, que nada tem a ver com outros povos, mas que os cristãos sem nenhum pudor ou vergonha, copiaram, falsificaram, suprimiram e acrescentaram coisas, assim como o Corão, e que “possivelmente”, repito, “possivelmente” tenha sido a língua de um judeu chamado Yeshua, para nós Jesus, que grandes antropólogos e historiadores negam até sua existência, que se auto proclamou filho de Deus, hoje só é falada em algumas pequenas comunidades do Oriente Médio em especial na Síria e corre o risco de, como o latim, tornar-se uma língua exclusiva dos religiosos. Coisa que o vice deus, Bento XVI, queria reintroduzir nas missas da igreja católica. Ou seja, um passo atrás, pois ninguém a não ser a “padrecada” entende essa língua morta, voltando assim aos “mistérios” que só podem ser ditos e entendidos por aqueles que detêm o poder religioso, alijando o povo de orar com Deus, como se esse Deus ouvisse tanta reza. Afinal povo é povo, não precisa falar com Deus, pois existem os intermediários nem sempre honestos. Deus que além, de surdo, para certos religiosos que gritam como desvairados só entende o latim ou o aramaico. E ainda existem aqueles ingênuos, para não dizer outra coisa, que acreditam que só entrará no reino dos céus aquele que falar uma língua estranha. Tive inclusive uma aluna evangélica, com mais de sessenta anos, na EJA em Esteio que queria a todo custo aprender o inglês, não para obter conhecimento e sim porque leu na bíblia essa sandice.


Não discuto se aprendi muitas manhas deste acordo, entretanto mesmo procurando errar menos possível, quando em vez cometo alguns erros. Não sou catedrático em língua portuguesa, apesar de ter estudado dois anos latim que é base das línguas neolatinas, muitas vezes cometo minhas “gafes”, principalmente no uso da crase. É perdoável até certo ponto, mas gostaria que o povo tivesse uma regra para facilitar e não complicar o que já era complicado.


E para encerrar. Tal acordo não livra um português de ficar mais perdido que “jaguara” em procissão, pois, tirando o Gauchês fora, dou como exemplo algumas palavras próprias dos amados irmãos nordestinos:


Qual português, angolês (angolano ou angolense), moçambicano e outros saberia o significado de:

Sapirico, tá na bagaça, baqueado, aritimbó, botimbora, quirrite, cafucu, babau, dente queiro, maluvudo, coió, na ruma, dar um xêxo, borreia, bila, auê, abuticar, pipoco, estruir, malamanhado, rebolo, zureta, goipada, cipoada, jerimum, escabriado, baitinga, biloto, biculinha, cotôco, dar uma rata, espilicute, nas bregas, foló, guabiru, leriado, lheguelhé, mané mago, xubichin, zanói, visage, ruim das oiça, berimbelo, baixa da égua, jabá ou quixó?

“Tá, cabô”.

Agradeço a Carlos Romão de Porto - Portugal, pela  sua importante  contribuição. Este espaço fica aberto a quem quiser enriquecê-lo com informações necessárias para o bom entendimento da matéria.         

(Complicado, então leia neste espaço o post EMULAÇÃO LUDOPÉDICA, de 19 de fevereiro de 2012).

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ribatejanos e a Fúria Gaúcha.





“Dou um boi para não entrar na briga, mas se entrar dou a boiada para não sair”.


Relato abaixo um lamentável episódio que assisti envolvendo dois portugueses de Ribatejo e vários Gaúchos. Quero aqui registrar o meu respeito e admiração que tenho pelos portugueses, principalmente pelas portuguesas, mas neste caso poderia ser francês, inglês ou americano que a coisa aconteceria de mesma forma, pois não mexa com quem está quieto, pois mexeu com um, mexeu com todos.

                 Eu, euzinho.

No fim dos anos 60, ainda servindo ao Exército assisti uma cena lamentável, mas que impossibilitado de tomar qualquer atitude, apenas, com lástima e ao mesmo tempo sem tirar a razão, observei sem comprar camorra e vi um momento de fúria e raiva externada por alguns cavalarianos Gaúchos, que ofendidos não deixaram de extravasar toda a sua raiva indômita diante de palavras de baixo calão e sórdidas, proferidas por dois irmãos ribatejanos, que ofenderam um jovem Gauchito de seus vinte e poucos anos, que ao passo em seu flete manso passava solito em frente de um requintado armazém importador de vinhos, uísques e outras coisas boas e caras.


Tal Gauchito, melenudo, bem pilchado que por ali passava monarca durante a Semana Farroupilha, foi ridicularizado pelos dois irmãos portugueses, proprietários daquele estabelecimento, que o ofenderam acintosamente e sem nenhum motivo, com palavras chulas e desapropriadas, chamando-o de grosso, vagabundo, selvagem, filho desta e daquela e muitos outros insultos que não cabem serem ditos neste espaço.


El Gauchito limitou-se a alhar sem abri o cenho e continuou em seu passo tranquilito em seu flete, como água de cacimba, mas por dentro o seu coração saiu de marca quente.


Não sabiam os irmãos ribatejanos que a menos de cem metros, junto a Praça Coronel Pedro Osório havia estacionado uma tropa de Gaúchos pilchados, armados e com suas adagas e relhos, que ali pararam para descansar, tomar um mate (chimarrão) e dar uma folga às suas montarias. 


El Gauchito para não revidar e sair de mano a mano, foi-se sem nenhum xaraxaxá ao encontro da Gauchada que lá estava desmontada de seus belos haraganos, uns aporreados, alguns espantadiços e outros mansos como jaguaras de estância.


Ao relatar a agressão verbal que havia sofrido os tauras não deixaram por menos. Bolearam a perna e montaram em seus fletes, muitos já sedentos por sangue e outros malevas e desapiedados juntaram-se ao bochincho para uma desforra.


Montados em seus cavalos e ao galope, junto ao Gauchito que servia de sinuelo, adentraram pela Rua 15 de Novembro, principal e mais tradicional Rua de Pelotas, com seus baguais batendo as ferraduras nas pedras do calçamento o que fez o povo que por ali passava abrir o caminho para o piquete resoluto e enraivecido e alguns que assistiram tais reproches (reprotches) vaticinaram o que aconteceria.


Um dos irmãos ribatejanos sem entender o que estava acontecendo, saiu de seu fino armazém e foi até a calçada para ver o que estava ocorrendo.



Mal sabia o infeliz homem que aqueles dez ou doze Gaúchos estavam indo tirar satisfações pelas ofensas por ele e seu irmão ditas ao pacato hermanito.


Ao pisar fora do armazém foi violentamente atingido pelo primeiro cavalo, montado pelo Gauchito gadelhudo, que corria sobre a calçada e caiu sob o impacto del pecho del bagual ao solo. Sem desmontar o jovem Gauchito ergueu o relho e sem dó nem piedade truviscou o mango trançado e no puxão fez rasgar a camisa do infeliz português, assim como o couro de suas costas.

                 Sorro ou graxaim

E o entrevero foi mais feio do que briga de foice no escuro, pois outros cavalarianos invadiram o armazém a cavalo e de lá trouxeram o outro ribatejano puxado pelo laço e a pancadaria foi de tirar o fôlego. Enquanto isto mais e mais cavalarianos adentravam a Rua 15, no upa e upa e se entreveram na peleia como sorros enraivecidos.


Quando não mais reagiam do inesperado ataque daquela cavalaria de tauras, onde o pranchaço das adagas e das guascas trançadas de seus relhos corriam soltas, a Gauchada deixou os dois estirados na rua e não contentes com a sova que deram para fazer respeitar nossa cultura e tradição, denovamente invadiram monarcas e escarranchados o armazém e com seus relhos e adagas destruíram tal comércio e aquela quadra da Rua 15 ficou borracha (borratcha) de tão forte que era cheiro dos vinhos e uísques que lavou o chão do estabelecimento e escorria pela porta principal, como cascata em dia de aguaceiro.



A Gauchada satisfeita saiu ao passo em seus belo cavalos e voltaram tanquilitos para à Praça Coronel Pedro Osório terminar de tomar seus chimarrões e gargosear sobre o acontecido.


Tal armazém ficou dias fechado, pois suas vitrines e prateleira de vidro foram quebradas a golpes de sabres e adagas, inclusive os belos balcões de vidro, cheios de latas e vidros de caviar e outros produtos importados.


Oigalê! 


Que lástima, tanto pela violenta surra que os irmãos levaram, não por serem portugueses, mas pelas ofensas ditas, como pelos vinhos perdidos.

Entonces me vou campo a fora, tapado de quero-quero.

Mas cá para nós, foi mesmo uma selvageria impossível de conter.

Elucidário:

Adaga ou Daga – Faca comprida ou sabre.
Aporreado – Mal domado.
Bochincho – Briga, confusão.
Bolearam (Bolear) - Levantaram a perna para montar
Borracha(o) – Pronuncia-se borratcha – Bêbada. Enbriagada.
Cacimba – Fonte de água potável. Vertente. Poço que se cava para obter água límpida.
Carneadeira – Faca ou cutillo curto que se usa para carnear ou courear um animal.
Comprar Camorra – Comprar briga. Meter-se em briga de outro.
Caronero – Sabre, adaga.
Denovamente - Novamente.
Estância – Fazenda de criação de gado.
Entonces – Então.
Escarranchado - Enforquilhado, escanchado, montado.
Flete – Cavalo.
Gadelhudo – Cabeludo. De cabelos longos.
Gargosear – Contar proezas. Gabar-se, vangloriar-se.
Gauchito – Gauchinho.
Guasca – Tira de couro cru. Nos laços e relhos são trançadas. Guasca também significa homem rude, sem muito trato social.
Haragano – Cavalo domado, que se tornou arisco e espantadiço.
Hermanito – irmãozinho.
Jaguaras – Cachorros.
Lonca – Tira de couro cru ou curtido.
Mango – Relho ou porrete.
Maleva – Desalmado. Perverso. Mau. Cruel. Desapiedado.
Melenudo – Homem de cabelos compridos.
Monarca - Bem montado. Montado com estilo.
Oigalê – Expressão de surpresa, admiração ou espanto.
Pecho – (Petcho) do espanhol - Peito. Por este motivo no Rio Grande do Sul uma batida entre automóveis se diz PECHADA. Bateram de peito.
Pilchado – Vestido como manda à tradição. Pilchas.
Peleia – Briga.
Pranchaço - Bater com a adaga ou sabre. Bater com o flanco sem cortar.
Quero-quero – Pássaro comum nos campos, chamado no Uruguai de Télo. Diz que quando alguém sai correndo pelo campo os quero-queros voam cobrindo o indivíduo que fica tapado de quero-quero.
Relho – Rebenque, chicote de cabo de madeira e açoiteira de loncas trançadas, semelhante ao laço, com a ponta de lonca ou guasca plana. Também chamado de rabo-de-tatu ou mango.
Reproches - (Reprotches) - Críticas, censuras. Ofensas.
Sair de mano a mano ou sair de mano – Brigar um por um. Entreverar-se em briga contra um oponente.
Sair de marca quente – Irritado, brabo, zangado.
SinueloAquele que vai a frente mostrando o caminho.
Solito – Sozinho. Desacompanhado.
Sorro – Graxaim (Lycalopex gymnocercus) da família dos caninos encontrado nos campos do Sul do Brasil, Uruguai e Argentina.
Tauras – Bravos, valentes.
Tranquilito – Diminutivo de tranquilo.
Truviscou – Bateu, surrou.
Upa e upa – A todo o galope. Apressadamente.
Xaraxaxá – No caso acima significa sem rodeios. Sem bater boca.