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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Truviscando o Relho

            Transcrevo abaixo parte de meu livro "Os Gaúchos".




             
Uma das mais, se não a mais bela manifestação cultural do Brasil é a dos verdadeiros Gaúchos, como a dos rio-grandenses de modo geral. Suas danças, suas músicas, suas pilchas, seu linguajar, seu folclore e lendas, sérias, distintas e nem um pouco promíscuas.
            
Negrinho do Pastoreio, Salamanca do Jarau*, Mboi-tatá e tantas outras que tornam o Rio Grande do Sul em um celeiro cultural digno e impar.
            
Entretanto muitos foram os Gaúchos que ficaram decepcionados com uns rastaqüeras que se curvaram aos interesses de carnavalescos cariocas, em um carnaval naquele Estado. Carnavalescos que não tem a mínima noção do que é a cultura dos Gaúchos e subverteram, enxovalharam e ridicularizaram a lenda e apresentaram há alguns anos atrás, na Marquês de Sapucaí um escárnio a nossa cultura, onde desfilou um grupo de rio-grandenses, verdadeiramente fantasiados de Gaúchos que envergonharam a nossa querência, envergonharam a nossa gente que conhece nossa cultura e nossas tradições, apresentando em uma escola de samba um boi, um boi filho de uma vaca, como sendo a lenda do Mboi-tatá.
             
Isto foi uma ofensa aos que conhecem a cultura Gaúcha, e muitos tradicionalistas nem se deram por conta, pois Mboi-tatá não é um boi, nem um touro, nem mesmo uma vaca. Mboi-tatá é uma mitológica Cobra, uma mitológica Cobra de Fogo.
             
Quais os interesses que levaram a esse vexame, a essa vergonhosa apresentação. Imagens que rodaram o mundo inteiro.
             
Seriam as luzes e câmeras globais?
             
Taura que é taura se negaria a apresentar aquela palhaçada. Um deboche ao povo Gaúcho.
             
Mbãe-tatá, Mboi-tatá, ou boi-tatá, lenda dos índios, referia-se a uma gigantesca cobra de fogo que andava pelos pagos nas escuras noites. Guardiã dos campos.

Tal lenda surgiu do fogo-fátuo, gás que emana da decomposição ou putrefação de substâncias orgânicas. Essa decomposição produz a fosfina que gera uma combustão espontânea, que é levada pela brisa a rodopiar pelos campos, que pelo desconhecimento dos antigos habitantes das terras pré-colombianas achavam que era um ser sobrenatural, de onde surgiu essa lenda da cobra de fogo, numa época que se quer havia gado vacum nestas terras, pois esse gado somente chegou ao nosso continente após a descoberta de sua existência pelos imundos navegadores e exploradores europeus, que além desse gado trouxeram a destruição, as doenças, e todo o tipo de desgraças à gente desta terra, onde por interesses religiosos eliminaram centenas de nações índias, numa das maiores barbáries que já aconteceu na história da humanidade. Matanças indiscriminadas em nome de deus.
             
A combustão da fosfina dá-se também durante o dia, entretanto, devido a luz intensa do Sol ela não é notada, já na escuridão da noite ela se torna visível, e para quem não tem conhecimento do fenômeno causa um baita susto e o baiquára corre campo a fora evocando Tupanci.
             
A pronúncia de Mboi e meio difícil, é mais ou menos pronunciada como se houvesse a letra “i” após o “m” e no momento de sua pronuncia esse “i” fosse engolido.
             
Há na cidade de São Paulo, uma grande artéria, uma das principais, chamada de Mboi-mirim, que quer dizer cobra pequena, mas os paulistanos, por total desconhecimento pronunciam “Eme-Boi-Mirim”, inclusive grandes e respeitados apresentadores de telejornais, numa prova cabal de desconhecimento.
             
São os mesmos afetados que pronunciam “Ti-suname” em vez de “tsunami, só falta nos chamarem de “Ti-che”, em vez de Tche ou Che.
            
Por esse desconhecimento, que não fica apenas restrito as pronúncias de certas palavras, paulistas e cariocas dizem tanta bobagem a cerca dos Gaúchos. Puro desconhecimento de uma minoria de pessoas de pouca cultura e de palhaços ridículos que tentam enxovalhar os Gaúchos e os Rio-grandenses, com piadas próprias de gentalha sem cultura e sem tradições.
             
Obviamente a grande e esmagadora maioria dos paulistas e cariocas é formada de gente de boa índole, trabalhadores, inteligentes e respeitosos, os quais trago sempre em grande consideração e respeito.
            
E que as rusgas do passado, que tanto sofrimento causaram principalmente aos bravos paulistas que com toda a razão lutaram na revolução de 1932 fique como um referencial histórico de bravos homens que lutavam contra as falsas promessas getulistas de dar ao Brasil uma constituição digna, o que custou a fazer.
             
Mas o lado bom é que os Gaúchos transformaram aquela política ridícula que havia no país, capitaneada por meia dúzia de atrasados coronéis cafeicultores e pecuaristas do centro do meu amado Brasil.


*Por que Salamanca do Jarau? Os espanhóis que pelo Jarau passavam, viam ao longe uma elevação de pedras,que com o brilho do Sol lhes parecia,  vista a certa distância com a cidade de Salamanca na Espanha. Admirados com a semelhanças da formação rochosa com a cidade espanhola, passaram a chamá-la de Salamanca. Salamanca do Jarau.



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