Estava
eu de Sargento de Dia, passara o dia e a noite anterior no Quartel dando
Serviço na CC/1, Companhia de Comando do 1° Batalhão, serviço como sempre a
contento e sem alteração.
Na
manhã seguinte, antes da Formatura Diária, passaria o Serviço ao Terceiro
Sargento N.F., este era um Sargento sem muitos brios, a meu ver, um zero à
esquerda.
Nesta
manhã, com a Companhia em forma, ao lado do Alojamento, passava o serviço a
esse Sargento e esse fez uma critica inócua sobre a limpeza dentro do
Alojamento lembrando que uma das coisas que mais exigia dos soldados era a
limpeza da área da Companhia, mas ele, turrão em frente a Companhia quis chamar
minha atenção e eu, Cabo velho não gostei da forma rasteira como ele se
referiu, perguntei em voz alta em frente aos Soldados em forma:
-
Quem és tu para falar assim comigo, “SEU MERDA”.
Os Soldados em forma, juntamente com o meu
Cabo de Dia e outros quatro Cabos levaram aquela pancada nos miolos, pois nunca
haviam ouvido eu me referir a um superior hierárquico daquela maneira.
Ele sem jeito me fulminou com os olhos e de
antemão sabia que o mesmo iria dar parte
minha no livro de alterações da Companhia. No mínimo eu seria punido,
com prisão ou detenção.
Entretanto
logo em seguida apareceu o Sargenteante, um Primeiro Sargento de nome Abrantes,
apelidado de Rabanete e o Tercereba, que
já havia assumido o Serviço de Sargento de dia, lhe apresentou a Companhia,
pois logo seria feita a Parada Diária.
Naquele
ano a CC/1 estava colocada em primeiro lugar para receber o troféu de melhor
Companhia em Ordem Unida, e o Comandante desta Subunidade, o Capitão Clerion
Dias Faro queria logo o desfecho daquele certame, pois faltavam apenas dois
pontos para a Companhia ser agraciada antecipadamente naquele torneio. Esse Capitão
era de uma educação extremada que a todos tratava com atenção e respeito.
Em
forma, todos agora ao Comando do Sargento Abrantes se dirigiram à frente do
Prédio da CC/1 e ali a Companhia foi apresentada ao Capitão Faro.
De
imediato, após uma rápida preleção do referido Capitão, à Companhia foi deslocada
em passo cadenciado até o Pátio em frente ao Palanque Oficial, onde já estava além
do Comandante, o Coronel Aloísio Alves Borges, todo o Estado Maior do Regimento
que faria o penúltimo julgamento de Ordem Unida. Bastava para a Companhia
ganhar dois pontos para sagrar-se Campeã.
A
todo o momento o referido Sargento me olhava e gesticulava a cabeça, numa
frontal ameaça. De fato iria dar parte de mim por tê-lo chamado de SEU MERDA.
Como
sempre em formaturas eu entrava como Cerra fila, pois ficava atrás do último
Soldado, verificando a disciplina e o alinhamento.
Regimento
em forma, Banda de Música, Parada de Serviço pronta para assumirem seus postos
logo após tal formatura. Enfim tudo pronto, arrumado e bonitinho.
O
Coronel Aluisio, após a costumeira preleção deu ordens para que as Companhias
se deslocassem para seus locais pré-determinados para darem início à Parada Diária.
Em
ordem começou o desfile das Companhias garbosas marcharam, em frente ao
Palanque Oficial, porém quando a CC/1, minha Companhia passava briosa em frente
ao Palanque e já com a possibilidade de ganhar o troféu, com o Capitão Faro à
frente, logo atrás deles o Cabo José, também chamado de “pé-grande”, que era o
militar mais alto da companhia e por seu tamanho era o Cabo Porta Estandarte,
vinham os Sargentos, Cabos e Soldados e
eu bem atrás da Companhia, pois como já disse era o cerra-fila, ouviu-se um
“berro” do Palanque:
- Por que esse Sargento está fora da formação? – Gritou o
Coronel Aluísio.
De
imediato o Capitão olhou rapidamente para trás e viu que o Coronel referia-se
ao Sargento N.F., que marchava totalmente fora do alinhamento.
O
Capitão continuou à frente da Companhia e logo ao passar do Palanque, pôs-se ao
lado da Companhia e a conduziu ao pátio desta.
Ao
chegar ao pátio da CC/1 o Capital mandou alto e esquerda volver, ficando a Cia
de frente para o seu PC e Sargenteação,
quando o Capitão furioso disse alto e claro.
- Seu Merda! – referindo-se a tal Sargento, por tua causa não
vamos ganhar antecipadamente o troféu.
Cabos
e Soldados que durante a passagem de Serviço de Sargento de Dia, ouviram o que
eu havia dito ao referido Sargento, alguns segurando o riso, discretamente
olharam-me dando total razão.
Sem
moral o infeliz nada fez assumindo sua “merdice” e eu saí incólume.